sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Ó VIDA, Ó DOR


Quando eu era adolescente, a maioria dos meninos da minha idade ouvia dois tipos de som: pauleira e progressivo. Só as bibas incubadas como eu apreciavam a disco music, ainda hoje a mais refinada expressão musical de toda a história da humanidade. Na virada dos anos 70 para os 80 chegaram o punk e a new wave, e o mundo virou de pernas pro ar. O heavy metal sobreviveu, ainda que por vezes distante do mainstream. Mas o clima viajandão de bandas como Yes ou Pink Floyd sumiu por completo, tido como o suprassumo da cafonice. Só que o público a que ele se destinava, não: os meninos héteros porém sensíveis, trancados em seus quartos nas tardes sem aula. Era só questão de tempo que esse gênero retornasse, aperfeiçoado pelas novas tecnologias. E retornou mesmo, numa onda da qual os ingleses do alt-J são o maior expoente. O segundo álbum dos caras, "This is All Yours", não tem refrões pegajosos nem canções que se destaquem sozinhas. Foi feito para ser escutado de uma tacada só, com fones de ouvido. É uma tapeçaria rica em texturas e com vocais esparsos, e as letras falam basicamente de solidão. O clipe de "Hunger of the Pine" aí em cima parece uma cena da trilogia "Jogos Vorazes", e confirma de maneira claríssima a minha tese: é música para garoto sofredor. Mas é um disco interessante, que merece o sucesso que está fazendo.

3 comentários:

  1. O mio babbino caro
    Olha que gosto de música. Não lembro de ter tido problemas em conviver com Black Sabbath, Pink Floyd e Tina Charles, até um KC no meio dessa história.

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