sábado, 4 de outubro de 2014

INAPAGÁVEL

Antes de se tornar um filme indicado ao Oscar, "Incêndios" era uma peça de teatro. Foi depois de ver a obra no cinema que o ator carioca Felipe De Carolis teve a ideia de comprar os direitos do texto. E usou de um estratagema: disse que o espetáculo seria montado com Marieta Severo sob a direção de Aderbal Freire Filho, sem sequer conhecê-los. Com os direitos na mão, ele então foi procurar a atriz e o diretor. Eles toparam, e Felipe ainda garantiu para si o melhor personagem masculino da trama. A montagem brasileira de "Incêndios" fez um sucesso enorme no Rio, e estreia agora em São Paulo sempre com casa lotada. Mas, pelo menos para mim, a história não ficou tão clara como antes. Talvez por culpa do cenário único e pesadão, que não marca direito as muitas idas e vindas no tempo e no espaço. Ou talvez da caracterização: Marieta Severo vai da adolescência à velhice trocando só de roupa. Mas o elenco se sai bem, a força do texto de Wajdi Mouawad está intacta, e eu finalmente entendi que se trata de uma metáfora sobre a autodestruição do Líbano durante os anos da guerra civil. É apavorante saber que as atrocidades que vemos em cena continuam sendo cometidas mundo afora, graças ao ISIS e similares. "Incêndios", infelizmente, permanece atual.

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