segunda-feira, 31 de março de 2014

UP YOUR PEE STREAM

Pronto, o Brasil já está outra vez em polvorosa. A nova ofensa à honra nacional é o episódio dos Simpsons exibido ontem nos EUA, onde eles jantam no Figueira Rubayat (adorei a vista impossível de São Paulo) e Homer apita a final da Copa do Mundo. Algumas coisas são ofensivas mesmo: o logo da fictícia "Air Brasilia" é um macaco, e quem foi que disse que o Brasil precisa roubar para ganhar da Alemanha? Mas a piada com o temível peixe candiru da Amazônia é engraçada.

SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA: O episódio dos Simpsons na Copa pode ser visto na íntegra aqui. Mas ignore as legendas em português, estão péssimas.

50 ANOS ESTA NOITE

É interessante ler na imprensa e, principalmente, nas redes sociais, como algumas pessoas têm uma visão homogênea do regime militar instaurado no Brasil depois do golpe de 1964. Tem gente que acha que foi, literalmente, a salvação da pátria, e que de modo geral éramos muito mais felizes e seguros sob a tutela dos milicos, esses paladinos anticorrupção. Também tem gente que acha que o Brasil mergulhou na mais profunda treva ditatorial e de lá só saiu em 1985, ou quem sabe em 2002, quando Lula foi eleito presidente pela primeira vez. Algumas dessas pessoas nem eram nascidas durante o governo Figueiredo, então é mais um ouvir falar do que uma experiência vivida na própria pele. Bom, eu já tinha três anos de idade quando Jango caiu, e só fui votar para presidente com quase 29. Não participei da luta armada nem do movimento estudantil, mas sofri com a censura e fui a várias passeatas pelas Diretas-Já. Mesmo com tanta repressão, ou talvez até por causa dela, a cultura brasileira dos anos de chumbo viveu um período de efervescência que não tem comparação ao semi-marasmo de hoje. A verdade é que o golpe não pode ser analisado sem levar em conta o contexto da época. Cuba havia virado comunista poucos anos antes, e os próprios comunistas gostavam de espalhar que o mundo inteiro se comunizaria mais cedo ou mais tarde. O medo do comunismo era real, e bastante justificável: já se sabia então do Gulag e dos horrores do stalinismo. Mas, como bem apontou FHC, a reação à guerrilha foi brutalmente desproporcional. A meia-dúzia de gatos pingados que pegou em armas foi dizimada com uma violência absurda, gerando mártires e feridas jamais cicatrizadas. Hoje as Forças Armadas nos envergonham ao não admitir os erros do passado, mas isto não quer dizer que a luta da extrema esquerda fosse justa e popular. Pelo menos de uma coisa estou convicto: apesar das marchas com a família e do ressurgimento da direita raivosa, não há a menor condição para uma ruptura institucional. O Brasil não é mais o mesmo, e está mesmo melhor. Só um pouco, mas está.

domingo, 30 de março de 2014

MESA DAS CRIANÇAS

Não é só no Brasil que estão pululando na internet trupes de comédia como o Porta dos Fundos. Nos Estados Unidos também, apesar de ninguém estar conseguindo milhões de visualizações como os nossos compatriotas. Mas alguns são bem engraçados, como a personagem Oversharer, uma mulher que revela detalhes íntimos de si mesma para qualquer pessoa que encontra na rua. Ou os três garotos do Kid's Table, cujo esquete de maior sucesso pode ser visto aí em cima. E não, eles não são gays em todos os vídeos: só são modernos.

NÃO QUERO QUE DESENHE

Animação é legal demais para ser exclusividade das crianças. Nem por isto toda animação para adultos consegue ser legal. "O Congesso Futurista", por exemplo, é um tremendo equívoco. O filme simplesmente não tem um ponto de vista. Ou melhor, tem vários: o foco da história muda o tempo todo, levando à conclusão de que o diretor israelense Ari Folman não tinha nada a dizer. E olha que ele surgiu no cenário internacional com o inovador "Valsa com Bashir", um documentário animado sobre os massacres em campos de refugiados no Líbano que foi indicado ao Oscar. O começo desse "Congresso" até promete: a atriz Robin Wright (de "House of Cards"), fazendo uma versão mais trágica de si mesma, recebe uma oferta tentadora de um estúdio de cinema. Se ela permitir que façam uma cópia digital de si mesma para ser usada em filmes rasgadamente comerciais, entrará numa bolada e poderá cuidar do filho doente. Toda essa parte inicial é interessante, apesar do ritmo devagar-quase-parando. Mas aí a trama dá um salto de vinte anos para o futuro, e Robin vai a um inexplicável congresso onde todo mundo é desenho animado. Inclusive ela, depois de tomar uma poção mágica. DETESTO o recurso barato da poção mágica: só Alice no País dos Maravilhas e Asterix tem permissão para usá-lo. E o que vem em seguida é sem pé nem cabeça, apesar do visual delirante. A certa altura Robin cai numa espécie de paraíso virtual onde todo mundo pode ser o que é, ou o que gostaria de ser: Jesus, Buda, Frida Kahlo, Yoko Ono... Mas dura pouco, e antes do final voltamos ao "live action", agora em clima pós-apocalíptico. Também DETESTO qualquer coisa que cheire a pós-apocalipse, e portanto detestei o filme. Um congresso de periodontia deve ser mais divertido.

sábado, 29 de março de 2014

NINGUÉM MERECE

A gente acha que vive num país em franco desenvolvimento, que as coisas estão melhorando, e aí vem uma pesquisa que funciona como uma catarata de água fria. É horripilante saber que mais de 65% dos brasileiros concordam que "mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas". Então todas merecem? Porque o Brasil é hipócrita para caralho. Como é possível que o país que inventou o biquíni fio dental também ache justo punir quem o use? Claro, é o mesmo país onde a mulherada pode ir de bunda de fora à praia, mas ai daquela que fizer topless. Não surpreendentemente, o número de pessoas que jogam a culpa na mulher cresce entre os evangélicos, esses arautos da s trevas. A mesma pesquisa revela que a maioria dos brasileiros tolera casais do mesmo sexo, contanto que não demonstrem carinho em público. OK, já é um avanço. Mas notícias assim me enchem de desânimo. Ninguém merece viver na Idade Média.

sexta-feira, 28 de março de 2014

LAGARTIXA OITENTISTA

O vocalista da banda Neon Trees assumiu que é gay. Não que alguém estivesse na dúvida: inexiste um armário grande o suficiente para Tyler Glenn esconder sua viadagem. Seu estilo lagartixa não me agrada, mas sua música, sim. Tanto "Sleeping with a Friend" como a recém-lançada "I Love You (But I Hate Your Friends)" revelam uma curiosa obsessão com a amizade, e parecem ter sido gravadas em 1985. E não é que isto consegue ser bom e ruim ao mesmo tempo?

