segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

BAL MASQUÉ

Sempre fui contra qualquer tipo de manifestação violenta. Desde que a onda de protestos começou em junho do ano passado, eu me opus ao quebra-quebra de vitrines e bancas de jornal. Muita gente me criticou: "imagine se a Bastilha teria caído só com gentilezas", me diziam. Logo em seguida surgiram os black blocs, e eu fiquei mais contra ainda. Acho que eles são um bando de babacas brincando de super-herói. Adolescentes revoltadinhos que não sabem o que fazer com seus hormônios. E não só são irresponsáveis como também insensíveis: foda-se o que estiver pela frente, o que importa é destruir. O capitalismo, a desigualdade, o carro da emissora de TV, o prédio histórico, as lojas de quem não tem nada a ver com o pato. Assim chegamos rapidamente ao ponto em que manifestação virou sinônimo de baderna. Os black blocs sequestraram e deturparam um movimento que nunca teve um foco muito definido, mas que era legítimo. Dizem que os mascarados também são difusos e desorganizados: entre eles haveria tanto gente sincerinha (mas para lá de equivocada) como infiltrados a mando de forças ocultas. De quem? A quem será que interessa que as passeatas terminem em merda? A que aconteceu no Rio na semana passada, contra o aumento das passagens de ônibus, terminou, com a morte do cinegrafista da Band. Agora todo mundo se volta contra esses bandidinhos, e com razão. Mas corremos o enorme risco de jogar fora o bebê com a água do banho. Se ninguém mais for para as ruas reclamar, então os black blocs terão vencido. Os infiltrados terão vencido. Seus financiadores terão vencido. E tudo continuará indo a mil no Brasil varonil.

16 comentários:

  1. É um assunto bem complexo. A verdade é que quem sai perdendo é a sociedade como um todo, que começa cada vez mais a associar protesto com crime. Não é disso que o Brasil precisa.

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  2. O mio babbino caro
    "Morró, ma prima in grazia,
    Deh! mi consenti almeno
    L'unico figlio mio
    Avvincere al mio seno.
    E se alla moglie nieghi
    Quest'ultimo favor,
    Non rifiutarlo ai prieghi
    Del mio materno cor.
    Morrò, ma queste viscere
    Consolino i suoi baci,
    Or che l'estrema è giunta
    Dell'ore mie fugaci.
    Spenta per man del padre,
    La man ei stenderà
    Sugli occhi d'una madre
    Che mai più non vedrà!"
    ...

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  3. Não sabemos o que fazer com a violência do dia a dia, agora com a violência nas manifestações. Me pergunto: o que faremos se algum dia tudo aquilo que está acontecendo na Rússia começar a acontecer aqui? O que de verdade faremos? Ficaremos no facebook falando mal dos Bolsonaros? Faremos micareta na parada? O que realmente faremos?

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    1. Se isso acontecer, não haverá nem micareta e nem parada.

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  4. Acho melhor armazenar comida em casa, pois a situação não está nada boa. Dilma candidata pré-eleita, Copa do Mundo em casa, PSB casado com Marina, Lula botando as manguinhas de fora e esculachando o STF, FIFA baixando nos terreiros mamelucos, HD do Pizzolato voltando para o Brasil como vingança pelo Battisti... Sai de baixo!
    E o João ainda fica preocupado com crases e tremas.

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  5. Tony, tudo é uma grande disputa de poder. De um lado, os movimentos sociais e as manifestações são usados como instrumentos da esquerda e tem pessoas de direita, inclusive policiais infiltrados ou exercendo alguma influência. A Polícia, comandada pelos governos estaduais, bate, reprime, recua, deixa correr solto, se infiltra para inflamar ou até liderar determinados grupos em ações orquestradas. A Imprensa de Veja à Folha, De Shehezade à Bonner, passando por Datena e Rezende enche a boca para nomear os VÂNDALOS, BADERNEIROS, VIOLENTOS, etc e enaltecer o trabalho da Polícia. Estamos em ano de eleições e as manifestações serão os instrumentos mais poderosos esse ano, por isso os dois lados farão de tudo para utilizá-los a seu favor, com o intuito de se manter ou voltar ao poder.

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  6. Estamos vivendo um clima de guerra civil e em guerras pessoas morrem. Já teve manifestante espancado, baleado e morto pela polícia. Alguém sabe o nome deles?????? Agora, como morreu um jornalista num acidente causado por um manifestante, a imprensa quer transformá-lo em mártir, o Estado e a Polícia em vítima e os manifestantes em criminosos. Existem centenas de motivos para a população estar revoltada e revoltas não se fazem com cartazes e bexigas.

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  7. E quem você acha que são os financiadores dos infiltrados?

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    1. os partidos de esquerda?

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    2. Shirley Love - Petista Convicta11 de fevereiro de 2014 23:15

      ERRADO! Partidos de EXTREMAAAAAA ESQUERDAAAAAA.

      O PT não apoia essa safadeza; essa vadiagem.

      O PT trouxe o capitalismo ao BRASIL E COM RETORNO SOCIAL!!!

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    3. Não acho que PSTU e PSOL tenham dinheiro para financiar black blocks.

      O PT tem dinheiro, mas não daria dinheiro para eles, porque quem mais perde manifestações é o Governo Federal, ainda mais em ano de Copa que deveríamos estar com a casa arrumada para receber visitas.

      Faz muito mais sentido que forças políticas interessadas em desestabilizar o Governo Federal esteja financiando os vândalos.

      Pensem comigo: A ação dos vândalos, com o devido apoio da imprensa passa uma ideia de que o país está fora de controle e que o PT não consegue mais dar conta do recado, ao mesmo tempo coloca a população contra os manifestações como um todo. Então, os governos estaduais de SP (PSDB) e RJ (PMDB) chegam com a Polícia Militar para por ordem na casa. O PMDB está totalmente insatisfeito com o PT e buscando um motivo para virar a casaca, o PSDB quer voltar ao Planalto de qualquer jeito.

      Faz muito mais sentido!

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  8. No seu post tem palavras frequentemente utilizadas pela nossa digníssima Sheherazade, a personificação dos comentaristas anônimos do UOL: "manifestação violenta", "quebra-quebra", "baderna", "adolescentes revoltadinhos", "babacas", "bandidinhos". Vigia irmã!!!!

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  9. Joana Montefusco Saphary12 de fevereiro de 2014 12:22

    Não há possibilidade de alguma mínima mudança neste estado de coisas sem que algum sangue seja derramado, infelizmente. Demonizar todo o movimento - que é legítimo - pelas perdas e presença de arruaceiros de ocasião não é inteligente. Se algo tá entalado na garganta do brasileiro comum (e olha que são trocentas coisas que não funcionam na pátria campeã de arrecadação de impostos) as ruas ainda são o lugar mais apropriado pra demonstrar isso. Democracia é isso.

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