sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

DEPOIS DAQUELE BEIJO

Gooool! Juro que eu ouvi gente gritando na vizinhança quando Félix e Niko finalmente se beijaram. A cena foi armada de um jeito que, se o beijo não rolasse, teria sido a maior catarata do Niagara de água fria de todos os tempos. Mas não: a história se fez diante dos nossos olhos, e se fez bonita. Cheguei a temer que não passaria de um selinho en passant no canto da tela. Nada disso! OK, foi técnico, sem língua, mas cêis queriam o quê? Um tabuzaço foi quebrado, com inédita aprovação popular. Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou...

TESÃO NEGATIVO

Tenho cá comigo que Madonna só topa fazer duetos com gente que canta pior do que ela. É incrível como ela parece Maria Callas ao lado de Miley Cyrus, de quem eu não consigo gostar nem por decreto-lei. Essa mania da moça de arreganhar a língua para fora da boca me dá engulhos. E Madonna precisava mesmo imitar?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

马年大吉

恭贺新禧 心想事成 身体健康 马上有钱

(Muita sorte no Ano do Cavalo. Felicidade, prosperidade e longevidade. Que todos os seus desejos se realizem. Tenha boa saúde. Fique rico depressa!)

ALONE YET, YES, ALONE

O Oscar sempre comete injustiças, mas a mais absurda deste ano já foi corrigida. A Academia de Hollywood cassou a indicação a melhor canção do tema-título de "Alone Yet Not Alone", um obscuro filme evangélico que passou em brancas nuvens por poucos cinemas americanos (o trailer acima lembra uma paródia do "Saturday Night Live"). Acontece que o compositor Bruce Broughton é membro do comitê executivo da divisão de música da Academia, e mandou uma enxurrada de e-mails aos colegas para sutilmente lembrá-los de que ele tinha uma concorrente no páreo. O gesto foi visto como pressão política, e a canção - na verdade, um hino religioso - foi prontamente desclassificada. Mas é pena que nenhuma outra será apontada em seu lugar: só na trilha de "O Grande Gatsby" havia umas três que mereciam competir pelo prêmio. O incidente só comprova, mais uma vez, que a Academia precisa dar um jeito no sistema de votação de sua divisão musical. Já foram feitas intervenções nos setores de documentários e filmes estrangeiros, que também costumavam indicar aberrações. Fora que os cinco concorrentes ao Oscar de melhor canção influem diretamente na cerimônia de entrega: eles são apresentados ao vivo, para uma audiência global de milhões de pessoas.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

CHAO, PAPI

Já pensou no que se tornou a vida de Gigi Chao nos últimos dois anos? Desde que o pai da moça ofereceu 65 milhões de dólares ao felizardo que conseguisse se casar com ela, a coitada não devia poder sair de casa sem que marmanjos se atirassem a seus pés, oferecendo juras de amor e bombons recheados. Acho que Gigi finalmente se encheu, porque publicou em jornais de Hong Kong uma carta aberta ao papi soberano, o milionário Cecil Chao. O texto é um primor: ela perdoa o véio e diz morrer de pena que ele não faça parte de sua vida com sua esposa Sean Eav (a butch da foto acima). Que sirva de inspiração para todos os gays e lésbicas que ainda não plenamente aceitos pelas respectivas famílias.

SUPREMACIA ARIANNA

Sem grande alarde, está no ar desde segunda-feira a versão tupiniquim do "Huffington Post". Fruto da anunciada parceria de Ariana Huffington com o grupo Abril, o portal Brasil Post nasce com colaboradores importantes como Marcelo Freixo e Gilberto Dimmenstein. O lay-out é o mesmo do original (que é bem mais bonito na versão mobile), mas claro que ainda não dá para saber se vai alcançar por aqui a importância que conquistou lá fora. De qualquer forma, palmas para a Abril, que finalmente percebeu que a internet não é um modismo passageiro. E agora, quando é sai o "Daily Beast" brasileiro?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

ACRE ACRE ACRE

Os valores de produção são o de menos. O que me conquistou mesmo foi o total desapego de Adreles à métrica. Quem mais tá a fim de soltar uma pepeta? Hey!

ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO

Uma pequena vitória: Yoweri Museveni, o presidente de Uganda, vetou a lei que criminalizava a homossexualidade em seu país e que já estava aprovada pelo Congresso. Sem dúvida nenhuma, ele cedeu à pressão internacional. Museveni já havia se declarado antigay em diversas ocasiões, mas dessa vez se saiu com a desculpa de que só assinará a tal da lei se a ciência provar de uma vez por todas que a homossexualidade não tem causas genéticas. Acontece que Uganda é fácil de se pressionar. O país é pequeno, desimportante e, apesar de lindo e fértil, depende da ajuda internacional (sem falar que vizinhos como o Sudão do Sul e a República Centro-Africana estão em plena guerra civil, que pode ultrapassar suas fronteiras a qualquer momento). A Nigéria, onde os chicoteamentos de gays já começaram, é outra categoria. O país mais populoso da África (ou seja, um imenso mercado potencial) também é riquíssimo em petróleo. Ninguém quer irritar seus dirigentes. Mas a reviravolta em Uganda prova que a opinião pública internacional tem poder.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A VÍTIMA DESTA SEMANA

Pronto, já temos mais um morto. Dessa vez a polícia não vai conseguir "provar" que foi suicídio: dificilmente Bruno Borges de Oliveira teria chutado a própria cabeça até a morte. Sim, vão dizer que se trata de um horrível homicídio, mas que não há sinais de homofobia - só que Bruno era gay, estava com amigos gays e andando por uma região cheias de bares e boates frequentadas por gays. Mataram o garoto por causa de um celular, um par de tênis velhos e - gasp - uma passagem de ônibus. Claro que isto é crime de ódio: pode até nem ser pelas bibas (embora eu aposte que seja), mas de qualquer forma é um tremendo ódio pela humanidade. E vem cá, cadê o policiamento nessas áreas? Ainda mais a essas horas da madrugada/começo da manhã, quando o povo sai torto da balada? Ah, a culpa é do próprio povo, que devia ter ficado em casa? Desculpem, sei que foi aniversário de SP e muita gente extravasou amor na internet, mas eu tô gostando cada vez menos dessa cidade. Tá foda, viu?