MATA-LEÃO

Inacreditável. Aconteceu de novo, e ainda pior. Pouco mais de um mês deppis de ter abatido uma girafa perfeitamente saudável, o zoológico de Copenhagen exterminou uma família inteira de leões: papai, mamãe e dois filhinhos. A justificativa é que um novo leão macho vai chegar, e ele poderia matar o leão velho e os bebês. Então, para evitar essa mortandade, mataram todo mundo antes. Vem cá, esse pessoal nunca ouviu falar em muro? A direção do zoo alega que nenhuma outra instituição quis receber os bichos condenados, e que havia o perigo de cruzamentos intrafamiliares entre os leões. A associação europeia de zoológicos alega que o de Copenhagen não infringiu nenhuma regra, e que o dever dos zoos é preservar espécies, não indivíduos. Faz todo sentido, mas, como eu já tinha dito antes, é péssimo para a imagem dos parques. Já está se formando nas redes sociais um movimento contra os zoológicos em geral, cheio de boas intenções mas totalmente desinformado. Atos como os do zoológico de Copenhagen, que parece ser dirigido como um campo de concentração, só dão munição a essa bobagem.

quinta-feira, 27 de março de 2014

MR. PUTO 2014

E não é que existe um Oscar para os michês? Os International Escort Awards (mais conhecidos como Hookies) são, aham, dados desde 2007, numa cerimônia em Nova York organizada pelo site Rentboy.com. A deste ano foi apresentada pelo ator Leslie Jordan (que fazia o Beverley em "Will & Grace"), teve show do rapper Cazwell e premiou várias caras conhecidas por quem aprecia o pornô gay. As categorias são de arrepiar, aham, os cabelos: melhor ativo, melhor pau, e por aí vai. Assista aqui ao vídeo que eu não consegui embedar. Será que os vencedores desejaram a paz mundial?

FUMAÇA VERDE

Terminei ontem de ver "Breaking Bad". Fizemos uma maratona não-planejada com os três últimos episódios, eu cada vez mais preocupado com o avançado da hora - mas simplesmente não conseguíamos parar de ver. E é mesmo tudo isto que dizem, ou seja, a melhor série dramática de todos os tempos. Nunca fui muito dos dramas na TV: sempre preferi as sitcoms. Mas a saga de Walter White me pegou porque é um novelão, um folhetim dos tempos que correm, além de ser quase perfeita em todos os quesitos. Roteiro, atores, direção, decupagem... Os ângulos em que colocam a câmera, um mais inacreditável do que o outro! E sempre um quadro limpo, imediatamente legível. Sem falar que é uma fábula moral, um estudo da capacidade humana para o mal, uma ópera seca como o ar do Novo México. Como muita gente, eu cheguei tarde ao programa. E como alguns, tive uma certa dificuldade em atravessar os primeiros capítulos. A história do professor de química com câncer terminal que resolve fabricar crystal meth para sustentar a família me pareceu sombria demais. Mas antes do final da primeira temporada eu já estava mais adicto que o Jesse. "Breaking Bad" é a grande obra prima da TV atual, maior até que "Game of Thrones". Deixe-se viciar.

quarta-feira, 26 de março de 2014

AVASSALADORAS A BORDO

A primeira vez que Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini contracenaram foi no filme "Avassaladoras", cujo roteiro final era meu. Só por causa disso tenho a magnífica pretensão de que eles são meus, e é com uma ponta de ciúme que os vejo repetindo a parceria na TV e no cinema. Os dois estão juntos novamente em "S.O.S. Mulheres ao Mar", a segunda comédia romântica brasileira a bordo de um navio em menos de seis meses (a outra foi "Meu Passado Me Condena", com Fábio Porchat). Claro que há semelhanças entre todos os filmes citados, mas o que interessa é que "S.O.S." é realmente divertido. Tem piadas ótimas, elenco afiado (ainda não sei se eu ri mais com Fabíula Nascimento ou Thalita Carauta) e locações glamurosas. Merece o dinheirão que está fazendo nas bilheterias. O que é ótimo sinal para mim, sabe por quê? Já estão rolando conversas sobre uma possível continuação de "Avassaladoras". Oremos.

MAIS LEVES QUE O AR

O capixaba Silva surgiu na cena pop brasileira há pouco mais de um ano, e na época eu achei que era a melhor coisa de todos os tempos daquela semana. O som do cara, cheio de teclados e mais leve que o ar, não se parecia com nada do que eu conhecia. O tempo passou e a novidade se esvaiu, mas Silva confirma que é mesmo grande com seu segundo disco. "Vista pro Mar" tem mais instrumentos tradicionais, o que faz com que parte da crítica chame o trabalho de mais "orgânico" - como se o violão acústico fosse um dos órgãos do corpo humano. Mas também é mais relaxado que o antecessor "Claridão", apesar de não conter um hit óbvio como "A Visita" ou "Mais Cedo". Mesmo assim, não há faixas fracas. Todas têm tom confessional e arranjos elaborados, e acho que minha favorita é "Okinawa", o dueto com Fernanda Takai. "Vista pro Mar" pode ser ouvido inteiro aqui. O Brasil nunca soou tão século 21.

A eletrônica delicada do Silva combina muito com a da dupla americana Ejecta (o nome se refere à lava vulcânica que se deposita no fundo do mar, olha só que misterioso). A diferença está no visual: a vocalista Leanne Macomber faz questão de aparecer nua em todo o material promocional do grupo (confira aqui o nu frontal na capa do single "It's Only Love", que também pode ser ouvido). Ela explica que é porque se expõe muito nas letras; vamos combinar que também é um excelente golpe de marketing. Mas o que importa é que o CD de estreia do Ejecta, "Dominae", é todinho bom, e pode ser comprado na iTunes Store brasileira. Pena que ainda não haja clipe.

terça-feira, 25 de março de 2014

UM PAÍS ADOLESCENTE

Hélio Schwartsman, colunista da "Folha", disse que o Brasil sofre de excesso de autoestima. É verdade: achamos que somos não o mais, mas o único povo bacana do mundo, e tiramos sarro dos gringos que não apresentam requisitos básicos como samba no pé. Em tempos de Copa, então, esse traço da nossa personalidade coletiva vai às alturas. A propaganda é uma das culpadas, produzindo pérolas como o comercial em que Neymar ensina turistas a se humilhar pedindo guaraná, ou o singelo slogan "tudo de bra para você". Mas esse orgulho transbordante é acompanhado por uma insegurança paradoxal. É o que mostra a gritaria em torno da matéria publicada na revista da FIFA com dicas para os torcedores que virão nos visitar. Não há nada ali que a gente possa chamar, em sã consciência, de preconceito ou de estereótipo. Ainda assim esperneamos, e conseguimos que a FIFA pedisse desculpas. Porque não passamos um país adolescente e cheio de espinhas.

