quarta-feira, 22 de outubro de 2014

MINHA CAABA

Hoje parti em peregrinação a uma espécie de Meca pessoal. Tomei um trem de Paris para Bruxelas e de lá peguei outro rumo a Louvain-la-Neuve, pequena cidade universitária a 25 quilômetros da capital belga. É lá que se ergue o santuário a um dos meus maiores ídolos: Hergé, o criador do Tintin. Um museu desenhado pelo arquiteto francês Christian de Portzamparc (o mesmo da Cidade das Artes no Rio de Janeiro), com janelões nas laterais que parecem quadrinhos num página. Ou melhor, bande dessinée, a insuperável expressão francófona para a chamada "nona arte". E arte é o que não falta: a mostra inclui pranchas originais, influências, rascunhos, filmes, revistas, objetos reais e imaginários (o fetiche arumbaia!) e até parte da coleção de pinturas modernas que Hergé possuía, inclusive seu retrato pintado por Andy Warhol. Para mim foi um mergulho na minha própria formação. Porque Tintin é isto: uma maneira maravilhosa de se descobrir o mundo. Eternamente curioso, corajoso e assexuado, o jovem "repórter" (que só nas primeiras aventuras foi visto escrevendo reportagem alguma) quase não tem personalidade, permitindo que qualquer leitor se projete nele. Eu conheço todos os álbuns de cor e salteado, então imagina os orgasmos mentais que eu tive ao vê-los materializados à minha volta neste pequeno museu. Claro que eu já sabia de muita coisa que estava sendo dita pelo audioguide e pelas legendas das vitrines. Sou tintinólogo há mais de 30 anos e devo ter lido uns 20 livros sobre o assunto. A visita se completou com um pulo na lojinha, a mais bem fornida de camisetas, chaveiros e bonecos que eu jamais sonhei. Estou muitos euros mais pobre na carteira, mas alguns milhões mais rico por dentro. Só há um Deus que é Tintin e Hergé é seu profeta.

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