quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

DESPOSSUÍDA

Foi a posse presidencial mais brochante desde a redemocratização do Brasil. A própria Dilma parecia estar contrariada. Seu cenho franzido quase que em tempo integral talvez seja um sinal de que ela nem se preocupa mais em aparentar simpatia, já que não pode mais ser reeleita. Esta é sua cara default. Também estava bem murcho o vestido da posse. De perto, dava para ver que a renda já estava desfiando. De longe, o modelito alargava ainda mais as ancas colossais da presidenta, dando-lhe um aspecto inequívoco de bujão de gás com capinha. Mas o que realmente impressionou foi a falta de entusiasmo de todos os presentes, inclusive dos populares na rua. Um contraste total com a primeira posse de Lula, doze anos atrás, quando o país delirava por ter um ex-operário no poder. Agora está todo mundo exausto. O Brasil perdeu a chance de virar uma página em 2014, mas também é justo que o ônus da correção da economia caia nas mãos de quem a escangalhou. Será que Dilma, sempre dona de verdade, vai deixar Joaquim Levy trabalhar? O que será que ela acha do próprio ministério? A presidenta continua sendo um enigma. Parece uma pessoa honrada, mas não é possível que ignorasse totalmente os desvios da Petrobrás. É genuinamente interessada em combater a desigualdade, mas adota medidas que funcionam a curto prazo e agravam os problemas a médio. Um conjunto de circunstâncias fortuitas levou a ministra durona sem nenhuma base política para o posto mais alto da república, mas ela se revelou menor do que as exigências do cargo. Sua campanha inescrupulosa teve sucesso e ela ganhou mais quatro anos em Brasília, mas está começando-os no maior baixo astral. Seu discurso foi insípido e sem surpresas, bem diferente do que proferiu no dia da vitória. Claro que eu estou torcendo para que o lema "Brasil, Pátria Educadora" se torne realidade, e que Dilma consiga fazer algum tipo de reforma política. Mas não ponho muita fé. Ela já nos decepcionou antes, e não vejo por que não irá decepcionar novamente.

20 comentários:

  1. Aliás, até o PT parece demonstrar que não vingará em 2018.

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    1. Em 2018 acho que o PT não consegue emplacar nem o candidato no segundo turno, os grandes quadros do partido em sua maioria caíram com o mensalão ou outros escândalos. Se o Aécio aparecer no senado e fizer uma oposição consistente terá grandes chances de vencer.

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    2. Aecio já se queimou com a teimosia de continuar esperneando até 2 meses depois de perder a eleicao. Ja é mais que claro que Alckmin sera o candidato do PSDB em 2018. Estamos mesmo fudidos.

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    3. Eu também acho que o PT não leva em 2018. Como a Bíblia diz, esfriou-se o primeiro amor. O partido não empolga mais. Lula foi bem na economia e criou a nova classe C porque o cenário era favorável. Mas os próximos 4 anos serão de sufoco. E, depois das mudanças na previdência e nos direitos trabalhistas, duvido muito que os trabalhadores se sintam representados.

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    4. O medo é o PSDB vir com outro cocô mole tipo Laércio ou a crente-falsa do mato se apresentar como salvadora da pátria e o país acabar indo parar nas mãos de um Sarney da vida... Se for para isso, prefiro até Haddad em 2018.

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  2. Será um segundo mandato muito difícil pra madrinha de casamento da Kátia Abreu, quer dizer a presidenta Dilma. Por mais bem intencionada, fez escolhas equivocadas como esse ministério que não agradou direita nem esquerda, além de despreparada e refém do PT e PMDB.

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  3. O discurso foi tão chato que fiquei imaginando como seria a posse se, improvavelmente, Lu Genro tivesse sido eleita. Pensei na gauchinha de cachos dourados metendo o pau em todo o Congresso e suas solenidades vazias, enquanto decretava o inicio da tão esperada Ditadura Gay.

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  4. Tony Constantino, como você é uma bixa má quando fala da falta de estilo da presidenta rsrs. Eu concordo que ela não tem charme algum, mas essa capa de botijão ilustrando o post colocou você na categoria Miranda Priestly.
    Eu também não vi entusiasmo na Dilma, mas não acho que o povo estava entediado. Gostei do discurso dela e torço muito para que o Brasil seja mesmo o país da educação. E o país de todos, que todos merecemos, não somente alguns.
    Tem gente que não virou a página das eleições. Gostando ou não da Dilma, ela é a presidenta, e isso --- se não houver golpe de impeachment --- só mudará em 2018. Já tentaram desqualificar a vitória de todos os modos, mas choro de perdedor não muda o resultado do campeonato. A maioria decidiu não virar a página em 2014, mas acho que todos deveriam torcer para as coisas dar certo. Esse seu pessimismo enrustido é broxante: "ela tem boas intenções, ela parece honesta, eu espero que dê certo, mas eu sei que não vai dar certo".
    A reforma política é luta da sociedade e dever do Legislativo. Mas por que eles vão mudar o que está de bom tamanho para eles?
    Por fim, a campanha inescrupulosa de 2014 é um conceito difícil de deglutir. Parece que a sujeira veio de um lado só, e quem viveu sabe que não foi bem assim.



