sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SOLTO O AVÔ NA ESTRADA

O Oscar resolveu que ama Alexander Payne. Já faz uns 10 anos que todos os filmes do diretor são soterrados de indicações, apesar de nunca terem levado os prêmios mais importantes. O mesmo deve acontecer com "Nebraska": esta comédia meio-amarga em preto-e-branco deu a Payne o lugar que estava prometido para Paul Greengrass por "Capitão Phillips", no meu entender um filme muito mais empolgante. Mas de uns tempos para cá as obras sobre a velhice entraram na moda, e neste quesito "Nebraska" não faz feio. Bruce Dern, que construiu uma longa carreira quase que só como conadjuvante, está de fato excepcional como o velho turrão que tem certeza de que ganhou um milhão de dólares numa promoção, e para isto está disposto a caminhar 1.200 km para retirar a grana. Seu filho resolve levá-lo de carro só para satisfazer suas vontades, e logo a mãe e outro irmão (o Saul de "Breaking Bad"!) se juntam à jornada. Sim, trata-se de um road movie: "Nebraska" percorre uma faixa desolada no meio dos Estados Unidos, sem um pingo de glamour e povoada por gente esquisita. O roteiro ama e tira sarro dessas pessoas ao mesmo tempo, sem a menor pressa de chegar ao destino final. O público americano deve se sentir retratado na tela; para nós, sobra um filme com boas interpretações e boas intenções, mas sem o impacto ou a grandiosidade que se espera de um candudato a melhor do ano.

5 comentários:

  1. Solto o avô na estrada é tão ruim que é bom :)

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  2. Entrou no lugar de Capitão Phillips em qual catigoria?
    Por que na de melhor filme estão ambos lá

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    Respostas
    1. Na categoria de melhor direção. O meu texto estava mesmo confuso, mas agora eu corrigi.

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    2. Viu, João? Até o Tony Goes comete erros ao redigir um texto [em texto para a internet, é claro].

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