WE COULD BELONG TOGETHER

Meus posts rasos e desinformados sobre política costumam provocar discussões acaloradas, mas o pau come mesmo é quando eu falo de Madonna ou Lady Gaga. Por isto não resisto a postar este vídeo que mostra uns lirôu das Filipinas entrando em transe ao ver o clipe de "G.U.Y." pela primeira vez. Quem mais tem a sensação de que as bibas asiáticas são as mais fechativas do planeta?

segunda-feira, 24 de março de 2014

MISÓGINO MAS NEM TANTO

Lars von Trier se redimiu. O diretor dinamarquês, famoso por humilhar e torturar suas heroínas, revela um inesperado flanco feminista no final de "Ninfomaníaca - vol. 2". Claro que antes ele submete Charlotte Gainsbourg a todo tipo de depravação. Há uma cena hilária dela com dois negões de pau duro e várias sequências de sadomasoquismo com Jamie Bell que parecem querer pré-esvaziar "50 Tons de Cinzas". Sim, dessa vez há o humor que faltava no primeiro filme. Também há um surpreendente (para von Trier) discurso pró-sexualidade feminina, além de um desfecho abrupto porém coerente com o que foi dito antes. No geral, este volume 2 é mais agitado e menos cabeça que seu antecessor. Mas fico com a sensação de que os dois filmes poderiam ter sido reunidos num só, com duas horas de duração. Aí sim teríamos um candidato a melhores do ano.

domingo, 23 de março de 2014

MARCHA À RÉ

Alguém tinha dúvida de que a versão reloaded da Marcha da Família com Deus ia ser um fiasco? Bastava olhar os trajetos previstos para São Paulo, bem curtinhos. Porque os velhinhos não aguentam muito, né, gente? Tinha um que queria a volta da ditadura porque, hoje em dia, "quando não há mais respeito", ele não pode impedir ninguém de entrar em seu restaurante de boné... Taí uma bela razão para voltar a ditadura, a censura e a tortura, néam? O Bolzonazi prestigiou a marcha carioca, mas pelo menos, deputado que é, disse não concordar com os pedidos de volta dos milicos. Fez melhor que as FFAA (meio boiola essa sigla para as Forças Armadas), que permaneceram quietinhas, quando deveriam soltar nota dizendo que não há a menor hipótese de golpe. A caserna brasileira já emitiu diversos sinais de que continua tão troglodita quanto o era 50 anos atrás, mas isto não chega a me preocupar. Esses gatos pingados que marcharam ontem não oferecem perigo, e estão exercendo seu direito democrático de reclamar. Direito, aliás, que eles mesmos querem suprimir para todo mundo.

DONA-DE-CASA

O clipe de "Applause" foi lançado em agosto do ano passado. Sabe por quê demorou tanto para sair um novo vídeo de Lady Gaga? Porque o que ela fez para "Do What U Want", junto com R. Kelly, foi arquivado por causa das cenas fortes demais. Sim, isto ainda acontece em 2014. Quem viu diz que há um momento em que o cantor segura uma garrafa na altura da virilha e despeja molho barbecue sobre o corpo da moça, que se contorce no chão... Essa ausência prolongada do YouTube ajuda a explicar o relativo fracasso de "Artpop" (não, não é um flop total, mas está longe das vendas de "The Fame Monster"). E esse relativo fracasso explica o vídeo de "G.U.Y.", que no começo inclui trechos de outras canções do disco. Passa a sensação de que não há dinheiro para que estas faixas ganhem clipes próprios, então vai tudo amontoado de qualquer jeito. Mas, para mim, grave mesmo é a ausência de novidades. Quantas vezes o mundo já não viu Gaga fantasiada de qualquer coisa em situações que não fazem o menor sentido? OK, dessa vez há o cenário esplendoroso da mansã Hearst e a participação especial das Real Housewives of Beverly Hills - significando exatamente o quê mesmo?

sábado, 22 de março de 2014

A VOZ DE DEUS

Freiras que cantam não são novidade. Velhinhos como eu se lembram bem da Irmã Sorriso, que conquistou o mundo nos anos 60 com a inescapável "Dominique" (e depois ela largou o hábito e virou lésbica e se matou, mas isto é uma outra história). Agora, quem já tinha visto uma freira competindo no "The Voice"? Foi o que aconteceu na versão italiana do programa, que conta em seu júri com a diva Raffaella Carrà. A serelepe irmã Cristina conseguiu com que os quatro jurados virassem suas cadeiras ao cantar "No One" da Alicia Keys. Sacrilégio? Não se a gente pensar que ela está se referindo a Deus na canção. A Susan Boyle-2014 já é a favorita do concurso. Sai quando o remix para as pistas?

KIM VOCÊ PENSA QUE É

Nunca trabalhei numa revista de moda, mas posso imaginar a tortura mental que deve ser a escolha de quem vai para a capa. A "Vogue" americana - talvez a mais poderosa do mundo no gênero - está levando uma sova virtual por ter colocado o chamado casal "Kimye", Kim Kardashian e Kanye West, para enfeitar seu último número. Kim é considerada a mais brega das bregas nos Estados Unidos, e só no ano passado foi convidada para o famoso baile de gala que a "Vogue" dá no Met, em Nova York. Sua presença na revista está provocando uma maré de cancelamento de assinaturas. Mas a própria "Vogue" já pôs Britney Spears e as Spice Girls na capa, não exatamente os paradigmas da elegância moderna. É uma linha fina a que separa os agitadores culturais dos realmente abomináveis, e o editor de uma revista precisa de muita experiência e sensibilidade para separar uns dos outros. Será que Anna Wintour pisou no tomate? Ou é só mais um sinal dos tempos?

sexta-feira, 21 de março de 2014

OS TRANSFORMERS DA BÍBLIA

Fui à pré-estreia de "Noé" no Rio de Janeiro e consegui ver o Russell Crowe durante uns 45 segundos, quando ele entrou na sala para dizer "enjoy the journey". Mas eu não consegui: o filme é péssimo. O diretor Darren Aronofsky achou que a história que está na Bíblia carecia de sexo, ação e monstros que lembram os Transformers. Foi buscar num antigo manuscrito judaico, o Livro de Enoch, o conceito dos guardiães - anjos caídos que, por punição divina, ficam presos à Terra. Assim soa lindo, mas o que se vê na tela são gigantescas aranhas de pedra com nomes que parecem fugidos do "Senhor dos Anéis", tais como Og ou Samyaza. Os efeitos especiais também desapontam. Parecem efeitos mesmo, aplicados na pós-produção, e os bichos renderizados simplesmente não convencem (e não venham me dizer que não dá para fazer animais realistas em CGI - lembram do tigre de "Pi"?). E porque, ó céus, temos que ter lutas sangrentas e cenas de batalha? Para agradar aos adolescentes que não vão ver o filme de qualquer jeito? "Noé" até engata uma discussão interessante mais para o final, quando o protagonista fica na dúvida se está realmente sabendo interpretar a vontade de Deus (que não aparece, graças a Ele). Mas este tema profundo é afogado por hectolitros de espiritualidade new age e clichês de Hollywood. Este é só o começo de um dilúvio de filmes com temas bíblicos. Já tem um Jesus novo pintando na área, e Moisés dará as caras no final do ano. Talvez seja a hora de construírmos uma arca.

