terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CARTA BRANCA PARA A ÁFRICA?

A Nigéria acaba de aprovar um pacote de leis antigays draconianas. Não é o primeiro país africano a fazer isto, e temo que não será o útlimo - dizem até que, agora que Mandela já sei foi, o casamento igualitário corre perigo na África do Sul. No entanto, a indignação do mundo ocidental é bem menor do que contra a Rússia (e olha que as leis nigerianas são MUITO piores do que as russas). Por quê será que isto acontece? Um pouco pela desimportância da África: são países paupérrimos, sem quase nenhum peso econômico ou "soft power". Deixe que se explodam! E um pouco, talvez, pela razão oposta: o politicamente correto valoriza a preservação das diferenças culturais, mesmo quando estas resvalam na barbárie. Em português mais claro: manifestar-se contra a Nigéria seria um ato racista. Essa atitude leniente explica até porque um tirano incompetente como Mugabe, que praticamente destruiu o Zimbabwe, consegue se manter há décadas no poder. Com a benção, inclusive, do Brasil.

22 comentários:

  1. Hipocrisia de bicha racista!Se as vítimas são só pretas e pobres nenhuma se comove.Agora em um país branco e rico todo mundo faz cara de compaixão e amor ao próximo.

    ResponderExcluir
  2. Acabei de ler O Sonho Mais Doce, de Doris Lessing, cuja segunda metade fala dessa África flagelada por fome, peste e guerra. Populações miseráveis dominadas pela ignorância e por governos corruptos, incompetentes e desumanos, porém apoiados por uma grande e sorridente comunidade internacional "boazinha". Recomendo a leitura.

    ResponderExcluir
  3. Até tu, Brutus? Os "politicamente corretos" defenderiam a liberdade e o casamento gay, e não esse tipo de envernização da maldade que você sugeriu. Acho que você quis se referir a coisas como a mutilação genital, que até onde sei é combatida, não importa quantos milênios de tradição tenha: http://www.onu.org.br/unicef-30-milhoes-de-meninas-podem-sofrer-mutilacao-genital-na-proxima-decada/

    Sobre homossexualidade, na maioria dos casos é legislação herdada do Império Britânico. 41 dos 54 países da Commonwhealth ainda têm legislação homofóbica: http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-15524013

    Isso tem sido agravado nos últimos anos pelo fanatismo religioso, do Cristianismo em geral até o Islamismo: http://www.pambazuka.org/pt/category/features/87629
    http://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/god-loves-uganda

    E os países não têm exatamente carta branca. Uganda já perdeu ou foi ameaçada de perder várias ajudas internacionais, além de ser manchete no mundo inteiro. O problema é que são países soberanos, o que mais se pode fazer? Mandar a Otan dissolver o Congresso?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Apresentar um 'fanatismo do Cristianismo' no mesmo nível do 'fanatismo do Islamismo' é ignorar o Afganistão, o Paquistão, Bangladesh, a Líbia, a Síria, o Irã, o Iraque, a Chechênia, a Bósnia e muitos países africanos.

      Excluir
    2. Sim, ambos os fanatismos são equivalentes. O cristianismo através dos cristãos é tão opressor quanto islamismo com os muçulmanos.

      Interessante é que a Inglaterra descriminalizou a homossexualidade, viabilizou lei contra homo e transfobia e aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em digamos um curto espaço de tempo, ao passo que suas ex-colônias quase nada fizeram, sem falar da maioria que nada fizeram em todos esses anos, exceto piorar ainda mais a vida dessas pessoas.

      Excluir
  4. Além do que você disse, ainda tem o lance de que na Rússia antes de começar toda essa agitação, as coisas estavam vagarosamente caminhando para melhorias, até o governo acabar de vez com essa ideia e acelerar o processo de retrocesso. Fora que a Rússia é um país europeu, pode ser do leste europeu, mas é europeu, então a indignação é maior.

    ResponderExcluir
  5. O mio babbino caro
    Parcela de contribuição do Reino Unido á humanidade, que até l967 castravam quimicamente seus filhos homossexuais.
    Nigéria: 50% Islâmicos
    40% Cristãos
    Os 10 % restantes, são de Logunnedé. Logun ô akofá!!!
    "E ver os perigos no meio do mar
    No sono pesado, tudo meio drogado
    Existem pessoas turvas, pessoas que gostam
    E eu tô de azul e amarelo
    amarelo,azul e amarelo"

    ResponderExcluir
  6. Depois que este governo MALDITO subiu o poder, o Brasil só apoia o que não presta, 2014 o ano que este partideco será expulso a ponta pé do Planalto!!!!! Quanto a África lamentável mesmo, explorada e massacrada por séculos!!!!

