quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

KHMER NO VENTILADOR

Documentários raramente são indicados ao Oscar de filme estrangeiro. Documentários onde cenas dramáticas são recriadas com bonequinhos, então, jamais o foram - até que "A Imagem que Faltava" conseguiu tal façanha. O diretor Rithy Pahn passou parte da adolescência nos campos de concentração do Khmer Rouge, a delirante facção ultracomunista que tomou o poder no Cambodja no final dos anos 70. Toda a família de Pahn foi morta (assim como milhões de cambodjanos) e ele quis contar num documentário o horror que viveu. Mas como? Sobraram pouquíssimas imagens dos tais campos, registradas por um cinegrafista que depois foi torturado e assassinado. A solução original foi usar bonecos de madeira (que lembram, no estilo, os do nordeste brasileiro), sem nenhum efeito de animação. O resultado é desconcertante a princípio, mas curiosamente... humano. A devastação sofrida pelo Cambodja talvez só seja comparável à que vive hoje a Coreia do Norte, a última ditadura stalinista que restou na Ásia, e "A Imagem que Falta" consegue dar uma noção do sofrimento de todo um país. Só não explica as origens do Khmer Rouge, nem como ele foi escorraçado depois de quatro anos de barbárie. Mesmo assim, é um filme interessante, ainda que por demais exótico para ser premiado pela Academia.

Um comentário:

  1. A devastação foi mesmo tamanha em todos os sentidos neste País, professores, cientistas, escritores só pra citar foram mortos ou enviados para campos de trabalhos forçados, uma ditadura de ferro sem limites foi imposta naquele País, trazendo consequências negativas em todos os sentidos nas gerações futuras deste País.

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