quinta-feira, 20 de março de 2014

SEM REFINAMENTO

Outro dia eu disse aqui no blog que a Dilma até que é bem-intencionada, mas não é do ramo. Não sabe fazer política e não sabe administrar nada. Só ganhou fama de gerentona porque grita. Mas, como sussurrava a Miranda Priestley de "O Diabo Veste Prada", quem é competente não precisa gritar. Poucos dias depois, estoura o escândalo da refinaria que a Petrobras comprou por mais de um bilhão nos Estados Unidos, e as minhas palavras são confirmadas. A presidenta está dando um show de incompetência: fez cagada anos atrás, quando era ministra de Minas e Energia e votou pela compra, e fez cagada agora, ao escrever uma nota destemperada e piorando a própria situação. É bom lembrar que Dilma é o plano C de Lula: antes dela vinham Dirceu e Palocci, que, apesar das atitudes suspeitas, entendiam mais do riscado. Também é bom lembrar que ainda dá tempo de evitar sua reeleição.

BOUNCE BOUNCE BOUNCE

Atendendo a milhares de pedidos - OK, foram só três - aqui estão o novo vídeo da Adriane Galisteu  Kylie Minogue e o que eu achei dele. Não gostei. "Slow", de dez anos atrás, era muito melhor, tanto na música quanto nas imagens. "Sexercize" não tem um único mancebo que me agrade. Pode ser que eu esteja precisando de uma reposição hormonal, pode ser que meu barato seja outro. Aceitem.

quarta-feira, 19 de março de 2014

HUIS CLOS NA FAVELA

Depois de ganhar fama mundial com "Cidade de Deus"e gerar até paródias, o filme-favela caiu em desgraça. Faz tempo que não surge um bom exemplar do gênero e parece que tudo já foi feito antes (e melhor). estava com muita esperança de que
"Alemão" revertesses essa tendência. O argumento é ótimo, e na verdade poderia se passar em qualquer situação de guerra; a ligação com a tomada do Complexo do Alemão pelo exército em 2010 é quase que circunstancial. Quatro tiras infiltrados no morro são caguetados e se escondem numa pizzaria, onde se passam uns dois terços da ação. Mas, apesar do bom elenco e da tensão ininterrupta, o filme me decepcionou. Acho que por causa do roteiro, que traz situações mal resolvidas. E também por causa das imagens das manifestações contra a PM que acompanham os créditos finais. Entendo que quiseram atualizar a história, mas ficou meio cabotino passarem duas horas defendendo os policiais só para virarem a casaca antes do público sair o cinema.

MEU IRMÃO É F*#%

Não tenho a menor isenção para fazer uma crítica do livro que meu irmão Zico acaba de lançar, "MTV, Bota Essa P#@% Pra Funcionar!". Claro que isto não me impediu de fazê-la: foi publicada hoje, na minha coluna do F5. O fato é que o livro é mesmo muito bom. Claro que é parcial: afinal, trata-se de um relato em primeira pessoa, de um cara que entrou na emissora como tradutor e saiu (duas vezes!) como diretor de programação. Quem não viu nada do que o a MTV Brasil pôs no ar certamente vai boiar, mas não é a esse público que o livro se dirige - e sim aos órfãos de pelo menos duas gerações diferentes, que tiveram seu (bom) gosto formado pelos programas inovadores e pela atitude não-conformista do canal. Ziquinho foi intransigente muitas vezes, não cedeu às pressões do mercado e foi um excelente guardião da marca MTV. Seu livro é fundamental para entender a história recente da TV brasileira. Só isso.

terça-feira, 18 de março de 2014

UM BURACO NO OCEANO

O desaparecimento do avião da Malaysian Airlines é muito provavelmente uma tragédia (quem tem esperança de ainda encontrar alguém vivo?). Claro que isto não impede a gente de se divertir um pouco. Minha teoria favorita até hoje era que tudo não passa de uma campanha viral comemorando os 10 anos de "Lost". Mas aí eu topei com esta foto que Courtney Love publicou em sua página no Facebook. A ex-senhora Cobain e ex-vocalista do Hole simplesmente resolveu a charada, ao identificar em algum ponto do oceano o local exato da queda do jato. Afinal, como comentou um engrçadinho, quais são as chances de um Boeing cair bem ao lado de uma seta vermelha?

PÁSSARO DE FOGO

Conchita Wurst talvez não se encaixe em nenhum dos 52 gêneros que o Facebook oferece agora aos usuários. Ela foi anunciada em outubro passado como a representante da Áustria no Eurovision deste ano, e a música com que concorrerá acaba de ser divulgada. "Rise Like a Phoenix" soa como um daqueles temas de James Bond cantados por Shirley Bassey e tem letra pró-tolerância. Faltam quase dois meses para o festival, mas acho que já temos um vencedor.

segunda-feira, 17 de março de 2014

EU TAMBÉM SEI TIRAR O CAVACO DO PAU


Maria Alcina surgiu em 1972, no auge da ditadura militar, mas numa época em que a cultura brasileira era bem menos careta do que hoje. Não se parecia com nada: o vozeirão rouco, o carisma em cena e o visual espalhafatoso fizeram dela uma queridinha dos programas de TV. Era uma espécie de precursora nacional de Lady Gaga. O sucesso avassalador durou pouco, mas Alcina continua por aí, fazendo shows e gravando de vez em quando. Acaba de sair, com dois anos de atraso, o disco que comemora seus 40 anos de carreira: "De Normal Bastam os Outros". É animadérrimo, misturando marchinhas de carnaval, sambas antigos e novidades vanguardistas, sem um pingo de saudosismo. O melhor momento é o dueto com Ney Matogrosso em "Bigorrilho", possivelmente a música mais pornográfica de todos os tempos - sem nenhum palavrão, ela consegue suscitar imagens mentais muito mais perturbadoras do que qualquer coisa cantada por Tati Quebra-Barraco. Maria Alcina precisa voltar logo ao mainstream: ela ia arrasar no "Domingão do Faustão".

