domingo, 30 de março de 2014

NÃO QUERO QUE DESENHE

Animação é legal demais para ser exclusividade das crianças. Nem por isto toda animação para adultos consegue ser legal. "O Congesso Futurista", por exemplo, é um tremendo equívoco. O filme simplesmente não tem um ponto de vista. Ou melhor, tem vários: o foco da história muda o tempo todo, levando à conclusão de que o diretor israelense Ari Folman não tinha nada a dizer. E olha que ele surgiu no cenário internacional com o inovador "Valsa com Bashir", um documentário animado sobre os massacres em campos de refugiados no Líbano que foi indicado ao Oscar. O começo desse "Congresso" até promete: a atriz Robin Wright (de "House of Cards"), fazendo uma versão mais trágica de si mesma, recebe uma oferta tentadora de um estúdio de cinema. Se ela permitir que façam uma cópia digital de si mesma para ser usada em filmes rasgadamente comerciais, entrará numa bolada e poderá cuidar do filho doente. Toda essa parte inicial é interessante, apesar do ritmo devagar-quase-parando. Mas aí a trama dá um salto de vinte anos para o futuro, e Robin vai a um inexplicável congresso onde todo mundo é desenho animado. Inclusive ela, depois de tomar uma poção mágica. DETESTO o recurso barato da poção mágica: só Alice no País dos Maravilhas e Asterix tem permissão para usá-lo. E o que vem em seguida é sem pé nem cabeça, apesar do visual delirante. A certa altura Robin cai numa espécie de paraíso virtual onde todo mundo pode ser o que é, ou o que gostaria de ser: Jesus, Buda, Frida Kahlo, Yoko Ono... Mas dura pouco, e antes do final voltamos ao "live action", agora em clima pós-apocalíptico. Também DETESTO qualquer coisa que cheire a pós-apocalipse, e portanto detestei o filme. Um congresso de periodontia deve ser mais divertido.

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