domingo, 18 de maio de 2014

WE CAN BE HEROES

O cinema de Karim Aïnouz nunca foi fácil. O diretor cearense gosta de longos planos-sequência onde a câmera permanece fixa enquanto, por exemplo, uma moto segue pela estrada até sumir no horizonte. Mas também abusa das elipses, sem explicitar como se chegou de um ponto a outro. Isto acontece no começo de "Praia do Futuro". Logo depois do salva-vidas interpretado por Wagner Moura comunicar a um turista alemão que o amigo deste morreu afogado, os dois já estão transando dentro de uma viatura oficial. Como é que uma notícia fúnebre se transformou num momento de sexo desenfreado? Aïnouz tampouco explica as razões que levam o brasileiro a abandonar tudo e a seguir o gringo até Berlim, onde se instala e perde contato com a família. Anos depois, seu irmão caçula, que ele não viu crescer, aparece para tomar satisfações. Jesuíta Barbosa, grande revelação do ano passado, está irreconhecível e fantástico no papel, mas o filme pertence a Wagner. Ele literalmente se joga num personagem difícil, cujas motivações não são claras, sem o menor medo de se expor pelado (está com um corpaço) ou de se esfregar em outro homem. "Praia do Futuro" é uma equação onde duas duplas masculinas - dois amigos, dois irmãos - se separam, para que uma outra - dois amantes - possa se juntar. Tenta transmitir só com imagens o conflito interno de seu protagonista, mas no final há uma locução em off que parece imposta pelos produtores para dar uma satisfação ao público. Funciona, pois deixa o filme mais redondo. E justifica os créditos finais ao som de "Heroes" do David Bowie, que está virando o equivalente berlinense de "Cidade Maravilhosa".

47 comentários:

  1. Eu não vi o filme, mas só de ver o trailer com Heroes tocando nas cenas em Berlim, fiquei com a impressão que a metade final do filme é só pra mostrar "Berlim para brasileiros". Só conversei com gente que viu o filme e tiveram a mesma impressão. O personagem do Wagner vem pra Berlim para experimentar o clima de hedonismo e pronto.
    E apesar do forte vínculo do Bowie com a cidade (a exposição chega aqui semana que vem, uhu!), eu não sinto essa conexão entre Heroes como se fosse o hino extra-oficial da cidade (e olha que eu fui no Hansa estúdio, eu vi a sala onde ele teve a ldeia da música vendo o produtor dando uns amassos numa cantora que também estava gravando por lá encostados no muro).
    Enfim, só posso dar uma opinião melhor depois de ver o filme. Acho que tem boas chances de passar aqui. Ver no festival é pior que guerra pra conseguir ingresso.

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    1. Caralho, então porque não vê o filme primeiro para dar uma opinião, homem do Hansa estúdio.

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    2. Devem ter visto outro filme, se te falaram que "mostra Berlim para os brasileiros". A cidade em si não é muito explorada, poderia ser qualquer outra na Alemanha.

      Os motivos da mudança de país não são explicitados, mas com certeza não foi para a viver vida loka que ele viajou. Tem o fato de ser gay e poder expressar a sexualidade, mas é mais complexo do que isso. O que gostei do filme foram esses espaços que ficam abertos para interpretação.

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    3. Ah, sabichona europeia sabe de nada... inocente.

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    4. O Daniel adora dar um close. Deixa ela em paz, pessoal!

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    5. bixa metida a bosta da porra. pra se amostrar tanto, deve tá é na merda, vice? rala e fedida.

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    6. Quanta ódia no S2, kkkkkk.... Deixa ele falar a little bit do Hansa studio e que não, a musica Heroes do Bowie não representa Berlim, kkkk.... Ai ai....

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    7. é uma bicha metida mesmo, PQP!!!

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  2. O filme é muito bom... as lacunas a gente preenche, o que torna a experiência mais interessante.

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  3. corpaço? santo deus, gosto é como pâncreas.

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  4. Mostrar Berlim para os brasileiros é a crítica mais vazia que poderia ter sido feita. Ainda mais por quem não viu...

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    1. Pois é, até porque o filme tem muito pouco de "turístico". Mostra uma Fortaleza feiosa, uma Berlim cinzenta… E o Karim mora em Berlim há alguns anos, então conhece a cidade bem. O personagem de Wagner não vai para Berlim para curtir o clima de hedonismo (embora apareça em algumas baladas), vai porque se apaixonou, porque seu momento pedia um lugar onde pudesse expor seus medos. A história do filme, embora singela, é contada de uma forma muito bonita. Gostei.