FREE TILLY

A rede de parques temáticos Sea World respirou aliviada quando "Blackfish" não foi indicado ao Oscar de melhor documentário. Uma indicação traria ainda mais atenção a um filme que aponta a insanidade de se manter orcas em cativeiro, para que elas participem de shows aquáticos. Os bichos simplesmente não servem para isto, haja vista a enorme quantidade de acidentes com treinadores ao longo dos últimos 40 anos. Alguns deles foram fatais, e pelo menos três podem ser creditados a Tilikum, um macho capturado já grandinho nas costas da Islândia no começo dos anos 80. O mais famoso aconteceu há quatro anos, quando a baleia arrancou o braço de sua treinadora diante de uma plateia apavorada. A moça morreu, e o Sea World respondeu a um processo trabalhista que acabou jogando toda a culpa na vítima. "Blackfish" entrevista dezenas de ex-funcionários do parque, e os métodos de captura e treinamento das orcas são mesmo de cortar a coração. O filme chegou a provocar uma queda na frequência dos diversos Sea World, e tomara que a moda pegue. Daqui a algumas décadas, a própria ideia de shows com animais selvagens vai parecer absurda. "Blackfish" está disponível no Netflix: quem gosta de bichos precisa ver.

domingo, 16 de março de 2014

PEGARAM PARA CRISTO

Ontem fui a uma matinê de "Jesus Cristo Superstar". Uma balbúrdia rolava na porta do teatro: eram uns 20 membros da TFP (inclusive alguns adolescentes) tocando instrumentos e repetindo um cantochão contra a peça. Foi a TFP, junto com alguns grupelhos da direita religiosa (e não a Igreja Católica) quem promoveu aquele abaixo-assinado que rolou na internet, reclamando do financiamento desta "blasfêmia" parcialmente com dinheiro público. Dizem que o que ofendeu essa turma foi o fato de Jesus aparecer sem camisa no cartaz, pois é notório que ele usava um discreto robe de chambre quando foi crucificado. A produção tentou dialogar: convidou alguns líderes para assistirem ao espetáculo, e eles não gostaram de Maria Madalena cantando "Eu Não sei Como Amá-lo", uma das canções mais famosas de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber, que sugere que a mais famosa das apóstolas sentia algo mais por Jesus (mas não ele por ela). Que sacrilégio, hein? Na verdade, "Jesus Cristo Superstar" é só uma versão dos anos 70 para as Paixões de Cristo mostradas durante a Semana Santa em Nova Jerusalém (que, apesar dos efeitos especiais, parou nos anos 20). Ao contrário do meu adorado "Godspell", o outro musical cristão surgido na mesma época, os ensinamentos de Jesus caem para segundo plano. Aqui o que importa é o julgamento, as chicotadas e a execução, como no filme de Mel Gibson. O elenco está todo excepcional, especialmente Igor Rickli no papel-título: quem só o conhecia como o vilãozinho de "flor do Caribe"vai se surpreender. Os figurinos ecléticos também funcionam bem, mas os cenários e a encenação passam frieza quando deveriam levar ao arrebatamento. Mas é uma montagem super profissional e que só confirma que o Brasil aprendeu a fazer grandes musicais. Quantos aos protestos, só servem para tornar a TFP ainda mais ridícula do que sempre foi. Se é pra fazer barulho, precisavam de um marqueteiro melhorzinho.

sábado, 15 de março de 2014

AO PÓ VOLTARÁS

Ainda não sei em quem vou votar para presidente, mas já sei em quem não vou votar. Não voto em Dilma: não votei nela em 2010, e seu governo, se não é um desastre, é simplesmente incompetente. Acho até que ela é bem intencionada, mas não é do ramo. Agora foi Aécio Neves quem pulverizou qualquer possibilidade de ganhar meu voto. Que história "aécia" de querer barrar pesquisas que liguem seu nome ao consumo de drogas? Não estou nem aí se ele cheira, fuma ou se pica. Mas mexeu com a internet, mexeu comigo. Será que vou de Eduardo Campos?

sexta-feira, 14 de março de 2014

PENSA RÁPIDO

A pergunta que não quer calar: será que foi tudo combinado antes, ou a sinapses de Sarah Jessica Parker são realmente mais velozes que as do resto da humanidade? Se bem que o mais interessante deste vídeo produzido pela Vogue americana é ver como é por dentro o "brownstone" da atriz em Nova York.

VOZES DA AMÉRICA


Sabe o que anda ocupando minhas trompas de Eustáquio? "After the Disco", o segundo álbum da dupla americana Broken Bells. Os caras se reúnem esporadicamente: um deles é o produtor Danger Mouse e o outro é James Mercer, guitarrista dos Shins. Juntos eles fazem algo que poderia ser classificado como "indie dance", que soa como o filho bastardo dos Bee Gees com os Smiths. Não, pera: isto sim seria do imenso caralho. Os Broken Bells são apenas legais.


Também vem dos Estados Unidos a cantora St. Vincent, que adotou este curioso nome artístico em homenagem ao hospital onde morreu o poeta Dylan Thomas. O clipe de "Digital Witness"aí em cima é bacaninha, e quem se inscrever no site da moça pode baixar o single "Birth in Reverse". Mas minha faixa favorita de seu quarto disco, chamado apenas de "St. Vincent", é "Prince Johnny". A música dela não é de grudar no ouvido, mas prestando atenção fica bom.


E agora que os americanos finalmente descobriram a eletrônica, ninguém segura. Toda semana aparece novidade. Uma delas é o Phantogram, formado por dois amigos de longa data (não namorados), Josh Carter e Sarah Barthel. O som deles mistura muita guitarra aos habituais teclados do gênero. Se eu ouvisse essa descrição acho que não ficaria interessado, mas não é que me encantei por "Fall in Love"? Ah, como é bom manter os ouvidos abertos.

quinta-feira, 13 de março de 2014

REPLAY

Aconteceu de novo: um vídeo com rapazes se pegando num canto escuro caiu na rede, provocando risinhos e reprimendas da Liga das Bichas Católicas. Dessa vez as imagens foram gravadas durante uma das muitas festas que rolaram em Florianópolis durante o carnaval. Todo mundo quer ver, todo mundo quer apontar o dedo, todo mundo quer bancar o superior moral. O episódio é um remix do que aconteceu alguns anos atrás, e revela não só a escrotidão de quem gravou como também a de quem assiste para criticar. Enquanto continuarmos desunidos desse jeito, os homofóbicos vão deitar e rolar.

TRABALHO MANUAL

Lembra do "First Kiss"? Lá vai o "First Handjob". Je t'aime, internet.

LEAVE CHRIS ALONE!

Já se passaram mais de seis anos, mas quem é que não se lembra do épico vídeo "Leave Britney Alone"? Pois é: a bibinha que estrelava aquele lamento pró-Neide cresceu e agora é ator pornô gay, o que só confirma que algumas pessoas realmente fazem qualquer coisa para aparecer. Chris Crocker, por incrível que pareça, é ativo, e manda ver em seu ex-namorado Justin Dean, que consegue a proeza de ser ainda mais afeminado. Claro que você quer ver a cena, né, seu safadjeenho? Então clique aqui - mas pelo amor de Deus, não clique no trabalho. Depois não diga que eu não avisei.

quarta-feira, 12 de março de 2014

O VELHO E O MAR

Estava muito curioso para ver "Até o Fim". Robert Redford faz um personagem sem nome que veleja sozinho pelo oceano Índico; um container abalroa seu barco e daí para a frente os desastres vão se acumulando. Só faltou um tigre pular para dentro do bote salva-vidas. Não há diálogos, só uma carta lida em off logo no começo e algumas exclamações como "God" ou "fuck". Mas eu confesso que me senti meio ludibriado. Não posso falar mais nada para não soltar um spoiler: só que Redford está soberbo, e ainda bonitaço aos 77 anos de idade. Aliás, é impressionante o trabalho tanto dele como ator como do pessoal da maquiagem., pois é visível o envelhecimento do personagem ao longo dos oito dias que dura a história. O filme de J. C. Chandor é virtuoso, mas não há acrobacias de câmera à la Alfonso Cuarón nem um visual deslumbrante como o de "As Aventuras de Pi" (aqui o céu está quase sempre cinzento). "Até o Fim" é quase um sofrimento de se assistir, mas quem gostar de filmes fora da curva não deve perder. Ou melhor, deve correr: com uma mísera indicação ao Oscar (de edição de som) e tema árduo, não vai ficar muito tempo em cartaz.

