quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A CURA PELA DOENÇA

Os primeiros anos da epidemia da AIDS foram dos mais absoluto pânico. Não havia nenhum tratamento conhecido. Testar positivo era o mesmo que receber uma sentença de morte rápida e dolorosa (sem falar na carga de humilhação que vinha com o julgamento moral). Esse clima de terror é retratado em "Clube de Compras de Dallas" quando um sujeito não só hétero como homofóbico é diagnosticado com o vírus do HIV, em 1985. Já exibindo sintomas clássicos da doença, ele simplesmente se recusa a aceitar que não há tratamento, e parte em busca de alternativas. Acaba formando uma parceria inusitada com uma drag queen, o tipo de pessoa que antes desprezava, e montando um esquema de distribuição de remédios não-aprovados que ajuda a aumentar a sobrevida de muita gente. Neste processo, ele melhora como pessoa: passa de babaca egoísta a um ser humano cheio de compaixão. Se bem que também está interessado nos lucros ("isto aqui não é caridade", diz a certa altura do filme). Matthew McConnaughey está espetacular como o protagonista - sorry, DiCaprio, o Oscar vai mesmo para ele. Assim como também vai para Jared Leto, impecável como o travesti Rayon. Dá perfeitamente para entender porque sua ex-namorada Katy Perry se inspirou nele para escrever seu primeiro sucesso, "Ur So Gay". O diretor canandense Jean-Marc Vallé já tinha feito dois filmes muito diferentes entre si que encantaram o público gay: "A Jovem Rainha Vitória", que é a cara da riqueza, e o épico "C.R.A.Z.Y.", uma história de saída do armário com que milhões de bibas se identificaram. Agora assinou seu trabalho mais importante. "Clube de Compras de Dallas" merece os prêmios que vai ganhar.

13 comentários:

  1. Ele vai levar porque a Academia adora quem embagulha/engorda/emagrece para compor personagens. Mas Leonardo é mais ator do que ele jamais será. Matthew tem a vantagem da transformação física + um personagem que se redime e desperta compaixão, enquanto que Leonardo não tem esse recurso e faz um cara odioso, mau caráter. É uma pena, porque a interpretação de Leonardo é muito superior à de Matthew (que está bem melhor em "True Detective" do que aqui - o que não fazem diretores e roteiros melhores, não?)

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    1. Eu acho que o Leo merece o Oscar pelo conjunto da obra e também por estar sensacional em "O Lobo de Wall Street", mas a performance mais incrível do ano é mesmo a do McConnaughey. Se eu votasse na Academia, votaria nele.

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  2. Nossa, C.R.A.Z.Y. é um dos filmes da minha vida. Fiquei com mais vontade de ver o filme agora... e depois que eu vi o McCounaghey em O Lobo de Wall Street, aí que não vou deixar de ver mesmo!

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  3. Só pelo que vi em O Lobo, eu já seria disparado team McConnaughey.

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  4. Ela é uma drag queen ou uma transexual? Quase certeza que é transexual.

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    1. É uma transexual pré-operação. Na prática, uma bela duma trava. Naquela época não havia esse rigor de nomenclatura que existe hoje.

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    2. Travesti e transexuais são bem diferentes.

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    3. O personagem de Jared Leto é um travesti que se prostitui e sonha em fazer a operação de mudança de sexo. Naquela época (1985) ainda não se distinguia sexo de gênero. Não se falava em trans isso, trans aquilo, nem havia 51 gêneros diferentes no Facebook (nem havia Facebook).

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    4. Desculpa, Tony, mas seu incômodo com o "rigor de nomenclatura" parece o mesmo problema que alguns conservadores têm com a diferença entre macho e homossexual...

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  5. Entendi. http://stream1.gifsoup.com/view2/3776107/britney-awkward-o.gif

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  6. Deve ser muito bom mesmo, me fez lembrar o filme The Trip sobre a vida de dois caras que se conhecem nos anos 70 e vai até anos 80, Tem no youtube muito bom mesmo.

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  7. Se é do mesmo diretor de "C.R.A.Z.Y.", eu não perco por nada desse mundo.

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  8. tony comente mais sobre os atores coadjuvantes indicados ao oscar?

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