sábado, 22 de fevereiro de 2014

CHICOTADA

Existem bem poucos filmes sobre a escravidão, acho que por duas razões. A primeira é que o assunto é por demais dolorido e vergonhoso. Custa crer que há pouco mais de cem anos se podia comprar, vender e dispor de um ser humano ao bel prazer. A segunda é que é difícil encontrar histórias com finais felizes, ou mesmo edificantes. A escravidão é o horror em estado puro, muito mais apavorante do que qualquer Freddy Kruger. "12 Anos de Escravidão" dá uma boa ideia da carga de sofrimento e crueldade à que os escravos eram submetidos e ainda assim, como o próprio título já entrega, termina bem. O roteiro é baseado no livro de Solomon Northrup, um negro nascido livre no norte dos Estados Unidos que foi sequestrado e vendido como escravo para fazendeiros do sul. Essa perspectiva é importante: o protagonista não vê os grilhões como seu destino natural. Com cenas de forca e chicotadas, o filme não é fácil de se ver, mas o drama é tão intenso que eu não consegui desgrudar os olhos da tela. O elenco fenomenal mal deixa perceber que se trata de uma obra de baixo orçamento, mas repare como os planos são fechados. É de longe o filme mais consequente entre os indicados ao Oscar, o que faz dele o favorito - se bem que "Gravidade" é muito mais inovador. Mas a escravidão é um assunto inescapável, cujas consequências vivemos até hoje. "12 Anos de Escravidão" chicoteia a audiência e a arranca do seu torpor. Dói pacas, e deixa cicatrizes.

8 comentários:

  1. Tony, Lupita Nyong'o ou Jennifer Lawrence?

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  2. Como NÃO ver um filme que tenha o Michael Fassbender??

    Dizem que a Lupita Nyong'o também está muito bem, confere? Ela é a nova hit girl.

    A escravidão, tanto nos EUA como no Brasil, deixou marcas profundas nas nossas sociedades, e que são visíveis até hoje (como o famoso "quartinho de empregada" nos apartamentos).

    Portanto, nos doa ou não, devia ser um assunto tratado pelo cinema com mais frequência.

    Senão como entender a sociedade atual?

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    1. Pior que os quartos de empregada - hoje já assumindo outras funções - é o terrível sistema de educação com escolas cujo nível afunda na medida que entra pelos bairros pobres de nossas cidades. E idem o sistema de saúde.

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    2. A Felicidade Custa Caro, Work Bitch!24 de fevereiro de 2014 03:06

      Confere. Algumas escolas de tão sucateadas, sujas e quentes lembram mesmo senzalas, depósitos de gente.

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  3. É fato que a escravidão gera poucos filmes por ser tema incomôdo e sem chance de ser tratado de forma leve. É incômodo para brancos, mas sobretudo para os negros, e só posso imaginar o quanto deve ser doloroso para um pai negro explicar a seus filhos por que seus antepassados eram tão desprezados como seres humanos.
    Nesse sentido, 'Amistad', do Spielberg, é bem sucedido, pois tem uma abordagem jurídica - e política, é claro -. A terrível discussão se os escravos aprendidos eram seres humanos ou carga do navio e se deviam ser recambiados para sua terra ou entregues ao proprietário deveria exibida todo ano aos estudantes.
    O ator anglo-nigeriano de nome difícil de repetir, que foi o marinheiro tradutor em Amistad e é a própria dor em '12 anos escravo', interpretou uma explosiva drag queen no simpático filme inglês 'Kinky boots' (Pirate), que geraria o premiado musical da Broadway by Cindy Lauper.

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  4. Bosta de filme, o protagonista CAGAVA pra escravidão dos outros, pelo menos o roteiro deixa essa mensagem, até que virou um deles e....CAGOU pra quem tava lá escravo que nem ele. HAHAHAHA muito bom! Premio solidariedade. OK filme não é aula de moral e cívica, mas quando quer endeusar um sujeito desses, e isso ele faz claramente, deixa de ser filme pra virar fábrica de mito.

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