I DID IT MYSELFIE

Alguém ainda tem saco para o selfie que Ellen DeGeneres e seus amigos tiraram nos Oscars? Eu tenho, tanto que ele é o assunto de hoje da minha coluna no F5. A imagem mais reproduzida de 2014 até agora já ganhou versões Simpsons, Lego e Muppets, além de incontáveis apropriações (como a foto do meu perfil no Facebook, hehe). Agora surgiu uma variante feita à mão, no que eu suspeito que seja uma ação de propaganda dos lápis Prismacolor. Porque a façanha nem é tão prodigiosa: a artista está trabalhando sobre um decalque do original, e a edição acelerada passa uma sensação falsa de facilidade. Mas ainda assim é legal.

terça-feira, 11 de março de 2014

WINTER IS COMING

Hoje assisti a uma palestra interessantíssima com Gideon Raff, o criador de "Homeland", e Daniel Weiss, um dos responsáveis por "Game of Thrones". O primeiro contou muito sobre as diferenças entre o original israelense ("Prisioneiro de Guerra", que ele também criou) e o remake americano. Em Israel, por exemplo, não há a personagem da Clare Danes, e o drama é muito focado nas dificuldades de adaptação dos recém-libertados: a mulher de um deles, se casou com o cunhado, veja só que saia justa quando o marido reaparece. Mas o que eu queria saber mesmo era quem morre na quarta temporada de "GoT" (talvez todo mundo). Já está tudo rodado, e neste momento os roteiristas terminam os episódios da quinta. Também perguntei se eles não correm o risco de ficar sem assunto, já que o autor George R. Martin ainda não lançou o quinto e o sexto volumes da série. Enfim, fui um chato, mas é que eu estou doidinho para reencontrar Cersei, Danaerys e companhia. Claro que a capa da nova "Vanity Fair"(e seu making of) ajudaram a aquecer minh'alma.

STRANGERS IN THE NIGHT

O viral do dia é este vídeo que mostra dez casais de estranhos (gays e héteros) se beijando pela primeira vez. Nada que comova muito a bicharada, acostumada nas boates a beijar primeiro e perguntar o nome depois. Mas o divertido mesmo não são os beijos em si, iguais a milhões que vemos nas ruas e no cinema, mas o antes e o depois. Os beijoqueiros estão evidentemente a fim de beijar moointo, mas ficam meio sem graça de se verem confrontados com o próprio desejo na frente de uma equipe de filmagem. Mas só meio sem graça, como dá para ver.

ATUALIZAÇÃO: Caí feito um patinho. O vídeo é patrocinado pela Wren, uma marca de roupas. Até aí zuzo bem (o nome até aparece no começo). Só que os beijoqueiros são todos modelos e atores pagos. Quebrou-se o encanto. V. s. f.

segunda-feira, 10 de março de 2014

DESTA PARA MELHOR

Estou chocado com a qualidade dos roteitos da quarta e última temporada de "The Big C". A série sempre teve um tema delicado: a protagonista está na fase terminal de um câncer (o big do título). E sempre foi meio irregular, misturando momentos sublimes com outros absolutamente tolos. Mas esta reta final está sendo irretocável. Foi exibida em quatro capítulos de uma hora e chamada de minissérie ("Hereafter", além) nos Estados Unidos, mas aqui a HBO dividiu-a em oito de meia hora. Melhor assim: o impacto emocional é absorvido com mais facilidade. Sim, porque já está mais do que óbvio o que vai acontecer com a personagem, e ainda assim existem cenas engraçadas. Sem abrir mão do medo e da raiva, e sem jamais cair na pieguice. Laura Linney nunca esteve tão bem, e olha que no caso dela isto quer dizer muito. Faltam só três capítulos para "The Big C" passar desta para melhor, mas ainda está tudo disponível no Now. Coragem, ainda dá tempo.

TOMARA QUE CAIA

Les Beaux Frères não são irmãos, mas sim uma dupla de acrobatas canadenses que está virando sucesso mundial graças ao vídeo acima. Tem mais aqui, no site dos rapazes, mas já vou avisando: eles estão vestidos em seus outros números.

domingo, 9 de março de 2014

A MEGERA DOMADA

P. L. Travers não queria que a adaptação cinematográfica de seu livro "Mary Poppins" tivesse animação, canções ou Dick Van Dyke. O filme, como se sabe, tem tudo isso. É o que basta para a gente desconfiar que a escritora talvez não fosse tão intratável como é mostrada em "Walt nos Bastidores de Mary Poppins" (o título em português é longo e óbvio, mas mais comercial do que o misterioso "Saving Mr. Banks"original). A verdade é que o verdadeiro Walt passou um único dia na companhia da sra. Travers, como ela insistia em ser chamada. Jamais levou-a para andar de carrossel na Disneylândia, muito menos seguiu-a até Londres para implorar que assinasse um contrato de cessão de direitos. Mas esses desvios da realidade não foram suficientes para fazer um bom filme. Emma Thompson beira a caricatura no papel principal, e Tom Hanks - mais gordo e bonachão do que de costume - faz um Walt que é só charme e simpatia, sem o lado sombrio que os biógrafos destacam. Pudera: o que vemos na tela é a Disney falando de si mesma, quase que em tom de propaganda institucional. "Walt nos Bastidores etc. etc." tem a reconstituição de época primorosa que se espera de um produto desses, alguns "insights" preciosos sobre o processo de criação de um filme que marcou a infância de muita gente e umas poucas boas tiradas. Mas deixa a sensação de que a história não foi contada direito. Ou será que havia história?

sábado, 8 de março de 2014

A DITADURA ALCAZAR


Queria muito ter gostado de "A Gaiola Dourada", mas não consegui. Esta comédia francesa mas que se anuncia como "à portuguesa" fez muito sucesso na França e foi simplesmente a maior bilheteria do ano passado em Portugal. O roteiro parte de uma ideia simpática: um casal de imigrantes lusos em Paris herda uma linda propriedade às margens do Douro, e aí entra em crise. Voltar para a terrinha ou continuar na França? Os filhos nasceram lá e nunca visitaram Portugal. Os moradores do prédio de onde são zeladores fazem de tudo para que eles fiquem. Até os parentes querem impedir que eles partam. Mas o que podia ser uma discussão divertida sobre o choque de culturas emperra em situações forçadíssimas: qual faxineira desistiria de ser milionária só porque sua patroa comprou um aspirador novo? O elenco é cheio de atores portugueses falando francês (mesmo entre si, o que me deu certa aflição). Mas a verdade é que eu só tinha olhos para Lannick Gautry, um dos homens mais bonitos que eu já vi. Valeu o preço do ingresso, assim como a piada que inspirou o título deste post (e que está no trailer acima).



