quinta-feira, 31 de julho de 2014

AS DEVIDAS PROPORÇÕES

É claro que eu estou horrorizado com o número elevadíssimo de mortes em Gaza. Também estou indignado com os erros cometidos por Israel, involuntários ou não. Mas não vou engrossar o coro dos que alegam ser "desproporcional" o embate entre o estado judaico e o Hamas. Israel está longe de usar toda sua força - e já pensou se os militantes islâmicos também tivessem a bomba atômica? E é beyond escandaloso o uso da população civil pelo Hamas como escudos humanos. Além do mais, nunca é demais lembrar que essa turma quer instalar uma teocracia medieval na região, bem parecida com o tal do Estado Islâmico que está surgindo entre a Síria e o Iraque. Outra coisa: andam pipocando pelo mundo inteiro manifestações contra Israel. Porque quase ninguém se manifesta contra o EI? Esses bárbaros já mataram muito mais gente do que morreu no atual conflito, usando métodos delicados como a decapitação e a crucificação (e há relatos de querem impor a mutilação genital feminina nos territórios que dominam). Sem falar na mortandade absurda da guerra civil síria, ou das vítimas do Taliban e da al-Qaeda, ou dos inúmeros focos violentos por todo o mundo muçulmano. Quando eles se matam entre si, pouca gente se importa no Ocidente. Está na hora de repensarmos nossos pesos e medidas.

(Se você lê inglês, respire fundo e enfrente estes dois longos artigos: "Why I Don't Criticize Israel", do filósofo ateísta Sam Harris, e "7 Things to Consider Before Choosing Sides in the Middle East Conflict", do escritor paquistanês Ali A. Rizvi. Extremamente esclarecedores.)

26 comentários:

  1. Tony, não existe justificativa para Israel. o hamas foi em parte viabilizado pq Israel queria fragilizar o Fatah. E a Irlandesa que foi atropelada por um bulldozer? Como vc justifica isso? Escudo humano?

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  2. Talvez exatamente porque Israel pretende ser um estado laico e democrático aceito por todo mundo. Criticar essas outros "movimentos" radicais é chutar cachorro morto. É óbvio que todo mundo espera as maiores atrocidades deles. De Israel esperava outras posturas, principalmente porque judeus já se viram do outro lado da moeda. E a questão dos escudos humanos é bastante complicada, hein? De acordo com o Lonelyplanet Planet que eu tenho aqui em casa, a Faixa de Gaza tem 1,55 milhão de pessoas vivendo numa área de 45km de extensão por 10km de largura. Esse povo vai correr pra onde, hein?

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  3. Tony, Israel não é o Sudão ou algum país do qual se espere explosões em escolas e afins. Se o Hamas é bárbaro, Israel não pode ser. Não tenho o desejo de crucificar, esquartejar, quem esquartejou um servente num prédio em São Paulo. Isso seria descer ao nível dessa pessoa. Numa comparação, é mais ou menos isso.

    Sua comparação é descabida justamente por você comparar Israel com países dos quais se espera esse tipo de conduta.

    É claro que Israel tem o direito de se defender. Mas escola bombardeada? É isso mesmo?

    Enfim...nessa história é bem difícil escolher um lado. Se é que é possível escolher um. Mas a arrogância dos israelenses é algo que incomoda. A forma de falar; as palavras usadas em nível diplomático que não se compatibilizam com o universo diplomático; etc.

    Sinceramente, não simpatizo. Nem simpatizo com o Hamas.

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    1. Tiago e João, vocês se deram conta da palavra que estão usando? Como assim, "espera-se" que países muçulmanos cometam atrocidades, mas não Israel?

      Não se pode esperar que NINGUÉM cometa atrocidades. Ninguém tem carta branca para isto, seja por qual motivo for - religioso, cultural, o escambau.

      Dizer que se "espera" que Sudão e afins ajam mal é tratá-los feito menores de idade ou retardados. Não são. É esse tipo de atitude que deixa esses países se sentindo no direito de cometer atrocidades.

      Israel está nas mãos da extrema direita, e isto é um horror sem limites. Mas ainda é um país democrático, sem equivalente por toda a região.

      Não estou defendendo Israel a qualquer preço. Eles emrecem sentir o desprezo do mundo neste momento. Mas o Hamas é uma das piores coisas do mundo.