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    1. Tal 'golpe de impeachment' só existe na cabeça de petistas, pois golpe é uma coisa não prevista na Constituição e impeachment é parte integrante dessa - e, quando usado contra o Collor, deixou o PT todo em orgasmos múltiplos -.

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    2. O vestido da Dilma era transparente e cor da pele - nude, com se diz em inglês - e os sapatos dourados, adequado o traje para um programa de dondoca - coquetel, casamento fino, jantar à luz de velas -. Nunca para a posse na presidência de um país cheio de problemas dramáticos. E o modelito botijão parecia ter sido rasgado por um petista mais exaltado.
      Mas o Oscar de cafonice foi para a senadora e ministra Katia Abreu, fantasiada de repolho abacate com tomates-cereja.

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    3. Anônimo das 02:24, vc ainda foi mais Miranda que o Tony. Mas, como eu já disse, ela não tem charme algum. Kátia Abreu, idem.
      Anônimo das 02:07, o impeachment é golpe sim, se não houver fundamentos legais para pedi-lo. E, nesse momento, não há elementos que justifiquem um impeachment. "Achismo" (tipo: eu acho que ela é culpada) não prova nada. O impeachment é previsto na Constituição, o golpe é arma dos maus perdedores.
      E, quando Collor foi deposto, eu tinha 8 anos.

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  5. E ela confirmou o pastor evangélico como Ministro do Esporte.

    Adiós para siempre Olimpiadas....

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  6. 2018 é Marina Silva. O PSDB nao aprendeu que quem vota na direita, ja vota nele. O partido esta com um perfil cada vez mais conservador, e pouco atrativo para quem não tem tanta ligação com este espectro. Não vi um pio sobre o ataque aos votos do nordeste, sinal de certa condescendência com a situação.

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    1. Marina silva??? Kkkkkkkkkk...

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  7. Eu sinceramente não entendi o Aécio e seus seguidores falando mal da Dilma quando ela anunciou o arrocho nos benefícios previdenciários...mais do que certo limitar o auxílio-desemprego e outras benesses. Não entendo esse tipo de comportamento: na hora em que o governo acerta, a oposição faz cara feia?

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    1. Joãozinho, você tinha fumado muito e não entendeu o texto da notícia: o Aécio não foi contra a iniciativa, jamais, ele protestou por ser a Dilma falsa e mentirosa e ter vociferado na campanha que ele é que iria fazer isso e nunca ela - 'nem que a vaca tossisse!' -.

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    2. O Aécio é página virada, até a Veja lhe dando nota zero mostra que desistiu dele. 2018 deve ser Alckmin, e acho que ele tem boas chances de ganhar. Se ele fizer um excelente governo em SP -- e torço muito para que faça -- ele deverá ter uns 75% de votos no estado. E isso já deve garantir a vitória dele.
      Do PSDB o Alckmin, apesar de ser apagado, é uma das melhores chances de vencer. Quando candidato a governador em SP, todas as pesquisas apontavam-no campeão em primeiro turno. Assisti a todos os debates, e o que mais vi foi humildade. O Aécio com aquele ar de deboche e risinho eterno nunca vai ser presidente. Nunca.

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    3. Picolé de chuchu? vai ter que suar a camisa para ter gosto.

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  8. 2018 já tem dono: será da oposição!
    que oposição? ai é que mora a questão: Dilma ficará cada vez mais isolada, com seu jeito ditador e antipático, e o PT, que não está nada satisfeito com ela, já está se montando como oposição a Dilma.
    é uma manobra que seria absurda se não viesse do PT, que tem uma legião de seguidores cegos que acreditam em qualquer cosia...
    a próxima eleição vai ser lula(ou quem ele indicar) versus Dilma( o seu fantasma: o seu péssimo segundo governo).
    dirá lula: "ela se separou do PT, ela não foi PT nesses 4 anos. vamos recuperar o poder e trazer de volta o PT que o povo gosta e sonha ver de novo no poder..."
    que vontade de vomitar....

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