    ResponderExcluir
  7. E o politicamente correto continua imperando nos comentários...Ninguém quer colocar o dedo na ferida, e falar o "indizível", que os países africanos, são, em sua maioria, homofóbicos pelas mais diversas razões, que não passam, necessáriamente,. pela eterna ladainha da exploração, colonialismo, etc...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. E por que você não enumera então? Todos queremos saber.

      Excluir
    2. Bom, colonialismo e homofobia não deviam transar. As colonias eram ótima alternativa para os homosexuais ingleses, franceses e lusos, sujeitos à mofar nas cadeias de seus países. Nas colônias, os europeus eram imprescindíveis ao regime e havia montes de soldados e ainda nativos muito fortes e pobres. Liautey, Marechal de França nobre e muito competente foi o único marechal desse país que fez a carreira entre Madagascar e Marrocos, ainda que já fosse comprometido com seu ajudante-de-ordens. Lawrence da Arábia também adorou o passadio no deserto escaldante, pois tinha um rapaz árabe só para ele.
      Atribuir a homofobia ao sistema colonial é talvez injusto.

      Excluir
    3. Ai gente, Rodrigo Constantino e vídeo do Pondé no YouTube...diz algo mais original, vai...

      Odeio gente que repete coisa dos outros.

      Excluir
  8. Talvez esse link possa lhe "clarear" um pouco sobre o assunto:
    http://www.theguardian.com/commentisfree/2010/may/21/complex-roots-africa-homophobia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O texto abaixo, linkado por ela e escrito por um garoto negro que cresceu no Zimbábue, diz exatamente o que eu escrevi acima. Ela apenas acrescenta algumas especulações sociológicas mais ou menos questionáveis. Leia também os comentários feitos pelos leitores no texto dela.

      http://www.theguardian.com/commentisfree/2010/mar/23/homophobia-africa-gay-rights

      Excluir
    2. Opiniões de leitores "PC", como vc...Culpar, eternamente, o colonialismo pelas mazelas da África é como aquele adulto que culpa os pais pelo seu fracasso...Sim, haviam leis homofóbicas do Império Britânico, porem essas já foram extintas na métropole...o que impede as ex-colônias de fazerem o mesmo? Homofobia é apenas a cereja de um bolo de culturas que englobam extirpação do clítoris, estupro corretivo, canibalismo e sacríficio humano (vai dar uma pesquisada no que ocorria durante a guerra civil de países como Libéria e Serra Leoa...Massacre da Serra Elétrica vai paracer Bambi)...Enfim, culturas primitivas e obscurantistas não são tolerantes, that's it.

      Excluir
    3. Não afirmei que tudo se resume a colonialismo. Leia os links acima e veja esse documentário, que talvez você mude de ideia sobre qual vem sendo a verdadeira cereja do bolo nos últimos anos.

      http://www.godlovesuganda.com/

      Não custa lembrar que existe homofobia em todas as culturas primitivas e obscurantistas da América do Norte e da Europa, embora ela esteja perdendo terreno. Enquanto isso, diversos países africanos já têm hoje legislações favoráveis aos gays, mas só se descobre isso lendo notas de rodapé, visto que essa informação não interessa a nossos ouvidos preconceituosos.

      Excluir
  9. Por mim, cortava todo o $€£ pra esses países com leis homofóbicas.

    ResponderExcluir
  10. É dada mais importância as questões que ocorrem na Rússia pela sua relevância no cenário mundial como atual país emergente e líder de um grande bloco econômico até pouco tempo atrás. Realmente os países da Africa são mais isolados e difícil para maioria entender o que ocorre por lá para poder opinar, assim como os países do Oriente Médio.

    ResponderExcluir
  11. Tony,
    Tornei-me fã do Frédéric Martel com o livro “Mainstream” e o novo livro dele “Global gay” só corroborou a excelência desse acadêmico que escreve em primeira pessoa. Analisando a cultura gay de diversos países do Globo, bem como suas legislações, ele explica se podemos dizer que temos uma cultura gay global e em quais pontos essa cultura gay se afirma como local. Não conheço um outro livro acadêmico que tenha detalhado tão bem e com tanto rigor acadêmico as culturais gays como “Global gay”. Ele explica, inclusive, a questão da Nigéria (e a famigerada seção 377, que manteve o número em quase todas as ex-colônias britânicas).
    Quanto à África-do-Sul, citada em um comentário acima, voltar atrás no casamento igualitário não será tão fácil por causa da presença de Edwin Cameron (gay e soropositivo assumido) na Corte Constitucional. Ele é considerado o maior Soft Power atual da Corte. Sua Influência é muito grande.
    Abraços.

    Rodrigo Barros.

    ResponderExcluir
  12. Na dúvida, ponha a culpa no politicamente correto. Ou no PT.

    ResponderExcluir