Acho que vou pedir o divórcio ao Biolay.

sexta-feira, 7 de março de 2014

EDDIE MERCURY?

Sou fanático pelo Queen há 40 anos, mas isto não quer dizer que eu idolatre qualquer lançamento que a melhor banda de todos os tempos. Alguns anos atrás eles se juntaram a Paul Rodgers, o ex-vocalista do Bad Company, e o resultado foi o execrável álbum "The Cosmos Rocks". O ultrahétero Rodgers ainda excursionou com o Queen (ou melhor, com Roger Taylor e Brian May, já que John Deacon se aposentou), destruindo o catálogo de hits imortalizado por "Eddie" Mercury. Agora finalmente Taylor e May se deram conta de que precisam de um cantor-fruta, e convocaram o flamejante Adam Lambert para um turnê pela América do Norte. Tomara que deem as caras por aqui: desta vez não faltarei.

SOMEDAY HE'LL COME ALONG

O 7o. episódio da 1a. temporada de "Looking" termina com uma versão surpreendente de "The Man I Love", um clássico dos irmãos Gershwin que foi gravado por cantoras do calibre de Billie Holliday e Ella Fitzgerald. A diferença é que nesta gravação, além das cascatas de violinos e do coro celestial, quem canta é um homem. Fui pesquisar e descobri que se trata de Zebedy Colt, um ator, cantor e diretor de filmes pornô que morreu em 2004 aos 75 anos de idade. A faixa faz parte do álbum "Zebedy Sings for You", uma audácia para a época em que foi lançado (final dos anos 60). Ah, internet, a cada dia eu te amo mais.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A BALADA DE UM HOMEM CHATO

Dá para entender porque “Inside Llewyn Davis” foi indicado a apenas dois Oscars. O novo filme dos irmãos Coen é difícil de classificar. Há muita ironia, mas está longe de ser uma comédia. E alguma emoção, apesar do protagonista ser um chato de galochas. Llewyn Davis é um cantor de folk com algum talento e nenhum tino comercial. Abre tão poucas concessões que nem tem onde morar, pulando de sofá em sofá nas casas dos conhecidos. Faz meio que tudo errado e desperdiça cada uma das oportunidades que lhe aparecem. É uma trama banal de um fracassado em busca do estrelato, mas se passa num momento bem específico: a explosão da música folk americana no começo dos anos 60, que revelou nomes como Bob Dylan e Joan Baez. A fotografia aveludada, o elenco formidável e as performances musicais fazem com que o filme honre o DNA dos Coen. Mas quem prefere historinhas edificantes tem opções melhores em cartaz.

PAPA-RAZZO

A popularidade do papa Francisco é tão grande que ele acaba de ganhar sua própria revista semanal. O primeiro número chegou ontem às bancas da Itália e é publicada pela Mondadori, o braço editorial de Silvio Berlusconi. Por lá são frequentes revistas inteiras dedicadas a uma única celebridade, mas é a primeira vez que um papa ganha a sua. "Il Mio Papa" traz dicas de onde se posicionar na Praça de São Pedro para ter os melhores ângulos do pontífice na janela de onde ele saúda a multidão e quais os lugares de Roma que ele costuma frequentar. Mas eu acho que só compraria se também houvesse fotonovelas e editoriais de moda estrelados pelo Bergoglio.

quarta-feira, 5 de março de 2014

CRIMEIA E CASTIGO

Nikita Kruschev cedeu a península da Crimeia à república soviética da Ucrânia em 1954. Foi um gesto simbólico para comemorar os 300 anos de "união" entre russos e ucranianos: na prática, a região continuou sob o domínio da URSS. Também foi um exemplo cristalino do esforço que os soviéticos faziam para embaralhar as fronteiras entre suas 15 repúblicas e dificultar uma eventual separação (Stálin fez uma barafunda com os "stãos" da Ásia Central que persiste até hoje...). Dito isto, não há porque se horrorizar com as pretensões de Putin sobre a Crimeia. A bela península sobre o Mar Negro tem população de maioria russa, e seus laços históricos e culturais com a Rússia são muito mais fortes do que com o resto da Ucrânia. Que, aliás, durante muitos séculos, pertenceu à Polônia; depois foi anexada pelos czares e rebatizada com o nome atual, que significa "borda" ou "margem". De onde? Da Rússia, é claro. Hoje em dia temos horror a qualquer redefinição de fronteiras, mas acho que a solução mais rápida e indolor para o conflito que se arma no leste da Europa seria simplesmente entregar a Crimeia (e talvez mais um pedaço do leste da Ucrânia) para a Rússia. Resta saber se isto saciaria a fome de Putin, que não só quer restaurar o máximo possível do antigo império soviético como se eternizar em seu comando.

VOAR VOAR, SUBIR SUBIR


"Vidas ao Vento" fez a maior bilheteria do Japão no ano passado, foi indicado ao Oscar de melhor longa em animação e vem sendo saudado no mundo inteiro como uma obra-prima. O filme é mesmo um deslumbre de se ver, mas eu tive dificuldade em me conectar emocionalmente a ele. O diretor Hayao Myiazaki garante que este é seu último trabalho, desenhado à mão e maravilhosamente detalhado como todos os outros. Mas a história real do engenheiro Jiro Horikoshi, que sonhava em voar quando criança e acabou desenvolvendo o Zero, o mortífero caça japonês usado na 2a. Guerra Mundial, talvez seja um pouco oriental demais para o meu entendimento. Apesar das lindas cores e dos traços engraçados dos personagens, "Vidas ao Vento" não é para crianças. Tem cenas fortes de terremoto e bombardeios, e uma morte por tuberculose que é lírica e trágica ao mesmo tempo. Há muitas sequências oníricas, mas também muitas outras onde detalhes de projetos aeronáuticos são discutidos entre cálculos e pranchetas. A beleza das imagens e da música é avassaladora, e é sempre instrutivo saber como foi a guerra do lado de lá. Mas o nó na garganta que eu esperava não me veio. Acho que não tenho o chip.

terça-feira, 4 de março de 2014

OW, CHARLIE, THAT REALLY HURT

Histórias reais são adaptadas para filmes de sucesso. Romances, graphic novels e até videogames também. A próxima fronteira: vídeos virais. Queria muito ter tido essa ideia, mas quem teve foi a equipe de roteiristas do Jimmy Kimmel. Produziram até trailers com elenco estelar e tudo! Este aí em cima é a versão de Christopher Nolan para o clássico "Charlie Bit My Finger".  Tem mais aqui.

