sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

EM GROSSAS PINCELADAS

William Turner foi o maior pintor britânico de todos os tempos e um precursor dos impressionistas. Sua pintura, acadêmica a princípio, foi se sofisticando e se tornando quase abstrata - suas últimas telas captam a luz como nenhuma outra até então. Nem por isto ele teve uma vida mirabolante. Quem for ver "Mr. Turner" querendo emoções arrebatadoras vai sair decepcionado. Mas quem conhece a obra do diretor Mike Leigh sabe o que esperar: personagens bem definidos e cenas do cotidiano, ainda mais porque se passam na primeira metade do século 19. Com quase duas horas e meia de duração, o filme é um pouco longo demais, mas a riqueza de detalhes e a reconstituição minuciosa evitam o tédio absoluto. Turner era um homem sensual e de temperamento meio difícil, e Timothy Spall, geralmente relegado a coadjuvante, finalmente tem um papel à altura de seu talento. Mas "Mr. Turner" só vai interessar quem gostar muito de arte e história. Mas muito mesmo.

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