I HOLD THE LOCK AND YOU HOLD THE KY

Os Grammys ontem à noite tiveram seu número de maior conotação política de todos os tempos. 33 casais de todas as idades, cores e orientações foram oficialmente casados por Queen Latifah ao som do hino ao amor igualitário, "Same Love", da dupla Macklemore & Lewis (que levou vários prêmios, inclusive o de Revelação do Ano). Madonna, que não gosta de perder o bonde da história, fez uma aparição-surpresa no final, parecendo um boneco em animatronic e cantando (mal) trechos de "Open Your Heart". Mas não o suficiente para estragar a emoção do momento: muita gente na plateia enxugou lágrimas, e eu também quase não me contive. E não é que a Katy Perry pegou um dos buquês?

domingo, 26 de janeiro de 2014

ISSO É QUE É

O site da Coca-Cola na África do Sul está com um promoção super fofa: você pode digitar o seu nominho numa lata virtual e compartilhá-la no Facebook ou no Twitter. Quer dizer, qualquer nome, não: Kellen e Uéllerson pode, mas não Gay. Quem cometer tal ousadia não conseguirá terminar a operação. Surge um aviso super simpático na tela: "Oops, vamos fingir que você não digitou isto". Atenção, o site não é na Rússia. É na África do Sul, onde já existe há anos o casamento igualitário. Mas a Coca deve estar querendo preservar sua imagem de patrocinadora dos Jogos de Inverno de Sochi. Seu logo aparece até mesmo nos uniformes dos guardas que expulsaram uns ativistas da frente de um estádio na cidade. Só que eles não contavam com a minha astúcia. Driblei a censura e consegui produzir latas onde se lê "Bicha Louca", "Homofóbica" e "Porcaria" (mas não com as palavras "Merda" ou "Não Beba"). Visite o site você também, e compartilhe esta ideia com o mundo.

O REFLEXO DO MUNDO

Já faz alguns meses que o vídeo acima vem fazendo sucesso nas internets, mas só agora tive a decência de assisti-lo inteiro. As legendas em português não são muito boas ("breeder" seria melhor traduzido como "reprodutor", não "criador", o euqe dizer de "marimacho"?), mas o fato é que "Heterophobia" é um retrato bastante fiel (porém inverso) da infância e adolescência de quase todos os gays e lésbicas que eu conheço. Deveria ter exibição obrigatória em todas as escolas.

sábado, 25 de janeiro de 2014

FINÍSSIMA VENGANZA

O apresentador e escritor peruano Jaime Bayly sempre encheu seus livros de detalhes autobiográficos: a bissexualidade, o uso de cocaína, o casamento desfeito onde teve duas filhas. E acabou influenciando o estilo literário de seu namorado de oito anos: o jornalista argentino Luis Corbacho lançou em 2005 "Mi Amado Mr. B.", onde praticamente só trocava os nomes de sua própria história de amor. Reencontrei Luis no Rio no final do ano passado e ele me presenteou com a aguardada continuação, "Morir Maquillado". Que é nada menos do que uma fantasia mórbida - e divertidíssima - sobre o tumultuado final de sua relação com o ex, que o trocou por outra mulher (e com quem já teve outra filha). O livro talvez tenha destruído qualquer pretensão política que Bayly ainda tinha, pois o primeiro capítulo já mostra seu personagem de quatro implorando para ser enrabado. Daí para a frente a coisa só melhora, com direito a um final sangrento e quase lírico. Seria só a chorumela de um rejeitado se não fosse também muito engraçado (um dia de desespero é abrilhantado por uma visita ao duty free para comprar cremes da Victoria's Secret). Bichas finas que leiam espanhol no se lo pueden perder.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

EM EXTINÇÃO

O ex-deputado Adroaldo Streck é um colunista razoavelmente conhecido no Rio Grande do Sul. Hoje sua douta opinião ganhou uma mini-repercussão nacional por causa da incrível quilometragem de estupidez por centímetro quadrado: "homossexualismo", "doença", "homossexualizar o Brasil". Se um sujeito acha mesmo que é possível "homossexualizar" quem quer que seja, é por que existe dentro dele uma travestchy de maiô de lantejoula e boá, louca para arrebantar a porta do armário e descer uma escadaria ao som da Orquestra Tabajara. Mas o lado bom dessa avalanche de homofobia (até parece que ele "não tem nada contra") é seu isolamento. "Amor à Vida" está chegando ao final com praticamente o país inteiro torcendo pelo namoro de Félix e Niko. Uma situação muito diferente de dois anos e pouco atrás, quando o casal gay de "Insensato Coração" teve sua presença diminuída na novela por causa de inúmeras reclamações. Adroaldo é uma voz solitária e, como disse o Luciano em seu post (aliás, obrigado pela dica!), não deve mesmo falar por muito mais tempo.

ME CURA QUE EU SOU GAY

Esse guapetón aí ao lado é o doutor Christian Jessen, célebre na TV britânica como apresentador do programa "Embarrassing Bodies". Jessen, que é gay assumido e vive com outro cara há muitos anos, agora também vai estrelar um reality show com o sugestivo nome de "Cure Me, I'm Gay". Ele irá se submeter voluntariamente a todas as técnicas pseudo-científicas que charlatães e feiticeiros oferecem em suas "clínicas" e medir rigorosamente os voluntários. Sim, ele irá medir se fica mais excitado com mulheres. Os defensores dessa barbaridade que é a imaginária "cura gay" vão dizer que ele não estará fazendo o tratamento a sério, mas a intenção é exatamente expor a falsa ciência que mal disfarça esses preconceitos. Apesar do visual de galã e da fama televisiva, o dr. Jessen é um médico sério (muito mais do que o nosso dr. Ray, por exemplo), e o programa promete causar. Fica a sugestão para algum canal a cabo brasileiro - ou quem sabe até mesmo para o "Fantástico"?

