quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

ÊÊÊ, MEU AMIGO CHARLIE

Um amigo meu encontrou conforto na religião católica depois que se descobriu HIV-positivo. Este amigo declarou nas redes sociais que ficou horrorizado com o atentado ao "Charlie Hebdo", MAS que não admite piadas com a religião de quem quer que seja. Nem à dele, que proíbe a camisinha que poderia ter evitado que ele se contaminasse... Tem até uma charge famosa do "Charlie" que mostra o papa consagrando um preservativo como se fosse uma hóstia. Hoje o próprio Francisco disse que não é Charlie, porque acha que nenhuma religião possa ser "ofendida". Que isto venha dele, zuzo bem - eu também não acredito que o Bergoglio seja esse encanto de liberal. Mas ele deu a senha para que muita gente soltasse também seus "mas". Gente para quem o Iluminismo ainda não chegou. Gentem! Toda religião tem algo de ridículo, porque toda religião quer exercer algum tipo de poder sobre seus fiéis - e não tem nada mais risível do que a sede de poder. Por isto, fiz questão de ilustrar este post com uma das capas mais escandalosas do pasquim francês. Também recomendo a todos a leitura do artigo que o escritor (e meu amigo) Bernardo Carvalho escreveu para o jornal "Libération" (désolé, está em francês). Para completar, baixe aqui a versão em pdf do histórico "Charlie Hebdo" desta semana. Não é delicioso pensar que os tiros dos terroristas saíram pela culatríssima? Que eles agora estão mortos, mas que o "Charlie Hebdo" está mais vivo e sacudido do que nunca?

33 comentários:

  1. Sendo ateu convicto há tanto tempo, ultimamente tenho sentido uma certa curiosidade sobre o conforto que se advém de adorar um Deus. Estou balançado entre Júpiter e Baco. Alguma sugestão?

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    1. Baco, é claro! Salve o deus da birita.

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    2. Da birita, das festas e do prazer também.

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    3. Luciano! Saudades dos seus textos!
      Abandonaste o Muque de Peão? Some não...

      Ricardo

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    4. Luciano, é tão bom conversar com Deus e sentir a sua presença.

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  2. Tony, é por posts como este que eu te adoro. Sério.

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  3. Claro, Tony, temos que ter o direito de rir das religiões, dos poderosos etc. Mas (eu falo por mim) esse caso do Charlie é salpicado de tudo que a hipocrisia humana pode ser capaz. Primeiro, cada um define liberdade de expressão como quiser. A França mesmo considera liberdade de expressão até que se fale mal de judeus (ex. o Deudonné. E ainda o editor-chefe demitido antes do Charb).
    Segundo, a cara de pau de vários ditadores ou presidentes que em seus países não respeitam a imprensa (Netanyahu, o Presidente da Turquia, o Rei da Jordania etc) fazerem passeata em Paris pela liberdade de expressão... É de vomitar de nojo.

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    1. Pois eu gostei mais desses sujeitos estarem lá em Paris do que da ausência da Dilma.

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    2. O cara que vc tah falando não brincou com o Deus dos judeus, e sim fez discurso de ódio contra uma minoria e apologia a assassinato.

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    3. A liberdade de expressão tem limites sim, porque pessoas tem direitos, mas não ideologias.

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    4. Vamu falar sério? Aqui a lista de líderes caminhando pela Liberdade de Expressão:

      1) Rei Abdullah, da Jordânia, que no ano passado sentenciou um jornalista palestino a 15 anos na prisão com trabalhos forçados

      2) Primeiro-Ministro Davutoglu, da Turquia, que prende mais jornalistas do que qualquer outro país no mundo

      3) Primeiro-Ministro Netanyahu, de Israel, cujas forças [armadas] mataram 7 jornalistas em Gaza no ano passado (ficando atrás apenas da Síria)

      4) Ministro das Relações Exteriores Shoukry, do Egito, que além de prender jornalistas da Al Jazeera, deteve também o jornalista Shawkan por cerca de 500 dias

      5) Ministro das Relações Exteriores Lavrov, da Rússia, que no ano passado prendeu um jornalista por “insultar um funcionário do governo”

      6) Ministro das Relações Exteriores Lamamra, da Argélia, que prendeu o jornalista Abdessami Abdelhai por 15 meses sem julgamento

      7) Ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes, que em 2013, manteve um jornalista incomunicável durante um mês

      8) Primeiro-Ministro Jomaa, da Tunísia, que recentemente prendeu o blogueiro Yassine Ayan por 3 anos, por ter “difamado o exército”

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    5. E no entanto eles estavam lá.

      Já a Dilma...