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  5. Eu não assisti, imagino que seja um bom filme como o Céu de Suely, mas o que parece ser mais impactante no filme é o reencontro dos irmãos e as cenas de trepada, pq quem assiste sempre comenta as mesmas coisas!
    Então, vamos ver o Wagner trepando ou melhor, interpretando! rsrs

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  6. O Wagner Moura é circuncidado? Dizem por aí.

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    1. Sim, ele tem uma bordinha kkkkkkk

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  7. Jesuita Barbosa é do babado,amei saber disso.Ele e Fabio Audi formam um belo casal!

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  8. Talvez Londres, Paris e NY façam a cabeça das bichas país a fora, mas Berlim tem algo de exótico pros gays de Fortaleza. Pesquise um pouco sobre a Casa de Cultura Alemã da Universidade Federal do Ceará... Até bem pouco tempo atrás o único curso de alemão do Estado. Muitos gays estudando lá, muitos programas culturais, as bunitas iam visitar a Alemanha durinhas e voltavam semi-travas... Sair, ir embora, sumir, enfim, tb é algo muito comum por aqui. Faz parte da cultura local: recomeçar longe de tudo e de todos. Antigamente tinha algo a ver com a migração causada pela seca, hoje em dia o hábito permanece, mas por outros motivos. Bem, é a cabeça de um cearense, o diretor só esqueceu que o filme não seria exibido apenas no Ceará...rsrs

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  9. Depois de ler sobre o filme não sei se devo ver ou não mas como gosto de ter minha visão sobre as coisas ele deixo de estar na prioridade no momento rs.
    Valeu pela dica.

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  10. Daniel, que raso!!! Avaliar um filme por terceiros e pelo trailer! Primeiro que a parte de Berlim é nos dois terço e na metade. A cidade serve de cenário, mas não é um filme de Woody Allen que viaja atrás de grana em troca de takes e takes turísticos. Berlim, aparece pouco enquanto cidade. Por exemplo, a Fernsehturm quase não aparece e vc deve saber que ela é bem presente no skyline da cidade. O seu comentário tem um ranço que venho percebendo em brasileiros migrantes - o de na tentativa de não parecerem deslumbrando com a nova vida no """1º"""" mundo encarnam um "blasesismo" e são visto a todo custo ganhar um ar local que jamais terão - assim como dificilmente perderam o sotaque. O personagem não vai a Berlim experimentar um clima de hedonismo e pronto, sejamos menos preguiçosos. A dúvida que fica é: podia simplesmente assistir antes?

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    1. Atorei o perigón da Fräulein Klunn...

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    2. Arrasou, Louise!

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    3. Nossa. Foi tão difícil entender a parte que eu disse que não vi o filme? Não queria perder a oportunidade de comentar, mas tenho 200% de noção que minha opinião pode mudar.
      E não. Não podia comentar depois de ver o filme porque a estreia dele aqui ainda não tem data.

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    4. Daniel, fica quietinho!
      Saiba o momento de calar.
      Todos entenderam que tu não viu o filme, o que ninguém entendeu foi o porquê de tu vir dar opinião sobre algo que tu não viu.

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    5. Arrasou, Louise! (2)

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    6. Gata, a senhora deveria sim ter perdido essa oportunidade. Melhor que falar o que falou... Enfim, falou demais e está sendo enrabada no mau sentido aqui!

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    7. Daniela, pq vc não começa a comentar sobre filmes que não foram filmados ou não finalizados. Da no mesmo!

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    8. Rameiras do Ritmo19 de maio de 2014 21:16

      Quanta falta de amor no S2 pelo Daniel [pronuncia-se déniel, please], assim o sr. comentarista parte meu coração tambem, seu Petrucchio #OCravoEaRosa

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  11. Adorei essa Tony: "Tenta transmitir só com imagens o conflito interno de seu protagonista"
    Mas, pra mim, as imagens não foram suficientes para dar credibilidade à história e aos personagens... O personagem do Wagner Moura e do ator alemão ficaram tão inexplicados em tantos aspectos que simplesmente parecem não ter sequer entrado de fato na história. Podemos até supor, completar os espaços deixados pelo roteiro. Mas, no caso desse filme, essa atividade, que pode ser muito instigante, é simplesmente infértil e entediante... não leva o telespectador para lugar nenhum...Apenas o personagem Ayrton(irmão de Wagner Moura) foi bem construído e ele, o personagem, rouba a cena. Aliás, no momento em que ele entra realmente em cena, o espectador está tão desesperado para que algo aconteça, que não consigo nem mesmo saber se há méritos no Ayrton ou demérito em todo o resto do roteiro....Nota 6 para o filme....