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

TRANSGÊNERO

Um ano depois de ter feito o seminário "Story", eis-me de volta ao Othon Palace do Rio de Janeiro para mais um curso com Robert McKee, um dos mais famosos gurus dos roteiros de todo o mundo. O curso do ano passado simplesmente mudou minha vida: ele foi encerrado com um concurso de projetos, o meu ficou entre os 12 selecionados e acabei participando do "writer's room" de duas séries que estream este ano. Desta vez a Globosat não fará o mesmo, mas zuzo bem. O seminário "Genre" (que já foi dado outras vezes no Brasil, tenho muitos amigos que fizeram) dura quatro dias, cada um deles focado num gênero diferente: thriller, comédia, romance e série de TV. A carga horária é brutal e ninguém pode dar um pio durante as aulas, mas quem se importa? Sshhh, vai começar.

O OUTRO ROBERT DE NIRO

Vinte anos depois da morte do pai, Robert De Niro resolveu homenageá-lo com um documentário. Era um pintor como o mesmo nome do filho famoso, que jamais alcançou grande sucesso com seus quadros. O que está atraindo atenção para o projeto, no entanto, é a revelação de que Robert De Niro Snr. se separou da mulher quando se descobriu homossexual. Aceitar um pai gay muitas vezes é mais difícil do que aceitar um filho; conheço algumas histórias com final feliz, outras nem tanto. Que justo De Niro, que passa uma machice desavergonhada na tela, tenha passado por isto é mesmo de bom agouro. A HBO exibe o filme nos EUA em junho. E por aqui, quando?

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

TATUAGENS QUE CHORAM


"Alabama Monroe", o candidato da Bélgica ao Oscar de filme estrangeiro, é um puta filme. Mas não posso recomendá-lo sem restrições: aposto que muita gente vai odiar, pois a carga de sofrimento que aparece na tela é devastadora. O trailer americano não só esconde a origem europeia do filme - reparou que não há um único diálogo em flamengo? - como dá a sensação de que se trata de uma divertida história de amor entre dois cantores de música country. É justamente essa paixão que o casal de protagonistas tem pelo americaníssimo gênero do bluegrass que me pareceu ter agradado tanto à Academia de Hollywood. Dois anos atrás, o filme francês "A Guerra Está Declarada" trazia uma temática semelhante (casal luta contra o câncer do filho pequeno) e passou batido pelo Oscar. Mas acontece que "Alabama Monroe" vai muito além do mero nós-contra-a-doença. O roteiro foi adaptado de uma peça teatral de Johan Heldebergh, também o ator principal, e questiona a existência de Deus, a justiça no mundo, o sentido da vida e por aí vai. O que sobra depois de tantas lágrimas é a existência do amor. Não quero ter em DVD nem nunca mais ver de novo, mas adorei. Vai quem tiver coragem.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

HISTÓRIA MAL CONTADA

Não, não estou convencido. Suicidas em potencial costumam apresentar sintomas de depressão e emitir sinais sutis do que pretendem fazer. Parentes e amigos garantem que este não era o caso de Kaique. Ah, e quem garante que ele não foi jogado da ponte? É notório que querem diminuir os índices de assassinato em SP. Sinto muito, mas a credibilidade da polícia ainda está em jogo. Ela é que tem que apresentar provas convincentes: dizer que há mensagens de despedida num diário não basta. De qualquer forma, tendo havido crime ou não, este caso precisa ser encarado como uma vitória pelo movimento LGBT. A mobilização pelas redes sociais foi rápida e eficaz. Uma morte que normalmente não ocuparia as manchetes foi parar até mesmo no "Jornal Nacional". Até o governo federal se manifestou, através da ministra Maria do Rosário. E não nos deixemos impressionar pelos homofóbicos disfarçados que nos acusam de histeria: Kaique pode até não ter sido mais uma vítima da intolerância, mas muitos ainda são, todos os dias. A luta continua.

À PRIMEIRA VISTA

Passei todo o primeiro episódio de "Looking" comparando-o com "Queer as Folk". Claro que a nova série de temática gay da HBO tem algumas semelhanças com aquele seriado pioneiro de uma década atrás. Os protagonistas também estão em busca de amor e sexo, não necessariamente nessa ordem, e as cenas de pegação são bastante atrevidas (se bem que ainda não houve nudez em "Looking"). Mas as diferenças são gritantes: sair do armário não é mais um problema, as boates foram substituídas pelos sites de encontros e, pelo menos até agora, ninguém foi à academia. O capítulo de estreia não se preocupou em explicar quem é quem, nem mostrou como todos se conheceram. A ação simplesmente começou, e o espectador tem que deduzir por si mesmo os laços que unem os personagens - uma técnica moderna de narrativa também usada por "Girls". Pelo menos uma das tramas pegou na veia: Patrick, o designer de videogames interpretado por Jonathan Groff (de "Glee"), vai a uma date com um sujeito supostamente dos sonhos - louro, médico, refinado - que se revela um desastre absoluto. E logo em seguida é paquerado no metrô por um cara que não corresponde ao modelo que tem na cabeça, repetindo a história de dezenas de amigos meus que reclamam da escassez de namorados. Supostamente uma comédia, "Looking" não provoca frouxos de riso nem fornece frases malandrinhas para memes. Não me apaixonei logo de cara, mas já marquei um novo encontro. Ainda estamos nos conhecendo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

URSOS À SOLTA

Sim, escrevi dois contos pornográficos para a coletânea "Ursos Perversos", organizada pelo escritor Fabricio Vianna. Um deles até já postei aqui no blog: é o meigo "Lionella". O outro é beeem mais pesado e se chama "O Lontra". Agora estou naquela fase de morrer de vergonha, pois o livro está quase pronto e em pré-venda online. Tem até chaveirinho de brinde para quem encomendar logo. Corrão!

