sábado, 18 de outubro de 2014

FILIPINO LINE DANCING!


Quatro anos atrás, David Byrne e Fatboy Slim lançaram a trilha sonora de "Here Lies Love", uma ópera-disco sobre a vida da ex-primeira dama filipina Imelda Marcos. Na época amei o disco, mas achei que jamais teria chance de ver o espetáculo montado. Tive: fiquei sabendo que ele estrearia em Londres, e incluí um rasante na capital inglesa nesta minha viagenzinha só para poder vê-lo. Não me decepcionei. O libreto não é grande coisa dramaturgicamente - a história é contada em linha reta, sem nenhum artifício - mas a direção de Alex Timbers é excepcional. Uma das salas do complexo do National Theatre foi reformada para se parecer com uma boate, e eu fiz questão de estar na plateia em pé, na "pista", bem no meio do fuzuê. Tive que me incorporar à peça e aprender o filipino line dancing, uma versão asiática do antigo hustle. É fácil: left, right, left right, up, down, up, down... Mesmo assim, algumas velhinhas sacudidas dançavam muito melhor do que eu. Tudo isto enquanto plataformas se formam e se desmancham à nossa volta, com os atores rodopiando bem na frente dos nossos narizes. O elenco, todinho de ascendência oriental, é nada menos que fantástico. A protagonista Natalie Mendoza consegue a proeza de cantar e dançar maravilhosamente e ser ainda mais bonita que a Imelda original quando jovem (a atriz que aparece no vídeo acima não é ela, é a da montagem de Nova York). "Here Lies Love" foi uma das experiências teatrais mais incríveis que eu tive na vida. Valeu a pena ter esticado até Londres.

14 comentários:

  1. Não consigo imaginar isso dando.liga no enredo. Ela é um personagem detestável! Qual o viés da peça? Os tratam "mocinhos"?
    Sobre a experiência, me lembra um pouco o Fuerza Bruta, um primo pobre, digamos.

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    1. Não tem quase nada a ver com o Fuerza brita. Só fato de parte do públcio estar de pé. de resto, é teatro musical num palco não convencional. E de pobre não tem xongas, sorry.

      O viés é super crítico a Imelda. Termina com ela e o marido sendo depostos. Dizem que ela ouviu a trilha e gostou das músicas, mas odiou a ideia do espetáculo.

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    2. So p esclarecer, chamei o fuerza de primo.pobre. obvio q uma produçao em londres (com um teatro vivo e produçoes incriveis) nao seria.
      O mais inacreditavel é ela ser tratada por muitos thais como exemplo.politico. pelo menos, a peça nao é chapa branca.

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  2. Anônimo4 de maio de 2010 12:10

    Mas, musical sobre a viúva de um ditador corrupto de republiqueta terceiro - mundista, que tinha não sei quantos mil sapatos às custas de exploração e corrupção deslavada?

    Pra mim, o mesmo valor de fazerem um musical sobre Rosane Collor.


    .............................

    Só não curti o "republiqueta terceiro - mundista" (muito preconceituoso...). Mas o resto do comentário é certeiro. hehehe

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    1. Não, de certeiro não tem nada.

      Vocês parecem ter uma ideia muito equivocada sobre o que é arte.

      Então quer dizer que só personagens virtuosos merecem ser retratados no teatro? Uma peça não é necessariamente uma homenagem.

      Édipo, Hamlet, Macbeth, toda essa turma era meio fraca de caráter.

      E Rosane Collor daria um musical e tanto. Só com música sertaneja, que tal?

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    2. Concordo! Uma peça com elementos cadomblé, festas high society, traição, poder, tóxicos e mtaaaa cobiça.
      Tipo, hamlet on pills.

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    3. Rosane Collor, com aquele vestidinho de florzinhas miúdas, sapatos e bolsa no mesmo tecido -- eternizados os quatro por belo cartoon de Chico Caruso -- daria uma apoteose digna de Ethel Merman e Patty Lupone. Você esqueceu do forró na trilha de Rosane.

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    4. Nessa linha de pensamento, só Dilma Roussef - a jovem burguesa que se tornou guerrilheira e assaltante de bancos pela democracia castriana e, promovida a poste mãe da nação por um lider demagogo, chegou a presidenta sem milhões de sapatos, mas com porrilhões de laquê - poderia gerar um musical válido. Mas esse nem Sondheim lograria realizar.

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    5. Tony, avise ao Felipe que, desde Guys and Dolls, na década 50 do Século XX, os musicais passaram a retratar mais os bandidos que os mocinhos, barbeiros assassinos, coristas fracassadas sem saber o que era nazismo, advogados espertalhões e mulherzinhas assassinas para sair no jornal, prostitutas e bichas locas aos montes, entre outros.

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    6. Conclusões precipitadas, caro Tony...

      Não, não acho que somente os "mocinhos" merecem o holofote.
      Não, não vejo o mundo sob uma ótica maniqueísta.
      Não, nem toda obra é homenagem...
      Quanto à Rosane, acho que o autor do comentário quis apenas comparar a importância histórica de uma Collor e uma Mendoza...

      Eternizar de maneira lúdica e positiva uma perua que calçava o suor e o sangue de milhões de explorados não é nada glamoroso. É bem imbecil, pra ser sincero.

      Quanto ao forró e ao sertanejo... Alô, bichas preconceituosas!

      Parece que quem vê o mundo em preto e branco é o anônimo aí de cima. Quem falou em Dilma? Vc parece ser um pouco ressentido, hein? kkkkk

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  3. Olha a turma do Feliciano, Bolsonaro, Malafaia, Sherazade, Reinaldo Azevedo em ação: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/democracia/campanha-do-blog-boicotem-os-artistas-que-defendem-o-pt/ Quem quiser fazer parte dessa turma e ajudá-los a chegar no poder vá em frente. Eu tô fora!

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    1. E o que isto tem a ver com "Here Lies Love"?

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    2. Feliciano e Bolsonaro dariam musicais ainda mais instigantes que o de Rosane Collor.

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  4. Tony, como chama a música do 1:32?

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