terça-feira, 6 de janeiro de 2015

AS CAPITANIAS NÃO-EXTINTAS

É impressionante como a mentalidade brasileira ainda vive no tempo das capitanias hereditárias. Adoramos um cartório, uma reserva de mercado, um privilégio que passe de pai para filho. Agora que se está questionando a real necessidade dos carros terem um extintor de incêndio, todo mundo está lembrando de uma obrigatoriedade que, felizmente, não colou: a dos kits de primeiros socorros, desmascarada a tempo como apenas um esquema para propiciar lucros a alguns poucos. Lembro de outro caso semelhante: quando se renovaram os quiosques da praia de Copacabana, alguém - um deputado, um vereador, um fodão qualquer - tentou garantir para si mesmo o monopólio do fornecimento de bebidas e comidas. Todos os quiosques teriam que servir as mesmíssimas coisas, compradas da empresa do sujeito, para não haver "concorrência desleal" entre eles. Era tão descarado que não deu nem para a saída. Hoje os quiosques são variadíssimos, e é assim que tem que ser. Vamos ver se a indignação provocada pela revelação de que poucos países exigem extintores nos carros nos livra de mais esse achaque ao nosso bolso.

7 comentários:

  1. Ptralhas se manifestando em 3, 2, 1...

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  2. Eu também não entendo algumas obrigatoriedades tolas que o governo nos impõe. Quando aparecem, sempre penso que é uma forma de beneficiar alguém. Na minha cidade, em plena crise do tomate-ouro, o prefeito baixou uma norma, pensando no bem estar das crianças, praticamente obrigando o aumento de legumes e verduras na merenda escolar. Adivinhem qual foi o alimento mais comprado? Tomate. O principal fornecedor era aparentado do prefeito.
    Por que o Denatran não fez campanha publicitária explicando o porquê da adoção da medida e dando tempo para que a gente comprasse o objeto? O maior erro é dizer que tem que trocar o extintor, mas não explicar à maioria da população o porquê.

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    1. Porque não dá para explicar o inexplicável...Simples.

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  3. E pior que falando com algumas pessoas sobre isso, notei que a maioria acha importante ter o extintor, sempre contam algum episódio em que alguém apagou algum começo de incêndio em carro que poderia ter se tornado "uma tragédia".

    Eu pontuei que no máximo se consegue salvar o carro, jamais uma vida, porque se vc tem tempo pra sacar um extintor, vc tem tempo pra tirar todo mundo do carro. Ainda que exista um ou outro caso em que se salvou vidas, é claro que é a exceção.

    A loucura nisso tudo é que somo o país com as maiores taxas de acidentes e mortes no trânsito, e estamos debatendo extintor de incêndio!

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  4. Junte nessa mentalidade de colonia o amor a cargos públicos...

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  5. Isso me cheira a tomada de 3 pinos esdrúxula usada só no Brasil.......
    ou seja, cheira mal, muito mal.

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