domingo, 11 de maio de 2014

TIRO CERTEIRO

Os americanos já fizeram filmes sobre a campanha que elegeu Obama. Por lá existe a cultura de dramatizar o poder, mesmo que quase sempre isto desagrade a algum dos lados envolvidos. Brasileiros gostam de consenso - talvez por isto quase não existam bons filmes (excluindo os documentários) ou séries sobre a nossa política. Outra razão é nosso autoritarismo atávico, reforçado por 21 anos de ditadura militar. Mesmo sabendo de tudo isto, é surpreendente pensar que o suicídio de Getúlio Vargas levou 60 anos para chegar às telas dos cinemas. Pelo menos chegou bem: "Getúlio" é um filmaço, reunindo na ficha técnica o crème de la crème do talento nacional. O roteiro de George Moura consegue não só ser fiel aos fatos como reproduzir diálogos inteiros sem resvalar na chatice: é enxuto, sem barriga, claro sem ser didático. A trilha sonora é melhor que a de muito vencedor do Oscar. O diretor João Jardim surpreende com planos detalhistas, como um close num prato de comida ou nos dedos que rodam um charuto. E só não digo que o elenco está perfeito porque Tony Ramos vai além. Ele é ajudado por uma caracterização esmerada, mas é seu trabalho como ator que nos faz esquecer de sua persona televisiva e acreditar que estamos mesmo vendo o caudilho. "Getúlio" é um filme grandioso que o cinema brasileiro devia ao país.

5 comentários:

  1. Se liga ae, tony
    http://www.slate.com/blogs/the_slatest/2014/05/10/michael_sam_kiss_the_st_louis_rams_pick_the_openly_gay_missouri_star_in.html

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    1. Já tinha visto no Twitter. Amanhã solto um post a respeito.

      E o Getúlio, hein?

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  2. realmente, um raro filme sobre política no Brasil que engrena bem e não te deixa com sono ou decepcionado. acertada a decisão de exibir os personagens reais ao final do filme. aliás, engraçado que o filme que meio que coroa o amadurecimento da produção nacional nestes quase 20 anos de retomada seja produzido pela carla camurati, uma das protagonistas da retomada do cinema nacional na primeira metade dos anos 90.

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  3. O Cunha Jr do Metrópolis disse que o filme é cansativo por ser didático demais, inclusive com direito a algumas legendas explicativas e também pela trilha sonora, que segundo ele tem um violino que não dá trégua aos ouvidos. E agora? Vejo ou não vejo... Tenho os dois pés atrás com filmes padrão Globo. Pelo cometário dele, lembrei de "Olga"...

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  4. O grande problema do filme é que a toda hora lembramos do comercial da Friboi :/

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