segunda-feira, 17 de março de 2014

EU TAMBÉM SEI TIRAR O CAVACO DO PAU


Maria Alcina surgiu em 1972, no auge da ditadura militar, mas numa época em que a cultura brasileira era bem menos careta do que hoje. Não se parecia com nada: o vozeirão rouco, o carisma em cena e o visual espalhafatoso fizeram dela uma queridinha dos programas de TV. Era uma espécie de precursora nacional de Lady Gaga. O sucesso avassalador durou pouco, mas Alcina continua por aí, fazendo shows e gravando de vez em quando. Acaba de sair, com dois anos de atraso, o disco que comemora seus 40 anos de carreira: "De Normal Bastam os Outros". É animadérrimo, misturando marchinhas de carnaval, sambas antigos e novidades vanguardistas, sem um pingo de saudosismo. O melhor momento é o dueto com Ney Matogrosso em "Bigorrilho", possivelmente a música mais pornográfica de todos os tempos - sem nenhum palavrão, ela consegue suscitar imagens mentais muito mais perturbadoras do que qualquer coisa cantada por Tati Quebra-Barraco. Maria Alcina precisa voltar logo ao mainstream: ela ia arrasar no "Domingão do Faustão".

7 comentários:

  1. Fui a um show dela há algumas semanas e me diverti muito. Ela tem um senso de humor meio auto destrutivo e muito ousado que é raro em pessoas da idade dela. Além de uma energia, uma voz e uma sensibilidade incríveis.

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  2. É lindo ver como ela parece autêntica. Um oásis neste mar de mesmice.

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  3. Tony obrigado me diverti muito vendo esse video e SALVE ALCINA E NEY

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  4. Que bom que ainda temos pessoas na mídia,como voce ,que dão valor a esses talentos esquecidos da grande mídia.
    Foi muito bom ve-la ainda na ativa.
    Um grande abraço!

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  5. Realmente ela é das mas singulares ou autênticas ou brasileiríssimas ( considero-a a mais) das cantoras brasileiras, além do enoooooorme talento, da ousadia, da irreverência e do vozeirão trovejante. Um talento tão de exceção assim (nunca seguiu padrão mercadológico algum), só se compara com Carmem Miranda e Ney Matogrosso, no Patropi...mas cada um com suas abençoadas especificidades artísticas. Esta foto incrivelmente artística demonstra tudo isto que tentei digitar. Pena que só faz sucesso quem faz concessões ou é medíocre.Mas para quem prestigia a arte acima de tudo, ela é referência respeitabilíssima.
    Marcos Lúcio

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  6. Anastasia Beaverhousen18 de março de 2014 18:39

    Viajei agora...
    Tem coisa mais maliciosa e engraçada do que 'calor na bacurinha'?

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  7. A Felicidade Custa Caro, Work Bitch!22 de março de 2014 12:22

    Quando era criança e via ela no Chacrinha jurava que era um homem travecado de árvore de natal à la Mamma Bruschetta, mas só que não, ela sumiu mesmo junto com a Elke Maravilha, essa sim a personificação de Gaga nos anos 1980. Apesar dela ter uma puta personalidade e presença, não gosto da voz dela.

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