segunda-feira, 22 de setembro de 2014

SANTINHOS DO PLÁSTICO OCO

Muitos anos atrás, eu tive a ideia de fotografar passagens da Bíblia usando bonecos da Barbie e da Ken. Por exemplo, o Anjo Gabriel anunciando à Virgem Maria sua iminente gravidez... Mas jamais pus mãos à obra. Bem feito: hoje eu poderia estar causando o mesmo rebuliço que os artistas argentinos Pool&Marianela, que abrem mês que vem em Buenos Aires uma mostra chamada "The Plastic Religion". Eles já divulgaram algumas imagens na internet: tem a Barbie vestida como várias iterações de Nossa Senhora (inclusive uma negra, representando a Aparecida) e o Ken como Jesus crucificado e muitos outros santos. Mas a blasfêmia não se resume ao catolicismo. Também sobrou para Buda, Iemanjá, Baphomet, Kali e até algumas divindades cultuadas apenas do outro lado do Rio da Prata, como o Gauchito Gil ou a Difunta Correa, que seguiu amamentando seu filho mesmo depois de morta. Esta figura, inclusive, pode gerar um processo movido pela província de San Juan, detentora exclusiva dos direitos da "marca". É exatamente este tipo de comércio que a explosição se propõe a criticar. Também cabem muitas outras interpretações, claro, e até entendo porque tanta gente está ofendida com este trabalho. Mas preciso dizer que eu adorei?

17 comentários:

  1. Puxa, só não fizeram Maomé.... Fazer "arte" com quem não revida é fácil, não é ? Só respeitaria se tivessem culhão pra fazer igual com TODOS os credos. Valentia seletiva não passa de covardia.

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    1. Isso parece argumento de evangélico: "queria ver se mexiam com os muçulmanos..." É fraco. Next!

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    2. Tão fraco que expõe a fragilidade da divindade: quem revida sempre são os fanáticos que a seguem, e nunca o ser supremo ofendido. Por que será, né? Todos esses deuses estão ocupadíssimos não existindo, enquanto trouxas se matam, se doem e se vendem por causa deles!

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    3. Tony, achei bacaninha o pouco que vi do trabalho etc etc. Mas concordo com o anônimo, sinto falta de gente com culhão pra mexer com os mulçumanos, que são infinitamente mais intolerantes com as diferenças que os católicos.
      Aliás, não acho corajoso ou sequer provocativo bolinar católicos nos dias de hoje - acho até meio covarde. Pra mim soa como o fodão da classe que, apesar da pose, só desrespeita o viadinho que não oferece perigo. Abomino isso. Perguntado sobre o limite do humor numa entrevista de 2013, Fábio Porchat esclareceu: "Eu, por exemplo, não faço piada com Alá e Maomé, porque não quero morrer!". Taí. O limite é a força do agredido.

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    4. Nelson, vc também? Esperávamos mais.

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    5. Qual será o próximo comentário deles, hein? Que não existe ateu em avião caindo? Gospel bitches, please!

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    6. Faz sentido. Afinal, muçulmano é sempre fundamentalista.

      Não canso de me surpreender aqui. Um blog que rotineiramente aborda preconceitos é permeado por eles.

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    7. Me mostra aí onde foi que eu disse que todo muçulmano é fundamentalista que eu não estou achando.

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    8. Acho q não ficou claro, Tony. Estava falando do Nelson e do anônimo das 22:08 e concordando argumento que voce deu.

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  2. Tony soberano, o próximo anônimo infame que vier contra argumentar com esse brilhante argumento de fazer piada sobre muçulmanos, peça pra ir pregar o catolicismo em praça pública no Afeganistão ou tentar evangelizar o Estado Islâmico! Vamos ver quem é o mais corajoso: o herege piadista ou o destemido servo do Senhor!

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    1. Fora que o islamismo não cultua imagens. Não há estátuas nas mesquitas, nem ícones de santos. É tudo proibido pelo Alcorão. Não há uma representação de Maomé que possa ser satirizada pelos artistas argentinos. Desse ponto de vista, a exposição deles é profundamente muçulmana: tira sarro de quem adora ídolos. Acho que o ISIS aprovaria.

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    2. Tá, mas não esqueça da revista francesa Charlie Hebdo que causou aquele furor publicando charges com Maomé. Era sátira. Tanto que deu o rebu que deu.

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    3. Causou furor porque o Islã não permite a representação da figura humana - de figura nenhuma, aliás. É para evitar a idolatria. Por isto que as mesquitas são cobertas de arabescos, que são padrões gráficos abstratos.

      A expsoição dos argentinos me parece criticar exatamente a idolatria e o comércio que se forma em torno dela. As divindades se tornam estátuas, que se tornam bonecos, que podem ser vendidos. O Islã não faz nada disso. Não há sequer um santo ou um deus muçulmano que possam ser retratados desse jeito. E eles não veneram a figura de Maomé, que é apenas um profeta - não há outro deus senão Alá.

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    4. Ai tchitchia como a sra e' burra!!! … vai uma aulinha gratis pra sra.: abstrato nao existe na cultura Islâmica!!!

      A sra tb deve entender muito sobre nuclear fusion KKKKKKKKKKKKKKKK

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    5. Os arabescos não são abstratos? Então são figurativos?

      Cada uma, viu.

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  3. O povo se caga de medo de mulçumano... hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha...

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  4. isto é de um brilhantismo único

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