A GRANDE BELEZA

Hipnotizante e arrebatador este vídeo chamado "Beleza", onde o diretor italiano Rino Stefano Tagliaferro dá um sopro de vida a mais de 100 quadros. Muitos são do francês William Adolphe Bouguereau, de quem eu nunca tinha ouvido falar. A atmosfera bucólica é quebrada lá pela metade, quando irrompem na tela os chiaroscuro de Caravaggio e outras cenas sanguinárias. Para ver sem parar.

domingo, 19 de janeiro de 2014

TODO MUNDO E SEU PAI

Anjelica Huston é uma das minhas atrizes favoritas desde que a descobri no papel que lhe deu o Oscar de coadjuvante, em "A Honra do Poderoso Prizzi". Mas ela já tinha vivido inúmeras aventuras antes de ficar famosa. Filha de John Huston, um dos maiores diretores evah, Anjelica passou a infância numa fazenda na Irlanda - uma espécie de Downton Abbey frequentada por astros de Hollywood. Muitas histórias deliciosas dessa fase estão reunidos no primeiro volume de suas memórias, "A Story Lately Told", que termina em meados dos anos 70, quando ela era uma modelo requisitada e vivia com o tresloucado fotógrafo Bob Richardson (pai do Terry). Aliás, aquela foi a época mais generosa com a beleza das mulheres: o imenso nariz e os olhinhos apertados de Anjelica não fariam o menor sucesso atualmente. O livro traz um verdadeiro quem-é-quem da Swinging London e da Nova York pré-punk. Anjelica conheceu todo mundo, viu todas as peças importantes, viajou pacas e se divertiu à beça. Mas a figura dominante do livro é mesmo seu pai, aquele tipo de macho-alfa hemingwayano que bebe, caça e troca de mulher o tempo todo. "Watch Me", a segunda parte da autobiografia de Anjelica, sai no final deste ano. Já está na minha lista de compras.

sábado, 18 de janeiro de 2014

UNIÃO FRATERNA

Nunca tinha ouvido falar do Disclosure até o primeiro disco desta dupla de irmãos ingleses ser indicado ao Grammy na categoria dance/eletrônica. "Settle" não tem a menor chance de levar o troféu - o nome do Daft Punk já está sendo gravado nele - mas é um trabalho de gente grande. Nem parece ter sido cometido por dois moleques: Guy Lawrence tem 22 anos, e seu irmão Howard ainda não fez 20. O álbum é bastante variado, passeando por estilos diversos e com muitas participações especiais. A melhor de todas é a do trio London Grammar, na etérea faixa "Help Me Lose My Mind" (o que me levou a baixar do iTunes Store também o disco deles, o tristonho "If You Wait"). O Disclosure não traz nenhuma grande novidade sonora, mas está perfeitamente sintonizado com os dias que correm - como se pode conferir no vídeo de "Latch" aí em cima, que inclui casais de todos os tipos.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O BARATO DO TERROR

Francis Ford Coppola começou a carreira como assistente de Roger Corman, um diretor especializado em filmes de terror de baixíssimo orçamento. Cinquenta anos depois, o criador de espetáculos requintados como "O Poderoso Chefão" decidiu voltar às origens. "Virginia" foi rodado em grande parte na própria fazenda de Coppola no norte da Califórnia, e deve ter custado menos do que uma única bomba em "Apocalypse Now". O roteiro não faz lá muito sentido: mistura vampiros, fantasmas e serial killers, sem jamais deixar o espectador saber se são reais ou delírios do protagonista (o título original, "Twixt", se refere à dualidade entre o mundos dos sonhos e o de verdade). Coppola ainda usa truques que já envelheceram, como um detalhe colorido num quadro em preto-e-branco, mas o design de som é sofisticadíssimo. Mais uma vez, não faltam referências à morte de seu filho Gian-Carlo, um tema constante em sua filmografia. Mas a esquisitice de "Virginia" fez com que o filme jamais fosse lançado comercialmente nos Estados Unidos, e ele chega às telas brasileiras quase três anos depois de pronto. Passa longe de ser um entretenimento convencional, mas é obrigatório para quem se interessa pela obra de um dos maiores cineastas de todos os tempos.

OOOUNN

Simplesmente diabólica essa pegadinha feita em Nova York para promover o filme de terror "Devil's Due". Como é que o SBT ainda não fez nada parecido?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

SUICIDARAM O CARA

E agora chega de futilidade porque uma coisa gravíssima aconteceu. Estou falando do adolescente Kaique Augusto Batista dos Santos, assassinado com requintes de crueldade em pleno centro de São Paulo. Quase tão grave quanto esse crime monstruoso é o fato da polícia ter registrado o caso como suicídio. Como é que alguém se suicida arrancando todos os próprios denrtes e enfiando uma barra de ferro na perna? O lado bom dessa barbárie, se é que vai rolar mesmo, é a reação que está em curso nas redes sociais. Já existe a convocação para um protesto nesta sexta, e precisa haver muito mais. No Chile bastou um único crime homofóbico para comover o país e criminalizar a homofobia - sim, o Chile, um país ultracatólico, onde até pouco tempo nem existia o divórcio. Enquanto isto, por aqui, mortes como esta acontecem toda semana, e quase nunca são manchetes. Chega, basta, já deu. Que os animais que torturaram e mataram Kaique sejam presos logo, e que o peso de uma lei antihomofobia caia sobre eles. Só depende de nós.

ERREI RUDE

Shockeroo! As indicações ao Oscar vieram cheias de surpresas. Não, nenhum nome jamais cogitado caiu de páraquedas entre os finalistas, mas muitos que eram dados como barbadas ficaram de fora. Ainda não me recuperei...

- Incrível a força de "Trapaça". É o primeiro título em décadas a emplacar indicações em todas as categorias principais: filme, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original. As indicações de Christian Bale e Bradley Cooper foram particularmente chocantes. O primeiro expulsou veteranos favoritíssimos como Tom Hanks e Robert Redford, e o segundo pegou o lugar que devia ser de Daniel Brühl, excelente como Nikki Lauda em "Rush". Trapaceiros!

- Mais supreendente ainda é a fraqueza de "Walt Disney nos Bastidores de Mary Poppins". Hollywood costuma adorar os filmes sobre si mesma, e a indicação de Emma Thompson era dada como mais do que certa. Mas o ogro Harvey Weinstein conseguiu enfiar über-over Meryl Streep entre as cinco contempladas.

- E a Oprah Winfrey, que era dada como a provável vencedora do prêmio de atriz coadjuvante? Vai ficar em casa, assistindo à cerimônia pela TV.

- "O Grande Gatsby" tinha vários candidatos fortes a uma indicação de melhor canção, inlcusive o baladão "Young and Beautiful" da Lana del Rey. Tinha. 

- O longínquo Camboja emplacou seu candidato entre os indicados a melhor filme em língua estrangeira: "the Missing Picture", um documentário com bonequinhos que recria os massacres do Khmer Rouge. Quem mais aí tá doido pra ver?