CASTORES MOLHADINHOS


Achei que "Zombeavers" era mais uma palhaçada do canal a cabo SyFy, no estilo do já clássico "Sharknado". Mas não: esta aventura épica sobre castores mortos-vivos vai estrear nos cinemas americanos. Se vier para cá, parte da piada irá se perder, já que "castor" é uma gíria que quer dizer... xoxota. O filme tem até posters que satirizam alguns dos candidatos ao recém-entregue Oscar. Meda.

segunda-feira, 3 de março de 2014

SAINT ETIENNE

Nem só de "Lepo Lepo" se faz o meu carnaval. Estou ouvindo sem parar "Les Chansons de l'Inoocence Retrouvée", 13o. álbum de estúdio do francês Etienne Daho. Surgido na cena pop no começo dos anos 80, o cara ainda é um dos maiores astros de seu país - e uma das grandes influências de meu marido secreto Benjamin Biolay. Só que, como costuma acontecer com cantores francófonos, é pouco conhecido no mundo dominado pelo inglês (apesar de ter gravado um EP inteiro com a banda britânica Saint Etienne, com quem divide parte do nome e sensibilidades musicais parecidas). Quem ficou curioso pode escutar o disco novo inteirinho aqui; minha faixa favorita, "L'Étrangère", tem a participação de ninguém menos do que Deborah Harry. Também está disponível na iTunes Store brasileira, iupiii.

domingo, 2 de março de 2014

A CORRIDA DO OURO

Quem vai ganhar o Oscar? São tantos os sites e revistas fazendo previsões que, quando chega o dia - HOOOJEEEE - quase não há mais surpresas nem suspense. Mas este ano nem todos os nomes já estão gravados nas plaquinhas. Há uma corrida para valer na categoria principal, e reviravoltas podem acontecer em algumas. Meus palpites coincidem quase todos com os da "Entertainment Weekly", mas não foi só lá que eu me baseei. Já vi todos os concorrentes nas oito categorias principais, então posso dar minha balizada opinião temperada com os 38 anos em que acompanho de perto a competição. Então lá vai:

MELHOR FILME - "Gravidade" ou "12 Anos de Escravidão". O primeiro inova na forma, o segundo no conteúdo. "Gravidade" é um prodígio técnico e um programa divertidíssmo. "Escravidão" é uma porrada no estômago, com inegável importância política. Antigamente os Oscars sempre preferiram os filmes "com mensagem" (como "Gandhi") no lugar dos mais escapistas (como "E.T."). Mas o mundo mudou, a Academia rejuvenesceu e os filmes-pipoca nunca foram tão prestigiados. Fora que "Gravidade" é um megahit em escala global, o que ajuda na audiência da cerimônia na TV. É a minha aposta, mas sem muita convicção.

MELHOR DIRETOR - Essa é mole: Alfonso Cuarón, por "Gravidade". Mesmo que "Escravidão" leve a estatueta por melhor filme, esta aqui é do diretor mexicano que deslumbrou o mundo. Não há a menor possibilidade de zebra.

MELHOR ATOR - Por um momento achei que ia dar Leonardo Di Caprio, tanto pelo conjunto da obra como por sua performance excepcional em "O Lobo de Wall Street". Mas aí vi "Clube de Compradores Dallas" (faltou um "de" aí no título, tradutor brasileiro!) e me rendi a Matthew McConnaughey. Como quase todo mundo, nunca dei nada pelo marido da Camila Alves, mas mudei de ideia.

MELHOR ATRIZ - Cate Blanchett por "Blue Jasmine". Nem o ressurgimento do escândalo Woody Allen / Mia Farrow prejudicou as chances da deusa australiana. Amy Adams corre em segundo lááá atrás, mas ainda não vai ser desta vez.

MELHOR ATOR COADJUVANTE - Jared Leto por "Clube de Compras Dallas". Michael Fassbender também está primoroso em "12 Anos de Escravidão" e tem carreira mais sólida, mas a atuação do ex de Katy Perry é de apertar a garganta.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE - Se a Academia tivesse seguido meu conselho e premiado ano passado quem realmente merecia (Emmanuelle Riva por "Amour"), este ano estariam livres para dar um Oscar para Jennifer Lawrence. Mas uma menina de 23 anos vencendo em dois anos seguidos é impensável. Por isto, esta categoria deve mesmo agraciar Lupita Nyong'o, uma revelação e, desde já, a rainha do tapete vermelho. A mulher mais bela de 2014.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL - Acho que meus colegas irão honrar a verdadeira originalidade e premiar "Ela". Não tombei de amores pelo filme, mas não dá para negar que é uma ideia sensacional com diálogos impecáveis.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO - Um obscuro diário publicado no século 19 serviu de base para "12 Anos de Escravidão", que deve faturar esta categoria.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO - Estou orando pelo meu queridíssimo "A Grande Beleza", que ganhou o BAFTA e o Globo de Ouro e ainda lidera as apostas dos especialistas. Às vezes os velhinhos acadêmicos preferem historinhas com começo, meio e fim, o que pode favorecer o bom dinamarquês "A Caça". Mas ainda acho que a Itália vai aumentar seu recorde nesta categoria.

E o que mais? "Gravidade" deve engolir todas as categorias técnicas: edição, fotografia, efeitos especiais, edição de som e mixagem de som (ah, e uma artística, trilha sonora). "O Grande Gatsby" periga levar figurino e direção de arte, mas sei não. Melhor documentário vai para "The Art of Killing", que recria os massacres da Indonésia nos anos 60 - se bem que "20 Feet from Stardom", sobre as backing vocals de cantores famosos, é um concorrente de respeito. Mickey Mouse pode ganhar seu primeiro troféu em mais de 50 anos por "Get a Horse", que mistura seu desenho antigo com a técnica do 3D e foi exibido antes de "Frozen", provável vencedor em canção e longa de animação. Já para os curtas-metragens só há um jeito de prever: no chute. Que vençam os melhores.

sábado, 1 de março de 2014

E SE FICAR COMIGO É PORQUE GOSTA

E aí, vai viajar no carnaval? Eu estou indo daqui a pouco para a fazenda de uns amigos no interior de São Paulo. Lá talvez nem pegue celular, quanto mais 3G. Por isto vou fazer uma coisa que nunca fiz antes: deixar programados alguns posts, para saírem de domingo a terça (amanhã tem previsões do Oscar!). Se nenhum comentário aparecer, é porque eu estou de fato incomunicável. Mas todo mundo tem coisa melhor para fazer nesses dias do que ficar pendurado na web. Como diz Marcio Victor, se ficar comigo é porque gosta. Do meu rá rá rá rá rá...