terça-feira, 18 de novembro de 2014

O FIM E O SEM FIM


Nos dias de hoje, uma banda de sucesso não acaba nunca. Taí o Queen, que desengavetou uma gravação inédita de Freddie Mercury, deu para William Orbit remixar e ainda teve a cara de pau de lançar um álbum duplo em torno dela, quase que só com faixas que não foram hits. Mas será que o álbum tem futuro? A dupla norueguesa Röyksopp acha que não, e está anunciando "The Inevitable End" como seu último trabalho neste formato. Não, eles não estão se separando: só não vão mais gravar discos completos, com uma hora e tanto de duração. Faz todo o sentido, ainda mais numa época em que se pode comprar músicas avulsas na internet. Os artistas ficarão livres para lançar o que bem entenderem quando bem entenderem, sem seguir o ciclo atual de disco + vídeo + turnê mundial + disco ao vivo + DVD, que dura de dois a três anos. A ironia é que "The Inevitable End" é um álbum comme il faut, com começo, meio e fim, para ser escutado todo de uma vez. Nem tudo é inédito: "Monuments" e "Do It Again", as duas canções mais importantes do EP que a banda lançou no começo do ano com a cantora sueca Robyn, aparecem em versões remixadas. Maesmo assim, há uma certa coesão temática e atmosférica, com muitas letras e poucas faixas instrumentais. Como tudo o que esses caras fazem, já entrou para minha lista dos melhores do ano. O Röyksopp morreu, viva o Röyksopp.

Outra banda que não morre nunca é o Pink Floyd. "The Endless River" soa exatamente como o que de fato é: sobras de estúdio de vinte anos atrás. A única e pequena surpresa é constatar como esse som é low tech. Os reis do progressivo jamais se renderam aos teclados, e mesmo seus discos mais viajandões se baseavam na combinação tradicional de guitarra, baixo e bateria. Datado porém audível como papel de parede sonoro, "The Endless River" ainda conta com a capa mais cafona do ano, que ganha vida no vídeo acima. Pelo menos logo evolui para imagens impactantes do mar de Aral, no Cazaquistão, reduzido a 10% de seu tamanho original por causa dos rios desviados pelos soviéticos. Taí um desastre ecológico que também não tem fim.

4 comentários:

  1. Alguém ainda aguenta essa Robyn? No Brasil então nunca vingou.

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    1. Nossa. Nos áureos tempos de MTV latino na Directv passava Show me Love da Robyn direto em 1997.

      Aliás, outra banda escandinava que anunciou o fim foi o The Knife. Vi i show semana passada e foi um puta cataploft extraordinário. The Knife são dois irmãos. Acho quea despedida deles é numa boa. O jeito vai ser esperar por mais material da Karen Fever Ray e sei lá o que o Olof vai produzir.

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  2. Tony, não ouvi esse disco "novo", mas o Pink Floyd SEMPRE teve teclados na formação. E vários.

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    1. Sim, mas os teclados nunca dominaram o som da banda, ao contrário do que aconteceu com contemporâneos do rock progressivo como Yes e Emerson, Lake & Palmer.

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