(Confira a lista completa aqui, no site da Academia)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

PREDICTING THE OOOOSCAAAARS

Os rolezinhos ameaçam shoppings de todo o Brasil, a situação entre índios e brancos é cada vez mais tensa no sul do Amazonas, o Maranhão está em chamas e o blog do Sakamoto está aí mesmo para quem quiser saber mais sobre esses problemas. Porque agora eu só tenho um assunto: Ooooscaaaars! Tem tanta gente na internet prevendo as indicações (que saem amanhã de manhã) que surgiu até esta versão musical aí em cima. E está todo mundo prevendo as mesmas coisas, ou quase. O fato é que 2013 foi um ano acima da média para o cinemão americano: cada uma das categorias importantes tem pelo menos sete nomes merecedores de uma indicação (sem falar na bagunça que virou melhor filme, onde podem ser até 10 os felizardos). A lista abaixo resume quem está mais cotado para quê - e atenção: NÃO SÃO as minhas preferências pessoais, mas um balanço do que tenho lido nos sites especializados. Mas os nomes em negrito são aqueles que eu acho que têm mais chance de emplacar pra valer. E sim, desta vez muita gente está apostando que Meryl Streep vai ficar a ver navios.

MELHOR FILME
12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Clube de Compras de Dallas

Ela
Gravidade
Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum
O Lobo de Wall Street
Nebraska

Philomena
Trapaça

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón (Gravidade)
Paul Greengrass (Capitão Phillips)

Spike Jonze (Ela)
Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)
David O. Russell (Trapaça)

Alexander Payne (Nebraska)
Martin Scorsese (O Lobo de Wall Street)

MELHOR ATOR
Bruce Dern (Nebraska)
Leonardo Di Caprio (O Lobo de Wall Street)
Chiwetel Ejiofor (12 Anos de Escravidão)
Tom Hanks (Capitão Phillips)
Matthew McConnaughey (Clube de Compradores Dallas)

Joaquin Phoenix (Ela)
Robert Redford (Até o Fim)

MELHOR ATRIZ
Adele Exarchopoulos (Azul É a Cor Mais Quente)
Amy Adams (Trapaça)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Sandra Bullock (Gravidade)
Judi Dench (Philomena)

Meryl Streep (Álbum de Família)
Emma Thompson (Walt Disney nos Bastidores de Mary Poppins)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Daniel Brühl (Rush)
Bradley Cooper (Trapaça)
Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão)
James Gandolfini (À Procura do Amor)
Jonah Hill (O Lobo de Wall Street)
Jared Leto (Clube de Compradores Dallas)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrence (Trapaça)
Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão)
Sally Hawkins (Blue Jasmine)
Margo Martindale (Álbum de Família)
Julia Roberts (Álbum de Família)
June Squibb (Nebraska)
Oprah Winfrey (O Mordomo da Casa Branca)

Amanhã a gente confere erros e acertos. 

LOUCO EM ALEMÃO

Não tenho o gene da velocidade no meu DNA. Nunca senti a menor vontade de esquiar nem de pilotar carros da Fórmula 1. Também tenho medo de altura: qualquer varandinha acima do 10o. andar já me casua vertigem. Por isto, não há força neste mundo que me faça encarar o Verrückt, o tobogã aquático que será inaugurado em Kansas City em meados deste ano. O troço tem a altura de um prédio de 17 andares e, segundo o vídeo acima, é mais alto que as cataratas do Niagara. Fora que não tem elevador, tem que subir de scada... S. f.? N. f.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

EXCESSO AQUI VOU EU

Muita gente anda reclamando das três horas de duração de "O Lobo de Wall Street". Só que são três horas dirigidas por Martin Scorsese. Três fuckin' horas dirigidas por Martin fuckin' Scorsese. Isto quer dizer que o filme é bom pra caralho. É excessivo? Claro que é, e este é exatamente the point. A história verdadeira do mega corretor Jordan Belfort é uma espiral de dinheiro, mulheres e drogas, muitas drogas, mas muitas drogas mesmo, drogas a dar com pau, drogas, drogas, drogas. Acho que desde "Christiane F." eu não via tanta droga no cinema, e dessa vez elas são divertidas! Êêêêê! Leonardo Di Caprio prova mais uma vez que é, de longe, o melhor ator de sua geração, e que só não ganhou um Oscar até agora porque aí também já é covardia. O elenco fabuloso inclui o gorducho Jonah Hill e alguns nomes inesperados como Jean Dujardin (de "O Artista"), Joanna Lumley (a Patsy de "Absolutely Fabulous") e até a escritora Fran Lebowitz, numa ponta como uma juíza. Todos parecem estar se esbaldando, e é isto o que nos dá forças para aguentar tanto excesso. Respire fundo e deixe bater. A ressaca vale a pena.

CARTA BRANCA PARA A ÁFRICA?

A Nigéria acaba de aprovar um pacote de leis antigays draconianas. Não é o primeiro país africano a fazer isto, e temo que não será o útlimo - dizem até que, agora que Mandela já sei foi, o casamento igualitário corre perigo na África do Sul. No entanto, a indignação do mundo ocidental é bem menor do que contra a Rússia (e olha que as leis nigerianas são MUITO piores do que as russas). Por quê será que isto acontece? Um pouco pela desimportância da África: são países paupérrimos, sem quase nenhum peso econômico ou "soft power". Deixe que se explodam! E um pouco, talvez, pela razão oposta: o politicamente correto valoriza a preservação das diferenças culturais, mesmo quando estas resvalam na barbárie. Em português mais claro: manifestar-se contra a Nigéria seria um ato racista. Essa atitude leniente explica até porque um tirano incompetente como Mugabe, que praticamente destruiu o Zimbabwe, consegue se manter há décadas no poder. Com a benção, inclusive, do Brasil.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

DÊ UM ROLÊ

Rolezinho: pró ou contra? É fácil cair para qualquer um dos lados. Antes de mais nada, vamos combinar que quem tem perfil no Facebook não está exatamente alijado da sociedade de consumo. O que me causa desânimo é exatamente isto: que merda de juventude é esta, que só quer consumir mais e melhores grifes? Por quê não estão exigindo mais educação, como os chilenos? Por outro lado, não deixa de ser divertido dar um susto na burguesia. E essa molecada não tem mesmo muitas opções de lazer, os hormônios borbulhando... Enquanto ninguém se machucar, tá tudo certo. Mas talvez não demore muito.

