terça-feira, 15 de julho de 2014

DOENTES DE AMOR

Levei mais de um mês para conseguir arrastar meu marido para ver "A Culpa É das Estrelas". Eu queria ir porque me interesso por artefatos culturais de grande impacto; ele se recusava porque não gosta de histórias de garotos com câncer. No final fomos juntos e tivemos a mesmíssima opinião: o filme começa muito bem, depois desanda. Sim, os garotos têm câncer, mas a atitude realista e bem-humorada com que eles encaram a doença é quase que divertida. Está certo que o rapaz é um pouco sensacional demais para ser verdade, mas pelo menos é um só - se o livro original tivesse sido escrito por uma mulher (como o foram outros fenômenos, como "Crepúsculo", "Jogos Vorazes" e "True Blood") - o coração da mocinha estaria dividido entre pelo menos dois rapazes fantásticos. Bom, depois de uma introdução bastante razoável, o casal de pombinhos parte para Amsterdam em busca do escritor recluso que ela venera. E aí a coisa degringola ladeira abaixo, com uma cena mais ridícula que a anterior. Depois de um encontro bastante desagradável com o tal autor, eles vão passear adivinha onde? Na casa de Anne Frank! Nada como distrair uma menina que está morrendo do que levá-la na casa de uma menina que já morreu, não é mesmo? Pelamordedeus, vão numa coffee shop fumar maconha, pois vocês já estão desenganados de qualquer jeito! E depois desse escorregão, "A Culpa É das Estrelas" nunca mais se recupera. Pior: se arrasta por mais de duas horas, a ponto de fazer o espectador torcer para todo mundo morrer logo. Ou ele mesmo morrer, o que vier primeiro.

12 comentários:

  1. É... Câncer... O fantasma q vem de onde menos se espera... :/

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  2. Vai rolar um post sobre a Vange, Tony?

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    1. Não... Eu lia a coluna dela na antiga "Revista da Folha" e claro que conheço "Noite Preta", mas não conheço o suficiente para escrever a respeito.

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    2. Que pena. Fiquei impressionado ao ler que foram apenas 20 dias entre o diagnóstico e a morte, e gostaria de saber mais sobre ela do que o que as reportagens têm trazido. Ah, e procure ouvir "Esse mundo", canção muito bacana dela.

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    3. Esse Mundo é um hino lgbt, linda melodia, letra que fala que não precisamos usar mascaras ou ser o que vem imposto pelos outros, composta em parceria com Silmara Bedaque, sua companheira de toda vida. Fiquei triste porque ela foi uma das primeiras ativistas e quando estourou por causa do tema abertura da novela aproveitou o boom e se assumiu, isso repercutiu numa época pós-aids que ninguem ousava falar assim do nada que era gay ou lesbica, ganhou meu respeito. Era 1991 e ela assumiu-se no Programa Livre do Serginho Groisman, aquilo mudou minha cabeça, ver aquela mulher dizer que pessoas como eu e ela não éramos anormais. Lição de vida, R.I.P. Vange Leonel.

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    4. Ela foi grande,viu? Fico aqui pensando pq somos tão divididos das sapatonas...tu poderia escrever sobre isso, esse nosso desinteresse pelo mundo lésbico. Somos homens que só nos interessamos pelo universo masculino, mesmo?

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  3. Tb achei o filme ruim de doer ! Chorei pq o filme induz a isso...mas a questao da casa de anne frank pode ser uma metafora, uma comparacao davvifa das duas e tal ( isso vc sabe pois e macaco velho) nao acredito e no garoto que de tao perfeito que se torna inreal e con

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  4. Muito obrigado por enterrar de vez qualquer vontade que eu poderia vir a ter para ir assistir a esse filme!

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  5. olha não que seja uma obra prima contudo se for comparar com outros filmes vide crepúsculo e cia é bom sim
    mero

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  6. John Green é o escritor mais superestimado deste século. Em Will e Will, em parceira com o magnifico David Levithan, constrói os piores capítulos do livro. Situações clichês, diálogos bregas, sem um pingo de criatividade. Ainda assim pretendo encarar outras obras suas pra ter opinião definitiva.

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