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    2. Tony, Israel é um país desenvolvido, sustentado não só por suas próprias riquezas, mas também pelas riquezas daqueles que o ajudam, notadamente a comunidade judaica, que faz, inclusive, que 20% da ajuda dos EUA (foi essa a porcentagem que vi outro dia) vá para esse país com seu forte lobby. É um país com uma classe intelectual, com universidades, com um sistema democrático, com pluralidade, com parada LGBT.

      Essa não é a realidade de quase toda a África e de boa parte do mundo. Países como o Sudão estão, sim, prateleiras abaixo de Israel. Deles se espera que atrocidades ocorram 24h por dia, pois não há Estado de Direito; há irracionalidade; há fundamentalismo religioso em níveis governamentais. Enfim, mais ou menos isso que quis dizer.

      Israel, por suas boas qualidades, não parece estar agindo de acordo com o que esperamos de um país civilizado. Por isso toda a consternação.

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    3. João, não precisa repetir o mesmo comentário com outras palavras.

      Eu não vou repetir a minha resposta. Ela continua igual.

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    4. Tony, quem usou o exemplo do Sudão foi o João. Não o tinha em mente e nem acho que devemos tolerar atrocidades nele cometidas. Você trouxe exemplos como Talibã, al Qaeda, e um califado no Iraque que não é reconhecido por ninguém. Não são países que se pretendam apresentar ao mundo em relações diplomáticas como Israel. Dá a entender que você considera palestinos, Hamas e outros movimentos islâmicos radicais a mesma coisa. Não são. Assim como não considero judeus e israelenses a mesma coisa. É bom lembrar que vários movimentos que lutavam pela criação de um estado judaico ali eram considerados terroristas na época.
      O meu ponto não foi esse. Quis dizer que é fácil criticar esses movimentos radicais. E o fato de eles não estarem sob os holofotes atuais das críticas mundiais (já estiveram em outros momentos) não tira a legitimidade da crítica a Israel. Como você mesmo disse, é difícil escolher um lado nesse caso. Criticar um deles, que se apresenta como Estado democrático (e é em grande medida) não significa romantizar o Hamas. Como disse o Safatle num artigo recente, é triste que a postura atual de Israel dê ao Hamas a ocasião perfeita de posar de mártires.

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    5. Não repeti o mesmo comentário. Apenas rebati algo que pareceu uma distorção do meu primeiro comentário, uma vez que em momento algum eu disse que países muçulmanos cometem atrocidades e que isso é algo inerente a eles. Falei, primeiramente, de uma forma genérica e aprofundei minha opinião numa tréplica. Acho que país subdesenvolvido tende a ser mais irracional do que um país desenvolvido. Só isso. Eu pessoalmente adoro quando alguém discorda de mim. Celebro efusivamente a discordância, pois sem ela não haveria debate. Bjs

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    6. Eu já escolhi meu lado. O da joana.

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    7. Não temos que escolher lados. Isto não é um jogo de futebol. Todos têm suas razões e ninguém tem razão.

      A questão é complexa e, aqui no Brasil, tem caído na dicotomia esquerda/direita. esquerdistas apoiam a Palestina, direitistas apoiam Israel. Verdade que o governo atual israelense é praticamente de extrema-direita, mas o Hamas está longe de ser uma organização progressista.

      O meu ponto nem era defender Israel, e sim chamar a atenção para atrocidades ainda maiores que acontecem no Oriente Médio - e que no entanto não geram a mesma revolta. A Primavera Árabe degringolou em quase todos os países. Só na Tunísia, onde começou, é que as coisas parecem caminhar bem. O Estado Islâmico não é uma abstração: vai dizer isto para os milhares de mortos, vai.

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    8. Quadrinho do Laerte que ilustra bem o que eu quis dizer: http://www.facebook.com/jean.wyllys/photos/a.543112092403469.1073741832.163566147024734/725387674175909/?type=1

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    9. Tô com João e Tiago. Não deixa de ser um péssimo exemplo, e um importante lembrete de que a qualquer momento podemos voltar a 1914. Putin é outro que não nos deixa esquecer disso.

      A alegação de que ninguém se consternou com os outros conflitos no mundo árabe não poderia ser mais falsa. Eles estão diariamente nos jornais pelo menos desde 2001. A Síria praticamente monopolizou o noticiário nos últimos meses. A eventual diferença de escala se deve à importância que os judeus têm nos Estados Unidos, que pautam a mídia ocidental, e ao fato de Israel ser "um dos nossos", quando visto do Ocidente.

