segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

DOIS DE UMA VEZ

Duas mortes chocantes no mesmo dia. Dois artistas incríveis que morreram de maneira estúpida. Eu fico me perguntando: há um sentido nisso tudo? Alguma lição a ser aprendida? O caso de Eduardo Coutinho é o mais próximo à minha experiência. Há casos de esquizofrenia nos dois lados da minha família. Um primo esquizofrênico se matou. Outro já ameaçou matar a própria mãe, mas nem por isto foi internado. O dilema é complexo: esta pessoa consegue viver bem se estiver sendo vigiada, ou é melhor para todos se for trancada numa clínica? Imagino que Coutinho tenha passado por esta dúvida infinitas vezes, e acabou escolhendo a opção errada. Curioso como a esquizofrenia ainda é relativamente tabu. Mais comum do que o autismo, que no entanto vem sendo discutido com mais frequência. Enfim, não entendo quase nada do assunto e não vou dar palpite algum. Também não vou bancar o moralista e dizer que Philip Seymour Hoffman é o culpado por sua própria morte. Nunca experimentei heroína nem sei se teria coragem - mas, pelo que já li e ouvi, a sensação das primeiras doses é absolutamente deliciosa. Hoffman tentou se livrar do vício e não conseguiu. Não cabe a mim julgar. Só expressar o pasmo e a dor por essas mortes brutais. E festejar os legados fantásticos que ambos nos deixaram.

12 comentários:

  1. "esta pessoa consegue viver bem se estiver sendo vigiada, ou é melhor para todos se for trancada numa clínica?"
    Não existe uma resposta só para essa pergunta. Cada pessoa vai responder diferente a tratamentos diferentes. E o suporte familiar também vai decidir se é possível ou não.
    Infelizmente temos vivido uma onda meio babaca de "desinstitucionalização", mas isso é simplesmente utópico. Ninguém faz nem idéia da quantidade de esquizofrênicos anônimos que vivem largados em hospitais por terem perdido os laços familiares ou por diagnóstico tardio. Mas dizer que TODO esquizofrênico pode viver bem em casa, não dá. Assim como nem todos também vão precisar de internação.

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  2. Também tem os esquizofrênicos que convivem em sociedade. Pode ser a tia da padaria, o guardador de carro, ou seu chefe. Pessoas com problemas mentais estão em toda parte. Eu culpo o microondas, os transgênicos, os hormônios nas carnes e os medicamentos.

    Mas quem eu sou pra dar palpite, né? We'll have to wait and see uma geração inteira de loucos com câncer pra finalmente mudar alguns hábitos antes que seja tarde demais.

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    1. A gente já vive isso silenciosamente. Depressão já é o mal do século.

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  3. Vício é uma merda mesmo... as pessoas só tendem a criticar, não vê o lado de quem passa por esse problema...
    RIP Phillip.

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  4. O Hoffman esteve em rehabs desde os 22 anos.

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  5. Anastasia Beaverhousen4 de fevereiro de 2014 16:58

    No caso de Hoffman, é como diria Mercedes Sosa:
    "Qiuém se equivoca e no apriende, vuelve a estar equivocado."

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  6. Apenas quem vivencia a realidade de ter um parente portador de algum transtorno mental é capaz de conhecer os desafios que essa condição impõe tanto à família e amigos quanto ao próprio portador. Sobre a necessidade de internar uma pessoa com esquizofrenia, cada caso é um caso e vai depender da gravidade e da duração do surto. E isso varia muito. A reforma psiquiátrica em curso no Brasil, vê o portador de transtorno mental como cidadão, com direitos e deveres, e busca sua (re)inclusão no meio social, na família, na escola, no trabalho, através de uma abordagem multidiciplinar, que leva em conta a especificidade de cada transtorno. A reforma psiquiátrica, ao defender a extinção dos manicômios, visa implantar um atendimento humanizado, inclusivo, feito pelos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), Ambulatórios, Residências Terapêuticas, através de uma equipe que inclui médicos, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, dentre outros. A internação em hospital deixa de ter caráter permanente, como nos manicômios, e passa a ser temporária, até a crise ser controlada. Dependendo da gravidade do caso, o paciente com esquizofrenia, por exemplo, passará mais ou menos tempo com sua família. Constrói-se, assim, uma rede de apoio integral a esse paciente, formada por centros de referência e com apoio familiar, fazendo com que a internação permanente deixe de ser necessária, preservando sua dignidade e restituindo-lhe a cidadania. No Estado de São Paulo, em Campinas, há um exemplo concreto da política de desinstitucionalização através do trabalho realizado pelo hospital Cândido Ferreira. Internos, apenas os pacientes em estado grave, que possam oferecer algum risco. O restante mora próximo ao hospital, em residências terapêuticas, ou mesmo com suas famílias, e todo dia estão lá sendo atendidos pela equipe multidisciplinar, participando das inúmeras oficinas terapêuticas oferecidas, dentre outras atividades.

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  7. Aqui em Brasília não se interna esquizofrênicos que cometem crimes, pq na prisão o quadro só tende a piorar. O que se faz é impor um tratamento com acompanhamento da justiça.

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    1. A lei brasileira considera-os inimputáveis.

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  8. heroina bom, da onde? bom é poder dormir, comer, transar, tomar banho, beijar na boca, ver um bom filme/teatro, ler um bom livro, dancar, conversar com alguem bacana...isso sim é legal!!!

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