domingo, 7 de dezembro de 2014

CROMOSSOMOS FELIZES

Volta e meia a imprensa noticia a descoberta do "gene gay". A Folha de hoje traz um artigo de Reinaldo José Lopes (com direito a chamada na capa do jornal) falando que o tal gene da homossexualidade masculina está "de volta". Amparado pela mesma teoria que já comentei aqui no blog: ele seria passado aos homens por suas mães, e na verdade serve para atiçar nas mulheres o desejo pelo sexo oposto. Ou seja, tem uma função biológica - e por isto não foi eliminado pela seleção natural. Também é por isto que a homossexualidade masculina está presente de alguma forma em absolutamente todas as culturas da face da Terra. Na verdade, Reinaldo conclui que a orientação sexual não é causada apenas pela nossa carga genética (não um único gene específico), mas também pelo meio onde vivemos. Eu tendo a concordar com ele. Mas ainda mais instigante é uma linha de raciocínio que vem ganhando força nos Estados Unidos: PARA QUÊ estudar as causas da homossexualidade? Para calar a boca dos teocratas, que ainda insistem que ser gay é uma escolha. Mas a confirmação de uma origem biológica pode reforçar a ideia de que a viadagem é um defeito de fabricação, e quem sabe não possa ser corrigido? Este é um risco concreto. Por isto também concordo com este pensamento moderno: descobrir se alguém é gay é tão relevante quanto descobrir porque alguém gosta de queijo branco. Afinal, gostar de queijo branco é uma escolha consciente, é uma determinação genética ou é um produto do ambiente onde a pessoa foi criada? E daí, não é mesmo?

19 comentários:

  1. Como disse o Jô Soares: e se for uma escolha? E daí?

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  2. Eu particularmente gosto da descoberta do gene feliz.
    Se, por um lado, ao demonstrar que é genético, abre-se caminho para uma possível cura e possibilidade de felicidade para aqueles gays que não se aceitam; por outro lado, coloca a culpa diretamente no colo de Deus ou da natureza e finalmente cala a boca desses fundamentalistas medievais e de todos os preconceituosos.
    Mas tenho dó das mães, as prováveis transmissoras do gene gay masculino. Se numa sociedade de “filhos da puta” tudo é culpa da mãe, como viver com mais essa “culpa” sobre os ombros diante de nossa sociedade conservadora e patriarcal?

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    1. Não é culpa da mãe. Deus quis assim!

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  3. Li a pouco e confesso que me espantei com os estudos de que a genética responde por 50% ou menos dos casos de homossexualidade. Não vejo como o meio possa influenciar determinantemente nossa sexualidade. Fui criado brincando de carrinho, sem amigo gay algum por perto, me apaixonando por "n" garotas até a adolescência. E recordo-me vagamente, quando criança, de sensação estranha que tinha por um professor substituto. As meninas achavam ele muito bonito, e eu ficava com ciumes, mas internamente o achava muito bonito também. Na adolescência comecei a gostar de um rapaz e disso em diante as mulheres não ocuparam mais espaço algum - nem sexual, pois já não tinham, nem o afetivo. Não entendo como o meio pode ter me influenciado e o feito a tantos outros, que, certamente, como eu, não aprenderam de algum modo a serem homossexuais.

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    1. O fato de o meio não ter te influenciado não significa que ele não possa ter influência.

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    2. É estranho. Tem caso de irmãos gêmeos, criados da mesma forma, no mesmo ambiente, que um é gay e o outro não. Tem caso de héteros que foram criados em ambiente feminino e gays criados em ambientes rústicos. Cada um compreende o ambiente de uma forma, por isso acho que é algo genético ou da personalidade de cada um. Dizer que o ambiente pode influenciar alguém a ser gay é quase o discurso homofóbico dos Bolsonaros da vida, que acreditam que a educação dos pais e da escola é que faz a criança se tornar gay ou não.

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  4. O mio babbino caro

    As pessoas são capazes de qualquer coisa para não sair de sua zona de conforto.

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  5. Tony, fala do decreto bolivarianista que o PSDB de SP aprovou na ALESP pfvr

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  6. Acho muito importante desconstruir o discurso homofóbico dos fundamentalistas religiosos. É algo muito forte que é dito e aceito por milhares de pessoas. Eles acreditam que o desejo e prática homossexual é causada por espíritos imundos e que se fizer uma oração forte para tirar esse demônio do corpo, a pessoa fica liberta. Eles acham que o homossexual se entrega a influência do capiroto, escolhendo ter essa vida de pecado e que por isso está condenado ao fogo eterno. Isso é repetido todos os dias, várias vezes ao dia, a milhares de pessoas. Se a ciência comprovar que existe uma característica genética, ou seja, as pessoas nascem assim, então esse gene também foi criado por Deus e os fundamentalistas homofóbicos ficarão com a cara na poeira e terão que escolher outro grupo para infernizar.

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  7. O estudo diz que não existe um "gene gay", mas características genéticas no DNA dos homossexuais. Mapear o DNA humano para alterar os cromossomos que influenciam o desejo homossexual é praticamente impossível. E se fosse, creio que teríamos outras prioridades né? Alterar o DNA que causam o nanismo nos anões por exemplo, ou de crianças de nascem com paralisia ou qualquer outro tipo de doença genética.

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  8. Nessa brincadeira, nem que não seja a intenção, vai se acabar "descobrindo" o tal gene e, consequentemente, inventando um jeito de não se ter filho gay. Claudia Leitte e a grande maioria das pessoas vai querer usar o método. Nossos pais podem até ter se acostumado e viver bem com filhos gays, mas se um dia existir a opção de não ter, aposto que ninguém que puder evitar vai abrir mão.

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    1. Pelo método tradicional de fecundação, existe a opção de alterar a cor do cabelo e dos olhos do feto, para ter filhos louros de olhos azuis, se o casal é negro ou asiático? Ou ainda, existe a opção de alterar o dna do feto para que ele não desenvolva algum tipo de doença hereditária? Não viaja bee. Dá uma olhada no google, para ter noção do tão complexo é o dna humano para ser alterado dessa forma.

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    2. Bee, vc tá precisando googlar mais antes de ficar dando pitaco. http://super.abril.com.br/ciencia/como-fazer-super-bebes-677777.shtml

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    3. Apesar da preguiça de ler um link dessa revista sensacionalista, fui lá e no primeiro parágrafo li o seguinte: "usando técnicas de fertilização in vitro, criaram 11 embriões..." Amore, que parte do termo "método tradicional de fecundação" você não entendeu? Quer que eu desenhe?

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  9. eu prefiro os sem queijo.

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  10. Eu realmente espero que nunca descubram como a homossexualidade é "formada" biologicamente. Apenas que comprovem que a biologia é responsável por uma boa parte, só isso. E que os homens homossexuais bonitos, gostosos, viris e com o mínimo de inteligência continuem nascendo e povoando este mundo, para minha alegria e de muitos mais. Amém.

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    1. Os feios e/ou afeminados podem ser eliminados?

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    2. Manter a "produção" de um item não necessariamente impõe a eliminação de outro. Até mesmo porque na prática essa analogia aplicada ao caso é impossível.

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