segunda-feira, 28 de julho de 2014

A FRAGILIDADE DO CASTELO DE CARTAS


Com apenas um ano e meio de atraso, eu finalmente me deixei abduzir por "House of Cards". Estou no meio da segunda temporada e me maravilhando com a qualidade da produção, dos roteiros e do elenco. Kevin Spacey tem uma das tarefas mais difíceis jamais dadas a um ator: Frank Underwood tem que deixar claro para o espectador quando está mentindo, ao mesmo tempo em que seu interlocutor precisa acreditar que ele diz a verdade. Talvez por isto mesmo o personagem quebre tantas vezes a quarta parede. Mesmo assim, tem algo em sua construção que me incomoda demais. Se você ainda pretende ver a série, é melhor parar de ler por aqui.

Parou? Não, né? Então segura porque lá vai: não gosto de Frank ser um assassino. Não é por moralismo, longe disto - afinal, estamos falando de ficção. Mas acho mais do que improvável que o vice-presidente dos Estados Unidos atire uma jornalista nos trilhos do metrô, quando um outro passageiro qualquer ou mesmo uma câmera de segurança poderiam flagrar sua peraltice. Não estou dizendo que um político inescrupuloso como ele seria incapaz de matar alguém. Mas com as próprias mãos? Gente assim tem quem faça este tipo de serviço. Entendo que os criadores da série pensam que deste jeito aumentam a carga dramática, mas para mim é um furo considerável num antiherói que, tirando este deslize, merece estar no mesmo panteão que Walter White, Don Draper e Tony Soprano.

10 comentários:

  1. You have a point! Mas a direção do Fincher beira a perfeição!

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  2. Tony, adoro seu blog mas está ficando cada vez mais difícil ler as letras brancas em fundo preto. Não sei se as outras telas estão ficando mais claras ou preciso ir a um oculista, mas de uns meses para cá, eu leio 5 minutos do post e as letrinhas começam a "embaralhar".

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    1. Vai ver um oculista, não deveria embaralhar.

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    2. Estou pensando em renovar o template do blog. Estou há quatro anos com este, está na hora de variar. Mas o fundo preto é tão a cara do meu blog... por outro lado, você não é o único que reclama. Vou pensar.

      Enquanto isto, já tentou aumentar o corpo das letras nos ajustes do seu computador?

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    3. Acontece comigo. Quando volta para a tela do google eu vejo até estrelas

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  3. Tambem não gostei, portanto, vi como o unico jeito dele mesmo ser o unico que sabia.

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  4. Sim, este lance de matar a menina foi um pouco demais. Tem aquele outro do threesome que ele faz com a esposa e... (não vou escrever o nome para evitar spoiler) que tambem me pareceu excessivo. Mas tudo bem. A série é ótima, e achei a segunda temporada melhor do que a primeira. O final é suuuper previsível, mas deixa com vontade de ver a terceira temporada, como tem que ser.

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    1. O 3some não é tão sem contexto se vc pensar que ele tem aquela relação de amizade com o amigo de infância tbm bem erótica.

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  5. Eu curto o fundo preto, é o único site que frequento assim, acho exclusivo, acho V.V.I.P.

    House of Cards é mara, amo, e realmente a maneira como ele assassinou a jornalista foi babaca, mas confesso que achei a metade final da 2a temporada beirando o inverosímel. Perdoei de novo porque todo o resto mata a pau. Kevin Spacey RAINHA DA DRAMATURGIA.

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  6. "House of Cards" surpreendeu-me pela qualidade da produção, sinal que a Netflix está investindo pesado e o sinal do sucesso está evidente com as indicações ao Emmy.

    Agora preciso lembrar daquela que já considero diva: Claire Underwood (Robin Wright). Não só diva como uma perfeita bitch quando necessário.

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