quarta-feira, 5 de março de 2014

CRIMEIA E CASTIGO

Nikita Kruschev cedeu a península da Crimeia à república soviética da Ucrânia em 1954. Foi um gesto simbólico para comemorar os 300 anos de "união" entre russos e ucranianos: na prática, a região continuou sob o domínio da URSS. Também foi um exemplo cristalino do esforço que os soviéticos faziam para embaralhar as fronteiras entre suas 15 repúblicas e dificultar uma eventual separação (Stálin fez uma barafunda com os "stãos" da Ásia Central que persiste até hoje...). Dito isto, não há porque se horrorizar com as pretensões de Putin sobre a Crimeia. A bela península sobre o Mar Negro tem população de maioria russa, e seus laços históricos e culturais com a Rússia são muito mais fortes do que com o resto da Ucrânia. Que, aliás, durante muitos séculos, pertenceu à Polônia; depois foi anexada pelos czares e rebatizada com o nome atual, que significa "borda" ou "margem". De onde? Da Rússia, é claro. Hoje em dia temos horror a qualquer redefinição de fronteiras, mas acho que a solução mais rápida e indolor para o conflito que se arma no leste da Europa seria simplesmente entregar a Crimeia (e talvez mais um pedaço do leste da Ucrânia) para a Rússia. Resta saber se isto saciaria a fome de Putin, que não só quer restaurar o máximo possível do antigo império soviético como se eternizar em seu comando.

15 comentários:

  1. Desculpe não comentar sobre essa postagem, mas tentei comentar sobre sua coluna no F5 e desisti. Que chato o sistema de comentários!
    Enfim, queria parabenizar o que você escreveu no post "Após entrevista 'animada', tribunal da internet 'condena' Vera Fischer".
    É exatamente assim que vejo, um verdadeiro tribunal de inquisição, onde todos são juízes cruéis de todos. Uma lástima!
    Adorei seu texto!

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  2. É golpe, é golpe!!! Tony Goes do lado dos golpistas russos! Eu sabia que você era do Partidão!

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    1. E existe elemento mais pernicioso para a sociedade brasileira do que um comuna disfarçado de gay dos Jardins?

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    2. Existe. Macarthistas perdidos no espaço-tempo.

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    3. Esses são de fato presença muito expressiva no panorama político brasileiro da última década. Ou seriam um delírio onírico?

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  3. Golpe é o que foi dado no presidente eleito da Ucrânia pelos black blocs locais, só que o s de lá trazem com eles uma suástica...A população da Criméia, em sua imensa maioria, se sente mais russa do que ucraniana, então que tal aplicar o mesmo peso e mesma medida que foi aplicado aos kosovares, bósnios, tchecos, eslovacos? Por que o nacionalismo de alguns vale mais do que o nacionalismo de outros? Não se trata de direita ou esquerda, e sim de racionalidade.

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    1. Não entendi: todos as dezenas de milhares de manifestantes da Praça da Independência, em Kiev, traziam com eles suásticas?

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    2. Não, mas dois dos partidos que compõem o governo interino são assumidamente fascistas, e a "linha de frente" da manifestação, principal responsável pela queda do presidente (por mais corrupto que ele tenha sido) democraticamente eleito, utilizou de extrema violência em seus atos, violência que também tem sido aplicada, nas ruas de Kiev, à judeus (o rabino da cidade já pediu para a comunidade abandonar a região) e...gays...Sim, grande parte da imprensa finge ignorar isso, mas basta vc dar uma volta no google pra descobrir a verdadeira cara de "primavera ucraniana"...Putin tem muitos defeitos, mas não é o monstro pintado pela mainstream (Western) media...

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    3. Putin tem muitas qualidades, sem dúvida. Se manter no poder por tanto tempo, ora como presidente, ora como primeiro-ministro do poste que ele elegeu presidente é uma proeza de deixar o Lula de quatro, no ato.
      Embora a Russia, coitada, não seja nenhum exemplo de nada para ninguém.

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  4. Isso vai dar é M com um monte de gente inocente pagando por isto, e que turbulenta História deste País, faz do nosso um conto de fadas!!!!

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  5. Pior que não saciar a fome do Putin é a entrega da Criméia aguçar ainda mais seu apetite. Se correr o bicho pega,...

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  6. Basicamente, os pró-Rússia da Ucrânia associam qualquer coisa pró-Ocidente/UE/EUA como nazismo. Enfim.... propaganda e distorção de conceitos.

    Mas, mutatis mutandis, as fronteiras daqui da Europa também trazem um certo desconforto histórico. A Alsácia-Lorena se sente muito mais alemã do que francesa. O Trento ainda sente fortes vínculos com o Tirol. Todo o leste do rio Oder queria MUITO ainda ser parte da Alemanha... Enfim. Mas ainda não rolou mais sangue depois da 2ª Guerra por causa disso.

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    1. Ah, claro, espancar gays e judeus nas ruas e associar isso a nazismo só pode ser coisa desses russos bárbaros...Propaganda e distorção é o que não acontece no Ocidente, neamm? Afinal, quem não lembra das WMD do Iraque, entre outras pérolas...

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    2. Onde está escrito que a distorção de conceitos é exclusividade deles?

      Você está confundindo as estações. Os russos de hoje, que também abominam o nazismo, também perseguem homossexuais. E aí? Nazismo aqui é empregado como sinônimo de extrema-direita. Não apenas de totalitarismo com perseguição de minorias (coisa que a Rússia também sempre fez e faz).
      E eu não disse que não acontece distorção no Ocidente. Vide América Latina onde Social Democracia e Neo-liberalismo são considerados coisas de "direita".
      Se os nomes estão sendo mal empregados ou se as pessoas não sabem o que eles significam, aí são outros 500...

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  7. Tony, mas fazer isso que você disse só vai demonstrar que os ideais de transformação social dos que se rebelaram foram inúteis, fazer com que toda possível mudança positiva no país seja impedida e demonstrar que os russos com sua tirania estão acima de tudo. Não é fácil decidir isso assim. O lado leste da Ucrânia representa a região mais rica do país, ainda que uma perda de um vasto território implicaria em perdas de produtividade de um país que já está todo lascado. E com relação a Crimeia, não importa que a maioria fale russo e/ou e se identifique com a cultura russa em geral, eles não são russos, pois vivem na Ucrânia, isto é, esta é uma região da Ucrânia e seus cidadãos tem nacionalidade ucraniana, eles gostem ou não. O território foi dado, então já não é mais deles, perderam.

    Além disso, se os tais russos natos ou falantes do russo que vivem lá querem tanto se aproximar da Rússia, por que eles não se mudam para sua "verdadeira pátria", então? E os ucranianos natos que vivem lá e fazem parte de uma minoria expressiva (24 %), o vai ser deles? Terão que se tornar russos a força? Alguns tártaros já estão até fugindo da Crimeia, pois sabem que aquilo vai virar um inferno. A Rússia é muito prepotente, acha que pode invadir território alheio, rouba-lo e ficar tudo numa boa.

    No final das contas não consigo entender esse povinho russo ou esses ucranianos a favor dos russos. Sempre viveram na pindaíba, os governos pós-URSS pouco fizeram por eles e mesmo assim decidem querer viver sobre esse espectro. Será o tamanho medo de se se aproximarem do ocidente e sua cultura? Bom, eles que sabem da vida deles, se querem continuar como estão, quem sou eu para dizer algo.

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