domingo, 26 de outubro de 2014

POR ESO SOY VENGATIVO


Filmes em episódios costumam ser muito irregulares. Mas quando esses episódios são todos escritos e dirigidos pela mesma pessoa e essa pessoa é Damián Szifrón, o resultado é espetacular. "Relatos Selvagens" é ainda melhor do que "Tempo de Valentes", o longa anterior desse diretor argentino, que no entanto passou discretamente no Brasil em 2005 - merecia ser lembrado por nós como uma obra-prima do quilate de "O Filho da Noiva". Depois de trabalhar um tempo na TV, Szifrónn volta com um título que fez sucesso no festival de Cannes deste ano e é o indicado por seu país para concorrer a uma vaga na disputa pelo Oscar de filme em língua estrangeira. São seis histórias curtas de vingança, todas em chave de humor - umas mais, outras menos, é verdade - e todas com finais surpreendentes. O elenco primoroso inclui o obrigatório Ricardo Darín e uma atriz de telenovelas que eu não conhecia, Erica Rivas, absolutamente da pá virada. Os enquadramentos são formidáveis, a decupagem é magistral e a trilha sonora do duplamente oscarizado Gustavo Santaolalla se mistura bem a hits bregas de rádio. Difícil dizer qual o melhor segmento. O primeiro, a bordo de um avião, que termina antes mesmo dos créditos de abertura? O último, que se passa numa interminável festa de casamento? Ou o da estrada em Salta, praticamente um desenho animado do Bip-Bip com atores de carne e osso? "Relatos Selvagens" acaba de usurpar o título de melhor filme do ano até agora, que eu havia dado semana passada para o canadense "Mommy". É um filme entusiasmante, inspirador e divertidíssimo.

4 comentários:

  1. O Ricardo Darín é o Wagner Moura deles, só que sem a versatilidade!
    E como eles fazem pequenas obras-primas, assisti A História Oficial outro dia e fiquei bobo com o desempenho da Norma Alejandro, a cena em que ela conversa com a avó da menina e se dá conta do mundo que a cerca, dá nó na garganta!

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  2. Filme maravilhoso mesmo! divertidíssimo! Além da vingança, as histórias mostram pessoas que desconsideraram a tal "civilização", que nos impõe engolir sapos todos os dias como se fosse algo natural(é necessário, apesar de antinatural), e se entregaram aos seus sentimentos, à lei da selva e da selvageria, de autopreservação, de autojustiça, de autonomia total, seja qual for a consequência. Tomaram as vidas nas próprias mãos, e viram que isso só vale a pena se for feito dentro das regras sociais, ou podem quebrar a cara no final...
    Se bem que nada como saciar uma vontade incontrolável, seja ela qual for...depois a gente cuida do depois...

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  3. Maravilhoso, maravilhoso, saí do cinema chocado....
    Todos os episódios bons, o do avião e o do casamento são mais engraçados, os demais me fizeram refletir muito, sobre o limite da fúria.

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  4. "La venganza nunca es buena, mata el alma y la envenena"

    Como bom escorpião, me identifiquei muito com o filme.

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