terça-feira, 22 de julho de 2014

BELAS DA TARDE

Aproveitei a tarde de folga para conhecer o novo Belas Artes. Logo de cara, uma surpresa: o saguão do cinema continua idêntico ao que era na época do fechamento, três anos atrás. A bombonière continua no mesmo lugar, a lojinha também e até as placas com os nomes das salas permanecem iguais. Superado este pequeno choque, me bateu uma espécie de alívio. A geografia familiar me deu a sensação de que o tempo não havia passado. E também a de que só esfregaram um pano úmido nas instalações que já existiam. O que não é totalmente verdade: nem todas as salas já foram reabertas, e as poltronas da que eu fui estão tinindo de novas (mas podiam ser melhores - esta parece ser a maldição do Belas Artes, que nunca primou pelo conforto). Toda essa experiência foi mais intensa que o filme em si, o argentino "Filha Distante". Adoro o estilo minimalista do diretor Carlos Sorín, mas dessa vez acho que ele exagerou um pouco. Na tentativa de não soar piegas com uma história potencialmente melodramática (pai arrependido parte em busca da filha magoada), o roteiro acaba fazendo elipses demais e poupando o espectador de qualquer emoção mais forte. Mas o que importa mesmo é que um dos cinemas mais tradicionais de São Paulo está de volta, no que parece ser um movimento maior de recuperação das salas de rua. O cine Leblon do Rio de Janeiro, também ameaçado de cerrar as portas, foi salvo por uma aliança entre a prefeitura e os moradores do bairro. São notícias surpreendentes nesta época de downloads e streaming.

3 comentários:

  1. Essa história do Cine Leblon dá raiva. É o melhor cinema do Rio - com um clima retrô, salas confortáveis e num ponto ótimo fora de shopping. Não sei o que vai virar agora.

    O sonho do Grupo Severiano Ribeiro sempre foi explorar melhor aquele imóvel. Ele é enorme e fica em uma das áreas mais valorizadas do Rio. Porém o prédio é tombado e nunca conseguiram fazer nada.

    Que que eles fizeram então? Fecharam o cinema para ter poder de barganha e chantagear a prefeitura. Alegaram que a taxa de ocupação média das salas era de 10% (mentira porque todo final de semana lota) e que estava dando muito prejuízo (isso é muito difícil de acreditar em um cinema que não paga aluguel e tem um custo marginal de operar relativamente baixo).

    Acabou que o prefeito cedeu e vai destombar o imóvel. No terreno vão construir um prédio comercial de cinco andares e transformar as duas salas atuais em três salas 3D de última geração... ¬¬

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  2. O mio babbino caro
    ...E oque eu vou fazer com o velho Riviera, nas asas da Panair discutindo o Enigma de Kaspar Hauser com meus camaradas da QI...

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  3. Poderiam ter feito isso com os cinemas de rua da Tijuca. Uma saudade...

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