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  12. Os planos sequencias cansam um pouco mesmo, mas não comprometem. Já as elipses se encaixam perfeitamente no filme. Como disseram ai em cima, até enriquecem a experiência. Não fazem falta as explicações de como chegaram naquelas situações, o importante é o que está acontecendo.

    Os atores estão mesmo incríveis! Impressionante como o Wagner Moura se passa por um cara de vinte e pouco anos no começo do filme.

    A narração no fim e a música do Bowie com aqueles créditos em cores gritantes ficaram meio incoerentes com tudo que foi visto antes. Mas o que eu não gostei mesmo foi o trailer, que entrega toda a história e passa a ideia de um filme bem diferente, com outro ritmo.

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  13. Doido pra ver a pirok do Wagner Moura. Por enquanto é só isso.
    #dessas :D

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    1. não tá perdendo muita coisa não.

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    2. I don't give a damn about Moura's dick.

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  14. Estou vesgo e tonto lendo os comentários com letras brancas e fundo preto. Só eu?

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    1. Vc já ouviu falar em oftalmologista? São aqueles medicos que cuidam dos olhos! Recomendo pra vc.
      Se a grana estiver curta, usa o zoom do Internet Explorer "Ctrl +".

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  15. Tony, fui ver o filme ontem. Não entendo nada de cinema, gosto ou não gosto da coisa. Ainda não decidi. Gostei de algumas coisas como a bunda do alemão e achei outras tenebrosas, mas no fim me identifiquei com o Aquaman em algumas questões!

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  16. Parece que últimos comentários foram feitos por sequelados ou foragidos do hospício.

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    1. Não, são apenas a mesmas bichas burras de sempre.

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  17. Gostei de ter visto, mas preciso admitir que saí com a sensação de muita pose pra pouco conteúdo, muita beleza (nos takes poéticos, na fotografia, até mesmo na feiúra das locações) pra pouca história. Toda a displicência do filme parece ter sido milimetricamente pensada, e isso tira um pouco do tesão, tudo soa artificial demais. Cada um dos elegantes enquadramentos do diretor parece querer passar uma mensagem a ser compreendida, uma referência a ser captada, um contexto a ser notado, um enigma a ser de decifrado, e a certa altura isso começa a pesar. Concordo com o João Pedro quando afirma que o trailer engana, concordo com o Bruno quando diz que as imagens, por mais que se esforcem - e cara elas se esforçam! - não são suficientes pra sustentar os personagens de Moura e do alemão. É tudo lindo mas vazio. É tudo inevitavelmente pretensioso. Saudades de "O ceu de Suely".

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    1. Concordo com voce Nelson. Poderia ate ser um curta com o conteudo que oferece. Agora entendo porque muitos expectadores saem no meio da sessão. Nao deve ser pela tematica gay. Longos silencios precisam ser justificadamente construidos para serem suportados pelo telespectador comum. Otimo filme para festival.Antonio C.

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  18. Independente de tudo vou vê-lo amanhã. Não me lembro de ter assistido qualquer filme deste diretor, então não conheço muito de sua perspectiva, mas pelo que está parecendo, vai ser um bocado diferente do que o mercado propõe. O chato é que vem novamente o clichê de enfeiurar os personagens nos filmes com gays. Vi no trailer que o Wagner ficará com um cabelão horrível na segunda metade do longa.

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    1. Ellen Degenerada20 de maio de 2014 20:42

      Karim foi o responsável pelo fantástico Madame Satã, de 2002, filme que tb abusava de cenas de sexo gay e que lançou Lázaro Ramos para o grande público. De nada.

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  19. Genteeeeeee eu nunca ri tanto nos coments do blog......... suas doidas!!!!! estão hilárias e venenosas hj!!!!!

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  20. Tony, olha isso: http://bananasbusiness.blogspot.com.br/2014/05/homens-se-revoltam-com-cenas-gays-no.html

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    1. Na minha sessão não reparei em ninguém saindo, mas na do meu colega de trabalho ele afirma que mais de 30 pessoas se levantaram e foram embora. :/

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  21. Eu queria escrever sobre o filme, que me pegou e ficou na minha cabeça por alguns dias... mas os comentários são tão malucos que é melhor deixar todas extravasarem... Mas se alguém ainda for assistir, tente deixar um pouco de lado essa necessidade de racionalizar toda informação que chega... é cinema pra experimentar...

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