sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O BARATO DO TERROR

Francis Ford Coppola começou a carreira como assistente de Roger Corman, um diretor especializado em filmes de terror de baixíssimo orçamento. Cinquenta anos depois, o criador de espetáculos requintados como "O Poderoso Chefão" decidiu voltar às origens. "Virginia" foi rodado em grande parte na própria fazenda de Coppola no norte da Califórnia, e deve ter custado menos do que uma única bomba em "Apocalypse Now". O roteiro não faz lá muito sentido: mistura vampiros, fantasmas e serial killers, sem jamais deixar o espectador saber se são reais ou delírios do protagonista (o título original, "Twixt", se refere à dualidade entre o mundos dos sonhos e o de verdade). Coppola ainda usa truques que já envelheceram, como um detalhe colorido num quadro em preto-e-branco, mas o design de som é sofisticadíssimo. Mais uma vez, não faltam referências à morte de seu filho Gian-Carlo, um tema constante em sua filmografia. Mas a esquisitice de "Virginia" fez com que o filme jamais fosse lançado comercialmente nos Estados Unidos, e ele chega às telas brasileiras quase três anos depois de pronto. Passa longe de ser um entretenimento convencional, mas é obrigatório para quem se interessa pela obra de um dos maiores cineastas de todos os tempos.

Um comentário:

  1. A grife Coppola é chiquérrima, mas gostaria de ver alguma coisa um pouco mais... forte.

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