domingo, 9 de novembro de 2014

MEU AMOR, NOSSO AMOR ESTAVA ESCRITO NAS ESTRELAS


A boa ficção científica não fala do futuro, mas sim do que nos aflige no aqui e agora. A ótima ficção científica consegue transcender esse imediatismo e fala dos grandes temas que nos afligem desde sempre: a vida, o amor e a morte. "Interestelar" faz uma puta força para ser ótimo, mas só consegue ser bom. Mesmo assim, o roteiro é cravejado de furos tão grandes que parecem buracos negros: a revista "Entertainment Weekly" listou nada menos do que 15 (aqui, em inglês, mas só leia depois de ter visto o filme, está cheio de spoilers). O segredo é não ficar por demais encanado com as muitas forçadas de barra e se deixar levar pela câmera rodopiante do diretor Christopher Nolan, que rodou tudo em IMAX (e portanto o filme também deve ser apreciado neste formato). Como sempre, não há grande sutilezas nos nomes dos personagens. A exploradora feita por Anne Hathaway chama-se Amelia, numa óbvia referência à aviadora americana Amelia Earhart, e um vilão-surpresa que aparece no meio da história se chama dr. Mann - porque o maior inimigo do homem é Mann, o próprio homem, sacou? Sacou? Sacou? Nolan gosta dessas bobagens: em "Inception", a malvada se chamava... Mal. Também gosta de realidades paralelas, dimensões infinitas, sonho dentro do sonho dentro do sonho e por aí vai. Esses temas estão presentes em sua obra desde seu primeira curta-metragem, "Doodlebug", de 1997, que eu fiz o favor de incluir aí abaixo. É um dos cineastas mais ambiciosos da atualidade, mas também nunca atinge as profundezas emocionais que pretende. O final de "Interestelar" foi desenhado para deixar a plateia em prantos, mas não vi um único olho marejado na sessão lotada a que eu fui. Talvez nos falte a empatia com um protagonista que não hesita um segundo em largar a filha de 11 anos para uma viagem espacial possivelmente sem volta, e este é o drama central do filme. Que no entanto, com todas as suas falhas, merece ser visto.

2 comentários:

  1. Verdade. Mas o filme tem mesmo seu mérito. Quando é que vimos uma nave entrar em um wormwhole em tempo real num fime? Ou quando alguém abordou que o tempo passa em velocidades diferente em outras galáxias? Pelo menos dessa forma não. Enfim, muitas cenas excepcionais, outras meia boca. Em resumo eu gostei, mas só gostei.

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  2. A filha poderia ter 10 anos. Ou 12 anos. Sem muita diferença em termos dramáticos.

    Mas a mensagem TINHA que ser passada e ela então TINHA que ter ONZE anos.

    Como são repetitivos e cansativos esses "irmãos".

    The 5D Raver
    www.the5draver.info

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