quinta-feira, 23 de outubro de 2014

GRAND ET PETIT

Até hoje de manhã, eu havia entrado uma única vez no Grand Palais, aquele magnífico pavilhão de ferro e vidro construído para a Exposição de 1900, bem no meio da Champs-Elysées. Foi numa mostra sobre Maria Antonieta em 2008, numa galeria lateral. Hoje finalmente consegui conhecer o imenso salão principal. Uma amiga brasileira que é marchande nos arranjou convites para a Fiac (Feira Internacional de Arte Contemporânea), um dos maiores encontros de galerias e colecionadores do mundo inteiro. Todas as fodonas estão lá: White Cube, Gagosian e até... House of Gaga. Já disse algumas vezes aqui no blog que tenho preferido este tipo de evento às bienais, porque neles o melhor da arte que se faz hoje vem meio sem filtro e quem faz a curadoria (mental) é o visitante. Fora que o público ultra-branché é uma atração à parte.

Depois atravessamos a rua rumo ao Petit Palais, uma novidade absoluta para ambos. E deixamos nossos queixos caírem com a époustouflante retrospectiva dos cristais Baccarat. São tantos copos, lustres e objetos expostos em fundo escuro e sob luz dramática que o efeito é o de uma grande instalação fantasmagórica. Fica em cartaz até o dia 4 de janeiro do ano que vem. Programa certeiro para quem vier com a mãe em Paris: nunca vi tantas senhoras juntas, mais assanhadas do que se estivessem numa liquidação das Galeries Lafayette.

3 comentários:

  1. Tony, amo seus posts sobre Paris, mas estamos na eleição mais concorrida desde a redemocratização do Brasil. Quero seus posts sobre política, omi!

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  2. Creio que a frase "o melhor da arte que se faz hoje" não é verdadeira. A feira de arte é um evento de vendas de "brands" da arte contemporânea e ações de marketing das mesmas. Hoje seria possivel ter uma loja da Chanel vendendo a produção de arte contemporanea da marca dentro da feira. Se são produtos feitos para serem vendidos, como pode ser o melhor da arte? Tanto é que as pessoas gosta das feiras porque são produtos feitos para serem assimilados muito facilmente. Concordo que o modelo de bienal está esgotado porque artistas tem maiores e melhores possibilidades de apresentarem suas obras logo após serem concebidas sem a necessidade de aguardarem a oportunidade de apresentarem em uma bienal. Além disso as bienais viraram espaço para intelectuais e nao para o público geral. O melhor da arte está entre os espaços das bienais e das feiras de arte, ou seja, nos museus, happenings, eventos, exposições, artistas underground com ótimos trabalhos e que nao se apresentam para o publico mainstream, etc...

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  3. travei no adjetivo em francês. Vou adota-lo. Vou ter um cachorro com este nome.

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