sábado, 17 de janeiro de 2015

CAMINANTE, NO HAY CAMINO


Tenho dois amigos que estão faazendo o Caminho de Santiago neste exato momento. Ela é de família judia, e nenhum dos dois é especialmente religioso. Mesmo assim, eles estão enfrentando com garbo a mais famosa peregrinação da cristandade, em busca de Deus ou de si mesmos - o que talvez no fundo sejam a mesma coisa. Nunca fiz nada parecido, mas entendo perfeitamente e até tenho vontade de fazer também (se bem que com alguns eunucos para carregar a bagagem e as garrafas de Evian). Por tudo isto fiquei curioso para ver "Livre", o filme que deu indicações ao Oscar para Reese Witherspoon e Laura Dern. Reese faz uma mulher em crise que, depois da morte da mãe, do vício em drogas e em sexo anônimo e de um divórcio, parte sozinha para a Pacific Crest Trail, uma trilha de mais de mil quilômetros que atravessa os três estados do oeste americano. Não acontece muita coisa além dos incidentes esperados e de alguns flashbacks, que não chegam a elucidar as causas da angústia da personagem. Mas o diretor canadense Jean-Marc Vallée (do ótimo "Clube de Compras de Dallas", do ano passado) consegue transformar esta árdua caminhada numa jornada de iniciação. Baseado numa história real, "Livre" é um filme diferente do que costuma se produzir em Hollywood, e não vai agradar a quem só gosta de história com começo, meio e fim. Para apreciá-lo, é preciso entrar no cinema como quem começa um viagem sem rumo definido: pronto para o que der e vier, porque chegar lá é o que menos importa.

3 comentários:

  1. gostei da definição de iniciado, sem mais

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  2. Foi assim que fui ver, sem esperar muito, apenas pra preencher minha ultima tarde de ferias do trabalho.
    Gostei muito do filme e da simplicidade dele, não sei se a Reese merece Oscar por isso, mas o filme é ótimo. Tem que entrar na sala sem estar esperando um blockbuster, pq senão vc vai perder a mensagem e uma certa profundidade, as melhores coisas do filme.

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  3. Eunucos eram ou, nesse mundo doido, talvez ainda sejam usados para guardar os haréns femininos. E, tendendo à obesidade, só devem carregar pesos leves. Melhor reconsiderar.

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