GO TO HELL AND DON'T COME BACK

Estou me sentindo um pouco como Jacqueline Bisset aceitando seu primeiro Globo de Ouro evah: não sei muito o que dizer, mas quero dizer muito. Essas cerimônias de premiação invariavelmente me decepcionam, e ontem não foi diferente. Por quê ninguém caiu de bêbado no palco? Por quê não rolou uma briga entre as mesas de "Gravidade" e "12 Anos de Escravidão"? Em 2013 o pessoal estava mais soltinho - como esquecer o discurso desconexo de Jodie Foster? - e até mesmo Amy Poehler e Tina Fey apareceram mais vezes. Este ano as duas apresentadoras só deram o ar de suas graças no começo (com um texto inspirado, é verdade), no meio (adorei o "filho" de Tina com, possivelmente, o ogro Harvey Weinstein) e no finalzinho. Acho que foi de propósito, caso contrário o programa duraria ainda mais que as três horas que durou. Surpresas, não houve muitas. A Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood adora premiar jovens estrelas no lugar de veteranos ou novidades; isto explica os prêmios para Jennifer Lawrence e Leonardo Di Caprio. "12 Anos de Escravidão"e "Trapaça" despontam como os dois favoritos para o Oscar, e Meryl Streep pode dar adeus para a que seria sua 325a. indicação. A atriz mais premiada da história foi derrotada por Amy Adams, um pouco por estar over demais em "Álbum de Família" e um pouco - dizem - por seus recentes ataques a Walt Disney, um dos padroeiros do cinema americano. Nas categorias de TV, justiça foi feita: claro que ia dar "Breaking Bad" entre os dramas, e a comédia "Brooklyn Nine-Nine", que estreia em breve no cabo brasileiro, é realmente muito boa (já vi uns episódios). No mais, preciso decorar as sábias palavras da mãe de Jacqueline Bisset, que recomendou à filha o perdão universal, "o melhor tratamento de beleza de todos os tempos". Mas não sem antes mandar os malvados pro inferno, e que nunca mais voltem.

domingo, 12 de janeiro de 2014

OURO LÍQUIDO


Não esquece que hoje tem a cerimônia de prêmios mais divertida do ano: os Globos de Ouro, que não têm um décimo da produção do Oscar mas onde os atores costumam ser muito mais espontâneos. O segredo, é claro, é o álcool que flui livremente nas mesas (tem até jantar antes). E, pela 2a. vez consecutiva, a festa vai ser comandada pelas divas Tina Fey e Amy Poehler. Vou comentar no Twitter, e amanhã solto post a respeito. E que vença o mais bêbado.

A FALTA QUE FAZ NÉLSON RODRIGUES

A mulher dadeira é uma personagem frequente na literatura ocidental desde o século 18. Por quê ela dá? Como vive? Quais são suas verdadeiras motivações? O recente "Jovem & Bela" levantou essas questões de maneira elegante, e até que deu uma resposta satisfatória. Agora chega ao Brasil o primeiro episódio de "Ninfomaníaca", do autoproclamado enfant terrible Lars Von Trier. Sim, o filme tem mesmo cenas de sexo explícito, e não, não me pareceu que estavam usando dublês. Mas Von Trier não está procurando excitar a plateia: algumas sequências são francamente repugnantes, com a pobre protagonista se entregando a homens feios apenas por causa de uma aposta com uma amiga. Depois ela morre de culpa por ter sido tão malvada e destruído tantos lares - será que Von Trier está julgando sua personagem através dela mesma? O diretor é reconhecidamente misógino. Suas mocinhas sempre sofrem, apanham e até morrem, muito pelo fato de serem mulheres. Aqui nem tesão ela sente, apesar de trepar com até dez caras num mesmo dia. É tão apática que a trama se acende quando Uma Thurman irrompe na tela, fazendo uma esposa traída em busca de vingança. Este capítulo inicial termina de repente, quando nossa heroína está possivelmente descobrindo o amor. Seria legal se também conhecesse o humor. Afinal, Nelson Rodrigues tocou nos mesmos assuntos há mais de 50 anos, e suas tragédias sexuais sempre tiveram um lado engraçado. Mas esta é uma visão tropical demais para quem vem da Dinamarca. Vamos aguardar a continuação, que estreia ainda este ano.

sábado, 11 de janeiro de 2014

MARESIA, SENTE A MARESIA

Absolutamente todas as culturas humanas usam algum tipo de entorpecente, seja ela um scotch on the rocks, um cigarrinho do amor ou um cogumelo místico que abre as portas da percepção. E a necessidade de ficar doidão não se restringe ao homo sapiens: quem nunca viu um gatinho enlouquecido por sua catnip? Recentemente se descobriu que os golfinhos também curtem um bagulho. No caso deles é uma espécie de bagre que, ao ser atacado, se infla todo e libera uma toxina que pode ser mortal em grandes quantidades. Mas em pequenas é o mó barato, meu. O vídeo acima é o primeiro registro de um bando de golfinhos passando o peixe de bico em bico. Manda a fumaça do cachimbo pra cachola!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A COROA DA VIOLÊNCIA

Fui mais de dez vezes para Caracas, e em todas a recomendação era sempre a mesma: não saia do hotel, não ande a pé na rua, exponha-se o mínimo possível. A capital da Venezuela é a mais violenta da América do Sul, o que faz com que até as boates gays sejam dentro de shoppings. O fato é que Hugo Chávez usou uma estratégia parecida à de Brizola no Rio dos anos 80: não reprimiu a criminalidade nem deixou a polícia "entrar no morro", prevendo dividendos políticos entre a população mais carente. E aí a coisa fugiu do controle... Torço para que a Venezuela tenha atingido o ponto de saturação com a execução brutal nesta semana da ex-miss e estrela da TV Monica Spears, junto com o marido e em frente à filha pequena. A comoção nacional é só mais um problema na pauta de Nicolás Maduro, o incompetente e apagado presidente inventado pelo chavismo. Duvido que ele seja reeleito: num país que venera as telenovelas e os concursos de beleza, mataram a pessoa errada.

