sábado, 13 de dezembro de 2014

THE CLOSER I GET TO YOU

Sou totalmente contra o "outing" - a tirada do armário à força - mas com uma única e honrosa exceção. Gays enrustidos que trabalham contra os direitos gays merecem ser arrancados de seu cômodo escurinho e expostos ao ridículo na luz do dia. Não por serem gays, é claro, mas por serem hipócritas filhos da puta dignos de desprezo. É o caso de Florian Phillippot, dirigente do partido francês de extrema-direita Front National, uma organização que só não pode ser chamada de nazista porque não usa a suástica. Philippot foi flagrado pela revista "Closer", uma variante local da "Caras", andando de mãos dadas em Viena com seu namorado - um apresentador de TV não identificado - crente de que ninguém os conhecia por ali. Seu partido não negou o casinho, mas reclamou lançando mão de um argumento comum na França: o direito à privacidade. Tradicionalmente, a imprensa de lá não se mete na vida particular dos políticos. Foi o que possibilitou ao ex-presidente François Mitterrand ter uma segunda família durante anos a fio, o que só foi revelado depois de sua morte. Mas os tempos mudaram, e, há cerca de um ano, o casamento do atual presidente, François Hollande, ruiu quando saiu a notícia de que ele era amante da atriz Julie Gayet.

Acontece que o "affair" Philippot só pode ser considerado um atentado à privacidade se acharmos duas coisas: 1) ser gay é imoral, mas... 2) o fato dele ser gay não afeta a vida de ninguém. Esta equação vale para os casos extraconjugais (o sujeito ter uma amante vai contra a moral vigente, mas por outro lado esse pecadilho só atinge as pessoas de sua família). Mas para um político gay que milita num partido estridentemente anti-homossexual? Primeiro que ser gay não é crime nem pecado. Segundo que, sim, o fato dele ser gay afeta a vida de milhões, pois ele também é contra os direitos igualitários. Não é só a homofobia internalizada que leva esse tipos a lutarem contra si mesmos. Philippot pode muito bem concordar com a agenda racista, autoritária e atrasada do FN, e achar que não precisa se casar no civil para ser feliz com seu bofe. É a velha história do "faça o que quiser, mas seja discreto". As fotos da "Closer" estão causando um grande debate na França, um país bastante dividido quanto aos gays. A carreira política de Philippot talvez esteja liquidada: seus eleitores são boçais e não devem perdoá-lo. Mas será que o próprio Front National sairá prejudicado? Acho que não. O apoio ao partido é muito amplo e não se evaporaria com um único escândalo. Vamos imaginar se acontecesse algo semelhante por aqui. Se, digamos, o Feliciano fosse pego por um paparazzo com a boca na botija. Ele cairia em desgraça e seria alvo de escárnio, mas a ideologia que existe por trás dele continuaria firme. Pois, como vimos nos comentários pró-Bolsonaro dos últimos dias, a escrotidão está entranhada na alma brasileira.

12 comentários:

  1. Teve o Jörg Haider na Áustria. Morreu depois de encher a cara num bar gay e bater com o carro. Depois a justiça proibiu a imprensa de chamar ele de gay.

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  2. Tu escreve bem, viu negão!

    No que diz respeito a relação da imprensa com os políticos, a França é irmã gêmea da Rússia.

    Tomara que a carreira política dele termine mesmo, que ele tome no cú(ai!) direitinho! E com certeza não é homofobia internalizada, senão ele não andaria de mãos dadas om o namorado em uma das maiores cidades do mundo. Ele apenas compartilha com idéias neo-nazistas, o que serve para mostrar que os gays não são homogêneos, sensíveis, civilizados, generosos... A escrotidão está entranhada na humana de qualquer matiz!

    P.S. O que acha do sumiço do irmão do ator Marco Ricca? Parece com aquele caso da irmã do lutador Victor Belfort. Como uma pessoa pode sumir hoje em dia, debaixo das nossas vistas sem deixar rastro? Parece um filme de suspense, e lógico, uma tragédia para as famílias envolvidas.

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    1. Obrigado!

      Infelizmente, acho que o irmão do Marco Ricca deve ter sido morto num assalto. As câmeras dos pedágios registram até onde o carro dele foi (parece que não passou de Arujá, perto de SP). Temo que encontrem o carro com o corpo nas redondezas. Tomara que não.

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    2. "Tu escreve bem, viu negão!"

      morto gente

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    3. Tipo o médico "fugiu com a amante".

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  3. No próprio Brasil, há gays reacionários. Só para lembrar de um famoso, o nosso eterno Clodovil. Realmente, os gays não são homogêneos. Eu tenho amigos gays que são contra qualquer direito igualitário, porque acham que ninguem precisa de lei para liberar o perseguido...
    Mas, ca entre nós, a cara dele não nega né? Pelo menos, pela 2ª foto.

    PS: Tu escreve bem, viu negão! (3)

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  4. Entrei em blog político francês que, em junho pp, noticiava o golpe secreto que Philippot tramou com Marine Le Pen para destituir o pai dela da presidência de honra do partido, com direito a meter o bedelho em tudo. Queriam se livrar do velho líder do FN [não fiquei sabendo do resultado].
    A foto que ilustrava o artigo mostrava o Phlippot sorridente e com cabelos longos e loiríssimos. A bicha não é fácil.

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    1. Hmm, então esse flagra pode ter sido armado pelo velho Le Pen.

      Vingaaançaaaa!

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  5. esse cara da foto eu comia.e chupava. quer dizer chupava e comia.n n dava. sou homem porra

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  6. Direito à privacidade? Ele estava no meio da rua!

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  7. O mio babbino caro
    "a escrotidão está entranhada na alma brasileira" e nesse período de festas e confraternização com colegas de trabalho, essa escrotidão se mostra inteira. Além de nossos eternos familiares continuarem bolando nosso espólio. Quanto ao sujeitinho
    aí de cima, nada que, Outrage, já não tenha mostrado. (N) pau no cu dele.

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    1. Esse "babbino cara" deve ser algum artista global que está no armário assim como o político do seu post!
      Pronto falei!

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