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    6. Então o que vale é aparecer, e não ser coerente...
      (Não estou defendendo a Dilma, tb não acho ela coerente)

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  4. Na mosca. Não aguento esse "sou contra assassinato, MAS..."...Se for para ninguém se ofender "ever", então não se escreve mais sobre religião, política, sexo, futebol, etc...A verdade de um é a ofensa do outro, e temos que conviver com isso, civilizadamente.

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  5. Super concordo. Eles criticavam as religiões como um todo. Tocava na ferida de todas elas. E eu não confundo fé com religião. Minha fé é o independente de qualquer religião. Por isso não me incomoda nem um pouco suas brincadeiras.

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  6. concordo com a danny, excelente post, tonyah =) <3

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  7. Tony, sua bicha má, aqui está a tradução do Bernardo Carvalho: http://blogdacotovia.blogspot.com.br/2015/01/le-paradis-des-cons.html

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    1. O que saiu no jornal foi uma tradução para o francês, ou seja, ele escreveu o texto originalmente em português.

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    2. O Bernardo é o da Revista Piauí? O Filho da Mãe é bom?

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    3. Sim, ele mesmo. E o Filho da Mãe é muito bom.

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  8. O que tenho notado é que muitos dos que defendem agora a tal liberdade de expressão há pouco queriam a cassação do Bolsonaro pelas merdas que ele fala.

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    1. Não vou dizer que há um "limite" pra liverdade de expressão. Mas as merdas do Bolsonaro são, como você mesmo disse, merdas: em muitos momentos não passa de discurso de ódio.

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    2. Péra. Decidam-se: ou pode falar tudo, sem "mas" relativador ou pode falar tudo desde que não ofenda ninguém. Nada justifica assassinato, óbvio, mas quando fala-se que o Charlie tem liberdade para desrespeitar tudo e todos, abre o precedente para que a liberdade de expressão do Bolsonaro e do Malafaia também tem que ser respeitada mesmo quando ofende os gays. Não existe dois pesos e duas medidas. Ou as regras só valem quando não nos prejudica?

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    3. Eles podem falar o que quiser, sim; e nós temos o direito da réplica, de processos, boicote ou simplesmente ignorar. Mas não podemos censurar, e acho que isso vale pra tudo...

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  9. Quero ver a reação das gueis libertárias diante a próxima declaração homofóbica de alguém no Brasil.

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    1. Assim como escrevi antes: discurso de ódio não tem nada a ver com liberdade de expressão. Acorda!

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    2. Exatamente.... O Charlie Hebdo falava de religião no aspecto geral... Ele não defendia apedrejamento de muçulmanos... O que Bolsonaro diz e incita é um ódio latente contra os gays... E querem tirar direitos que a gente apenas quer igual aos héteros, como por exemplo andar sem sem apedrejado... ou casar e adotar crianças... Entendeu anônimo?

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  10. Tony, sigo amando muito seus posts sobre o Charlie Hebdo.

    Recomendo pra você a coluna do Contardo.
    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/contardocalligaris/2015/01/1575013-por-que-eu-sou-charlie.shtml

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  11. "Gente para quem o Iluminismo ainda não chegou." adorei!!

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    1. Nem precisamos dessa frescura francesa. Nós temos o Ilulaminismo.

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  12. Não gosto muito do Demétrio Magnoli, mas ele falou uma coisa muito pertinente anteontem na Globo News: sobre que as pessoas precisam parar de achar que o Charlie Hebdo tem algum tipo de culpa pelos atentados, pois, segundo ele, atacaram o prédio não pelo que o Charlie Hebdo faz, e sim pelo que o Charlie Hebdo é! E deu o exemplo do ataque ao mercado kosher: esse atentados aconteceram pelo fato de os judeus serem judeus. Isto é, terrorismo movido pela intolerância, pelo ódio gratuito, pela ignorância.

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  13. Na boa, os únicos culpados do ataque terroristas, foram os próprios terroristas, já que as charges foram feitas na França e para a França, meus pêsames pelos cartunistas que morreram, MAS... convenhamos, cartunistas geralmente são, geralmente, uns escrotos em vida, que acham que liberdade de expressão não tem limite.

    A pessoa tem o direito e falar o que quiser e qualquer coisa, Deus, ateísmo agnosticismo, qualquer coisa, só tem um porém: vai ter que também aguentar o que os outros têm a dizer e também tem que saber que os outros vão se expressar de formas diferentes de você, alguns até agressivamente, então.

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  14. O conceito de "ofender a religião" só se aplica a quem segue a religião. Católicos não podem falar mal de Jesus, judeus não podem comer carne de porco e assim por diante. Eles escolheram respeitar essas coisas, e quando não respeitam estão ofendendo. Quem não segue estes preceitos não está "ofendendo" coisa nenhuma, porque Jesus não existe e pernil assado é uma delícia.

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