SÓ A CABECINHA

Se a violência desmesurada nos presídios justificasse uma intervenção federal, nenhum estado brasileiro iria escapar. O problema no Maranhão é bem mais grave: aquilo lá é uma fossa a céu aberto, administrada (sic) há 50 anos pela mesma família de cleptocratas. Mas existe solução? A população local insiste em manter os Sarney no poder, e eles voltam mesmo quando as urnas os contrariam (Roseana venceu no tapetão as últimas eleições). Já fiz campanha pela morte do patriarca aqui no blog, mas ele não me deu ouvidos. Nem vai dar, enquanto o governo de plantão der apoio a essa cambada (todos deram, desde a época da ditadura militar). Enquanto isto, o clã não tem o menor prurido em batizar logradouros e prédios públicos com seus próprios nomes, nem de representar a si mesmo como santos nos quadros que enfeiam a Fundação Sarney. Cortem-lhes as cabeças!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

PECADO E CAPITAL

Não morro de amores pela China. Acho uma cultura tremendamente materialista, sem respeito por quase nada além do dinheiro. "Um Toque de Pecado" só reforça esta minha impressão. O país que aparece na tela é brutal. O roteiro conta quatro histórias que se entrelaçam, todas protagonizadas por trabalhadores no limite do stress. Todos explodem em violência, contra si mesmos, seus patrões ou qualquer um que lhes passe pela frente. Até aí, em termos cinematográficos, tudo bem - o problema é que também achei o filme chato. O diretor Zhangke Jia é bem badalado, mas já percebi que seu estilo lacônico não me agrada . Nem ajuda a China a subir no meu conceito.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

GOURMETIZE-SE VOCÊ TAMBÉM

Lembro de uma lanchonete dos anos 80 que tinha o cardápio mais metido a besta do mundo: "entre duas macias fatias de pão selecionado, uma cama de queijo deliciosamente derretido envolve lascas do mais suculento presunto..." Ou seja, misto quente. O fenômeno da gourmetização não é novo, mas atingiu proporções gigantescas nos últimos tempos. Já temos cachaça de origem controlada, 50 tons de chocolate amargo e gente que fala queijo "parmeson". Mais exemplos dessa praga podem ser conferidos no tumblr "Gourmetização da Vida", cujo link me foi graciosamente enviado por um leitor. De todas as gourmandises listadas lá, minha favorita é a tal da Pipó. Alguém já provou? Tenho a sensação de que, dentro da linda embalagem de design diferenciado, tem um monte de pipoca murcha e fria...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

AO DIABO QUE OS CARREGUE

Democracia pra valer é assim: se uma denominação religiosa, por maior que seja, ocupou um espaço público, todas as outras têm o direito de fazer o mesmo. Isto fez com que a sede do governo da Flórida abrisse espaço, ao lado do tradicional presépio de Natal, para um poste de latas de cerveja comemorando o Festivus, o feriado ecumênico inventado pelo pai do Seinfeld, e também para uma cadeira coberta de macarrão, dos adoradores do Monstro Voador de Spaghetti. Mas nada é tão espetacular quanto a estátua de Baphomet proposta por uma igreja satânica para uma praça em Oklahoma City, bem em frente a um monumento aos Dez Mandamentos aprovado por unanimidade pela Câmara local. E ainda tem duas crianças olhando! Mwahahaha.

BONECA COBIÇADA

Digamos que você seja um homem que sempre quis se vestir de mulher. Um belo dia você tomou coragem e não só se vestiu como também se penteou e maquiou. E aí se olhou no espelho - e ODIOU o que viu. Foi o que aconteceu com Robert, que só conseguiu se montar quando já beirava os 70 anos de idade. O que fazer então? Que tal uma máscara... de corpo inteiro? Isso mesmo: de borracha molinha, para cobrir você da cabeça aos pés. Como nos Estados Unidos tem fabricante de tudo, logo Robert conseguiu se transformar em Sherry, a boneca humana. Ou melhor, uma das: elas são tantas por lá que já tem não só seu próprio encontro anual como também sua rede social. O fenômeno virou tema de documentário e é digno de atenção. A maioria dos adeptos desse calorento esporte são homens de meia-idade, casados e com filhos. Esconder-se atrás de tanto látex foi o jeito que eles encontraram para exprimir inconformidade - com a sexualidade, com o gênero, com a própria aparência. Parece horrível, não é mesmo? Mas, a julgar pelas fotos que Sherry posta no Facebook, ela leva uma vida muito mais divertida que a sua.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

AH, NÃO

Estou captando um certo sentimento de culpa coletivo pela morte de Nelson Ned. "Não demos valor a sua arte". "Tiramos muito sarro dele". "Coitado, morreu esquecido." Menos, gente. Nelson Ned merece todos os aplausos por ter conquistado o que conquistou, ainda mais com tantos obstáculos como teve. Mas não morreu pobre não: teve foi uma longa série de problemas de saúde que praticamente encerraram sua carreira há cerca de dez anos. Agora, fala sério - você gostava da música dele? Nélson Ned fazia um brega tristíssimo, sem o bom humor de Reginaldo Rossi. Talvez por isto nunca tenha virado cult. E vale lembrar que ser bom cantor não é a mesma coisa que ser bom artista. Mas tomara que sua morte sirva para jogar um pouco de luz na minoria mais desamparada de todas, os anões.

120 CÃES

Jang Song Thaek, junto com cinco de seus comparsas, foi atirado nu numa arena para servir de refeição a 120 cachorros famintos. A execução foi assistida por cerca de 300 pessoas, entre as quais o seu mandante: Kim Jong Un, o jovem ditador da Coreia do Norte, terceiro de sua dinastia e sobrinho do general executado. Esta notícia horripilante que correu o mundo apareceu primeiro num pequeno jornal de Hong Kong ligado ao Partido Comunista chinês. Não merece o menor crédito - qual o sentido de promover uma execução espetacular em segredo? Os romanos mandavam os cristãos para os leões justamente para que servissem de exemplo. Mas ela traz uma revelação interessante, que boa parte da mídia está ignorando. A China, o único aliado do regime stalinista que vigora na Coreia do Norte, pode estar repensando seu apoio. Jang Song Thaek era o homem de confiança de Beijing em Pyongyang, e sua eliminação deve ter irritado bastante a cúpula do PC chinês. Sem a China para financiar seus delírios, a Coreia do Norte periga estar com as horas contadas. Também é digna de nota a ironia do jornalista que inventou este bizarro (e caríssimo) método de execução: um homem sendo comido por cães, justamente num país onde os cães são comidos por homens?