      A única coisa construtiva que esses fatos lamentáveis podem trazer é o debate sobre os limites da tolerância religiosa, ou da tolerância ao ódio incentivado pelas religiões. Um problema que envolve uma fatia assustadora da humanidade, mas que deve continuar fora do radar dos políticos e da grande imprensa por mais alguns anos.

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    10. É, acho que quase todo mundo concorda comigo. Viva a ala moderada.

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    11. Não, darling, quem concorda com vc é a ala esquerdista anacrônica. E só ela.

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    12. Agora explique a relação entre o esquerdismo anacrônico e tudo o que foi dito acima, se é que existe alguma.

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    13. Danny, onde existe esquerdismo em concordar que o Hamas é terrorista e que Israel reagiu de forma desproporcional? Você que faz parte da neodireita que acha que tudo é receita de bolo. Wake up, querido. Tenha a sua própria opinião.

      Eu, que tenho personalidade, pelo menos tenho a coragem de ser MODERADO e apontar erros dos dois lados, sem escolher algo algum.

      O seu discurso é tão patético, que parece o daquela pessoa que diz que defender aborto e casamento gay é coisa da esquerda. Enfim, um beijo para você.

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  4. Simplesmente não há resposta certa e solução fácil para esse conflito ou os outros horrores que estão acontecendo no mundo. Ninguém quer ceder, todo mundo se acha certo, se baseiam na bíblia, alcorão ou simplesmente em nada, todos se consideram injustiçados no passado ou presente e querem o apoio do resto do mundo à sua causa. Infelizmente vai continuar tudo como está ou ainda piorar muito. Que Deus tenha piedade de todos nós, porque os homens não terão um dos outros. Nunca.

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  5. Acho que, naquela região, Israel é o único Estado que, se pudesse, estaria agindo diferente. Não o faz porque não lhe restam alternativas diante de vizinhos tão loucos. Eu, no lugar deles, também não pagaria pra ver.

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  6. Estava aguardando seu post sobre esse conflito, Tony, e não me decepcionei. Concordo com cada palavra, e parabéns pela coragem de nadar contra a corrente dos "antenados" e não engrossar o coro de condenações a Israel.

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  7. Pra quem não sabe quem é Rachel Corrie http://pt.m.wikipedia.org/wiki/Rachel_Corrie outra coisa Tony, e quantos inocentes o Mossad já não matou?!! Pelo menos no Irã mesmo quem é apedrejado recebe direito a um julgamento, eles matam/destroem qq pessoa que pode vir a ser um risco a agenda de Israel. As 2 culturas n respeitam os direitos humanos.

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  8. Só eu acho que considerar a resposta de Israel desproporcional não significa exatamente defender o Hamas?

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  9. Tony, você disse tudo que penso a respeito do assunto. Ainda bem que não estamos sozinhos.

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  10. Tony, no texto vc compara os guerrilheiros do ISIS (Estado Islâmico no Iraque e Síria), que fazem mutilação genital, com os palestinos. Nada a ver uma coisa com a outra. Os palestinos são um dos povos muçulmanos mais liberais da região (em termos de costumes), e NÃO praticam mutilação genital. Dessa vez, sinceramente, vc pisou na bola!

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    1. Por favor, me mostre no texto onde eu faço essa comparação. Não encontrei.

      O que eu disse é que há, mundo afora, muitas manifestações contra Israel. E ainda não vi nenhuma contra o ISIS, que está fazendo coisas muito piores.

      Agora, não que o Hamas não quisesse fazer coisa parecida... É um grupo sunita radical, como o pessoal do ISIS. Estão tentanto impor uma teocracia medieval na faixa de Gaza, e são bem parecidos ideologicamente com o ISIS.

      Fora que os palestinos de Gaza elegeram o Hamas em eleições totalmente livres... Não é um grupo que se impôs pelas armas na região. não sei se ganhariam hoje as eleições, mas a verdade é que ganharam há alguns anos.

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  11. Precisamos de um novo rei Nabuco. http://www.imemc.org/article/68526#.U93vSZLcLOc.facebook

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  12. Joana adora que discordem dela, só que não! Bastou alguém falar algo que ela não concorda e já chamou de patético. Deve ser irmã da Luana Piovani por ser assim tão fofa e madura.

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