quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A GUERRA MIUDINHA

Um leitor do blog me recomendou ler "Suíte Francesa". Como o livro está esgotado em português e ainda por cima eu sou pedante, li mesmo em francês. É um grande romance inacabado: das cinco novelas que o comporiam (daí o "suíte"), só duas foram completadas. A autora Irène Némirovsky era uma judia ucraniana da alta burguesia, radicada na França desde pequena. Já tinha vários livros publicados quando começou a escrever a mão a que viria ser sua última obra, numa letrinha microscópica para economizar papel. "Suíte Francesa" é tida pelos historiadores como a primeira ficção sobre a 2a. Gurra Mundial, escrita em pleno calor do conflito. Irène havia delineado o que seria o terceiro volume e feito apenas algumas anotações sobre o quarto e o quinto quando foi presa pelos nazistas. Enviada para um campo de concentração na Polônia, morreu no final de 1942. O manuscrito permaneceu intocado por suas filhas até 1998, quando elas finalmente tiveram coragem de ler o que a mãe havia escrito (achavam que era um diário). A surpresa foi enorme, e o livro foi editado na França em 2004 sob o espanto e os aplausos da crítica. É de fato muito bem escrito, com personagens de carne e osso. Tirando um capítulo que é todo feito da perspectiva de um gato, a humanidade aparece em  seu esplendor e miséria, exarcebados pelo horror da guerra. A primeira parte, "Tempestade em Junho", relata a fuga em massa da Paris invadida pelo 3o. Reich. A segunda, "Dolce", narra o envolvimento de uma dona de casa provinciana com um soldado alemão. É esta história que serve de base para o filme, que estreia no exterior em janeiro - mas só pelo trailer já percebi que o roteiro é mais movimentado que o livro. Mesmo assim já estou doido para ver, ainda mais porque um dos papéis coube à minha adorada Kristin Scott-Thomas.

4 comentários:

  1. Tony, saudades dos seus posts políticos. Estou assistindo de camarote a revolta da esquerda que apoiou Dilma com medo da onda reacionária que estava ao lado de Aécio. Eles estão #chatiadérrimos com as indicações ministeriais da Dilmona, inclusive o Ricardo Melo e o Boulos que escrevem para Folha. Pra falar a verdade achei fantástico esse artigo: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/guilhermeboulos/2014/11/1553912-sugestoes-para-o-ministerio-de-dilma.shtml

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  2. Eu sou da oposição e voto pra que você escreva sobre o que lhe der na telha. Vai ser interessante ver a transposição desse livro dividido em histórias inacabadas pra tela.
    Mas já vi que é um filme hollywoodiano, ou estou errado?
    Enfim, acho que seria interessante mostrar que nem todo soldado alemão na 2ª Guerra era exatamente um apoiador do 3º Reich. Muita gente simplesmente foi convocada e não teve escolha.

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  3. O mio babbino caro
    Tô Fora!

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  4. O mio babbino caro
    IBGE: PIB cresce 0,1% no 3º trimestre e país sai da "recessão técnica"
    "O quê que pode fazer
    Um coração machucado
    Senão cair no chorinho
    Bater devagarinho pra não ser notado
    E depois de ter chorado
    Retirar de mansinho
    De todo amor o espinho
    Profundamente deixado"

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