domingo, 5 de janeiro de 2014

THRILLER DE ARTE

A escassez de estreias no cinema nesta primeira semana do ano me fez vasculhar o NOW em busca de novidades, e não é que eu me dei bem? Encontrei "Só Deus Perdoa", que dividiu a crítica no festival de Cannes do ano passado e não foi lançado no Brasil. Dá para entender as duas coisas: o filme é estranho, violentíssimo, lento, lindo. É um thriller de arte, onde cada plano foi calculado nos mínimos detalhes. O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, que fez sucesso com "Drive", desta vez radicalizou. Novamente com Ryan Gosling como seu protagonista, ele filmou uma trama policial difícil de acompanhar que se passa no submundo da capital mais submundo de todas, Bangkok. Mas o roeiro é o de menos: o que conta aqui é a magnífica direção de arte, a música envolvente, as luzes de neon. E sangue, muito sangue, em cenas de tortura que impelem os corações mais puros a sair correndo do cinema. Sobre tudo isto se impõe Kristin Scott-Thomas, uma das minhas atrizes favoritas, fazendo uma mami poderosa completamente do mal. "Só Deus Perdoa" enche os olhos e revira o estômago. Definitivamente, não é para qualquer um. Mas de vez em quando é bom ver um filme de ação com pretensões estéticas. Alugue se tiver coragem.

sábado, 4 de janeiro de 2014

RIO 50 GRAUS

Acabo de passar as 30 horas mais mais quentes de toda a minha vida, e olha que eu estive no Rio a trabalho. De repente não sinto mais pena de não ter passado o réveillon por lá: a combinação de praias abarrotadas, serviços sofríveis e calor infernal fez minha casinha em SP parecer super atraente. Agora o povo começa a voltar, com queimaduras na pele e histórias de terror. Ainda não escolhi minha favorita: se a dos turistas presos por duas horas no trenzinho do Corcovado (depois de terem enferentado uma fila de quatro) ou os sprinklers do Shopping Leblon, que se abriram sozinhos. E a sua?

(Reparei agora que TODOS os posts deste ano até agora têm a ver com calor, de uma forma ou de outra. Mas alguém tem outro assunto?)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

DESEJO A TODAS INIMIGAS VIDA LONGA

E não é que teve gente que reclamou por eu não ter incluído "Beijinho no Ombro" entre os melhores de 2013? O primeiro clipe de Valesca Popozuda, gravado no Castelinho de Itaipava, deve ter custado uns dois mil reais - e dá para ver cada tostão na tela. Fora que a música dura só três minutos, com mais quatro e tanto só de agradecimentos. Tem como não se render? Claro que eu virei popofã.

AEROPORCO

Hoje desembarquei no Galeão pela primeira vez em muito tempo. E não fui poupado do choque: o aeroporto internacional do Rio de Janeiro continua um nojo, a apenas cinco meses do início da Copa do Mundo. A coleta de bagagens está sem ar condicionado há dias, os banheiros, lamentáveis, e tudo permanece com ar de improviso e descaso. Verdade que há uma obra imensa nos arredores dos terminais, e peço ao bom Deus que fique tudo pronto a tempo. Não torço contra, não: quero mais é que o Brasil cause a melhor das impressões. Mas é uma vergonha tamanha esculhambação, com o verão bombando e a cidade apinhada de turistas. Fala-se muito em melhorias, mas cadê?

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MINHA PRAIA PORTÁTIL

Este ano passei Natal E réveillon em São Paulo, algo que eu não fazia desde sei lá quando. Uma combinação fatal de trabalho, chegada de parentes e logística me obrigou a ficar na cidade. Não foi fácil ver as zamigues postando fotos de praias paradisíacas no Feice, mas um disco me ajudou a superar esta fase sofrida. Sim, um disco: o 19o. volume das compilações do Café del Mar, o bar de Ibiza que gerou inúmeras imitações no mundo inteiro. Desde meados dos anos 90 que eles repetem a mesma fórmula eletrônica suave, sem nada que assuste os cavalos na rua. Perfeita para se tirar uma soneca sob a brisa de um ventilador, sonhando-se estar alhures numa rede. Experimente: dá para baixar da iTunes Store, ou simplesmente ouvir do YouTube.

ÔÔÔ INFERNOOO

Eu tenho uma superstição que nunca consigo seguir: adoraria terminar o ano sem nenhum livro lido pela metade. O de 2013 é "Inferno", de Dan Brown, do qual ainda me faltam 150 penosas páginas. É ruim para danar, mas por quê eu simplesmente não largo? Porque gosto de acabar tudo o que eu começo (também não saio de nenhum filme no meio, por pior que seja). Comecei a ler "Inferno" em junho, assim que saiu, na esperança de me divertir tanto quanto com "O Código Da Vinci". Mas eu já tinha percebido que Brown é um escritor terrível em seu livro seguinte, o pífio "O Símbolo Perdido". Desta vez ele optou por um vilão que ficaria ridículo até num filme de James Bond: um cientista que quer eliminar boa parte da humanidade com medo da superpopulação (e isto num momento em que as taxas de nascimento caem em quase todo o mundo). Seu estilo over-didático parece pensado para retardados, e seu abuso do itálico me dá vontade de chamar a polícia. Prometo que esta é a última vez que eu perco tempo com as aventuras do simbologista Robert Langdon. A vida é curta.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

APAGA ESSE FOGO

Feliz ano novo! Vamos começar os trabalhos com uma notícia que vem d'além-mar. Os Bombeiros Sapadores de Setúbal, uma cidade no sul de Portugal, produziram um calendário que está sendo chamado de erótico pela mídia local - mas que tem pouco mais do que os gajos sem camisa e fazendo carão. A ideia era doar os lucros para a Cáritas, uma organização ligada à Igreja Católica. Mas tanta generosidade foi prontamente recusada... Não faz mal: a grana agora irá para outra causa social, de mente mais aberta. Quer contribuir? Visite a página do calendário dos sapadores no Facebook e faça já sua encomenda.

(Obrigado pela dica, Paula Corrêa)