segunda-feira, 21 de julho de 2014

TOC DE CLASSE

Giuseppe Tornatore já ganhou um Oscar e seus filmes são realmente acima da média, mas eu não consigo colocá-lo na lista dos melhores diretores em atividade. E não mudei de ideia com "O Melhor Lance", totalmente rodado em inglês numa cidade europeia não identificada (desconfio que seja Viena, por causa de um ".at."que aparece numa vitrine). O protagonista, feito muito bem pelo competente Geoffrey Rush, é um leiloeiro que despreza a humanidade e tudo o que ela toca, tanto que usa luvas o tempo todo. Prefere a companhia de obras de arte, que avalia por preços irrisórios para ele mesmo comprá-las e mantê-las numa sala secreta de seu imenso apartamento. Um belo dia, o sujeito é procurado por uma herdeira que quer se desfazer da coleção de sua família. Detalhe: ela se recusa a aparecer pessoalmente, falando primeiro pelo telefone e depois atrás de portas, num jogo de esconde-esconde que deixa o pobre leiloeiro com a pulguíssima atrás da orelha. Claro que esses dois portadores de Transtorno Obsessivo-Compulsivo acabam se envolvendo, e lá pelas tantas eu achei que se tratava da clássica fantasia do velho gagá que seduz uma moça algumas gerações mais nova. Mas o final é surpreendente, e divide opiniões. "O Melhor Lance" é longo demais, mas pelo menos é lindo de se ver e a música é de Ennio Morricone. Sua mensagem final é a de que mesmo o olho mais treinado pode ser enganado por uma boa falsificação. Mas nem assim me convenceu de que Giuseppe Tornatore seja um verdadeiro mestre do cinema.

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