segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

TE PERDOO POR TE TRAIR

Entre os muitos crimes da Igreja Católica, alguns dos mais recentes foram cometidos por conventos na Irlanda. Até meados dos anos 70 era comum que meninas "transviadas" fossem mantidas intramuros em situação de semiescravidão, por terem pecado contra a castidade. E as que tinham filhos fora do casamento frequentemente viam seus bebês serem literalmente vendidos para casais estrangeiros, sem que pudessem fazer nada para impedir. Esta crueldade institucionalizada rendeu um filme excelente há pouco mais de dez anos, "The Magdalene Sisters", e agora rende o indicado ao Oscar "Philomena". A protagonista, apesar de tudo o que sofreu nas mãos das freiras, continua profundamente católica, e demora quase meio século para realizar que a punição que recebeu foi imensamente maior que seu "pecado". Mesmo assim, ela insiste no perdão. Com a ajuda de um jornalista, Philomena descobre já na metade do filme o que aconteceu com seu filho, adotado por um casal americano. Descobre também que as maldades do convento onde viveu foram muito piores do que imaginava, e no entanto continua a perdoar seus algozes. Só que, no meu entender, o perdão de Philomena não é tão amplo assim: ela faz questão que sua história seja publicada, e a revelação destes crimes da Igreja talvez seja pior que um processo judicial. "Philomena" é um filme pequeno que mexe com questões grandiosas.

3 comentários:

  1. Eu assisti ao filme e fiquei tocado. nao propriamente com a maldade das freiras; mas com a capacidade do ser humano em ampliar o sofrimento alheio.

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  2. "Realizar que a punição" seria "perceber que a punição", em português?

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  3. Fiquei tão chocado quando o filme terminou! Como comentou o Antonio Cavaleiro, o sofrimento já era imenso, as pessoas se perderam no mundo, mas há sempre a possibilidade de sacanear mais e mais.

    E, claro, nervosinho como sou, achei um acinte aquele perdão final! Depois, refeito do choque, percebi que era a única coisa que ela poderia ter feito (se é que "fez", porque o perdão, como a própria fé, não é um ato de vontade, a gente simplesmente sente - e eu sinto bem pouco), qualquer outra atitude lhe traria, afinal, frustração, porque a merda já tinha sido feita e espalhada.

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