quinta-feira, 17 de julho de 2014

REBULIÇO

E aí, vocês estão gostando do remake de "O Rebu"? Eu estou, mas preciso confessar uma coisa: vai ser difícil superar as lembranças que eu tenho do original. Eu tinha acabado de completar 14 anos quando estreou a primeira versão, e decidi que já estava grandinho para acompanhar uma novela das 10 (antes eu só via os capítulos de sexta-feira, porque não tinha aula no sábado - e adorava!). Como eu ainda não tinha vida social naquela época, "O Rebu" foi a primeira e única novela da qual eu vi absolutamente todos os capítulos. E foi uma porrada, porque a trama de Braulio Pedroso era moderna a mais não poder. Além da revolucionária narrativa em três tempos diferentes (antes, durante e depois da festa), deve ter sido a primeira novela brasileira onde a homossexualidade pôs um pezinho para fora do armário. Apesar da censura vigente, para mim ficou claríssimo que o anfitrião Conrad Mahler (hoje transformado em Ângela) matou a convidada Sílvia (feita por uma Bete Mendes ainda magérrima) porque ela ousou se engraçar com seu "sobrinho" Cauê. Ao contrário da versão atual, a identidade do morto só foi revelada no meio da história. Antes só víamos um corpo de terno na piscina. Para surpresa geral, era uma mulher - em dado momento da festa, a piração foi tão grande que todas as mulheres se travestiram de homens (ai, que saudades dos anos 70). E ainda teve lesbianismo: no final, a personagem de Isabel Ribeiro largava do marido para ficar com outra mulher. Tudo muito sutil, claro. Mas ao alcance de um adolescente que ainda nem sonhava em ser viado.

(além de algumas cenas avulsas, só sobraram dois capítulos completos da versão original: o primeiro e o de no. 92, que podem ser vistos no YouTube.)

11 comentários:

  1. temos a mesma idade...iclusive a mental...
    sem a menor duvida..foi a novela que deu o tom da minha maturidade!
    to amando...tem um cheio bom...
    tomara...que me atire contra a parede!



    ResponderExcluir
  2. Eu não era nascido nessa época, mas já tinha ouvido falar dela. Aliás, as novelas setentistas realmente valem a pena de serem revistas ou revisitadas (estou apaixonado por Dancin' Days no Viva), com enredos, tramas e personagens de tirar o chapéu!

    ResponderExcluir
  3. E essas gravatas? Pareciam enormes borboletas morpho.

    Saudades da Isabel Ribeiro.

    ResponderExcluir
  4. Que tristeza praticamente toda novela se perdeu no incendio de 1976, uma lástima porque não gosto de remakes e este então é heteronormativo, Angela não é lesbica e já entregaram nome do morto no PRIMEIRO capítulo (kd suspense??), por que fazem remakes?? DEVIA TER LEI PROIBINDO.

    ResponderExcluir
  5. Detesto a direção de fotografia da atual, tudo muito pálido, tomadas muito arrastadas, muita gente gritando 'assassino' a cada 5 min., definitivamente a original deve ter sido a trama envolvente que vc descreveu mas a atual já descaracterizou tudo, comprei agora dvd de Pecado Capital 1975 e sou veemente: novelas daquela década podiam não ter recursos tecnológicos de hoje, mas em termos de lógica, envolvimento e texto dramatúrgico detonam-trituram-reduzem a pó as de hoje, fataço.

    ResponderExcluir
  6. E o Ibope despencou pela metade no capitulo de ontem em comparação com a estréia. Flopou a novela.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bem feito, tem que investir em quem João Emanuel Carneiro ou Aguinaldo Silva supervisionar o texto daqui pra frente e deixar sucessos do passado pra lançar em dvd, porque já chega de classicos como este serem estuprados por gente incompetente.

      Excluir
  7. Remake dá entender quando alguem tá sem repertorio criativo e tem de lançar mão sobre obras alheias, o charme do original era a homossexualidade velada que funcionava como uma tapa na cara da censura fdp e tinha um charme a mais: trilha sonora com raridades de Raul Seixas compostas somente pra essa obra.

    ResponderExcluir
  8. Dizem que foi inesquecícvel essa novela, infelizmente por conta de não ter restado nada na íntegra jamais teremos o dvd original, se contentar com essa produção com clima de castelo mal assombrado é tenso, tentei assistir dois primeiros capítulos e abortei a missão.

    ResponderExcluir
  9. Nasci em 75 mas tenho fascínio absoluto pelas novelas dessa década, já comprei os melhores titulos que saíram em DVD (Irmãos Corage, Selva de Pedra ...) o povo pra driblar a maldita da censura era muito mais criativo que hoje novelas tinham tramas que não se encerravam, pelo contrário se multiplicavam e era uma delícia ver o novelo se desenrolar, desde abertura até as trilhas sonoras lançadas ainda no bolachão, hoje novelas são fábula do desencanto salve uma Avenida Brasil que surge de vez em quando.

    ResponderExcluir
  10. minha mae chamava de rebuceteio. por isso n deixava eu ver. compreensivel, era bebê ainda.

    ResponderExcluir