sábado, 28 de dezembro de 2013

MEUS DISCOS DE 2013


O ano musical foi surpreendentemente bom para mim, tanto que tive dificuldade em fazer a lista dos meus 10 discos favoritos. Cheguei a um shortlist de 25, que eu só não posto comentado porque estou com preguicinha. Mas meu gosto continua o mesmo: muitos eletrônicos, nada de rock, alguns exotismos e bobagens. Me julguem.

RANDOM ACCESS MEMORIES, Daft Punk
- Ando tão no mainstream que vou concordar com a opinião da maioria: este é mesmo O disco do ano, inovador justamente por ser tão retrô. A dupla francesa resgatou nomes importantíssimos como Giorgio Moroder e Nile Rodgers num álbum impecável do começo ao fim, que vendeu muito e ainda foi indicado ao Grammy. Não há muito mais o que dizer: just lose yourself to dance.

PRESENTE, Bajofondo
- Adoro tango eletrônico, e ninguém é melhor no gênero do que esse coletivo de argentinos e uruguaios comandado por Gustavo Santaolalla. Dessa vez não há participações especiais, mas não fez falta: os pibes fazem sozinhos a melhor música das margens do Prata - e, apesar de já terem até emplacado um tema de abertura de novela, ainda são pouco conhecidos no Brasil. Procure saber.

CLARIDÃO, Silva
- O disco desse capixaba saiu no final de 2012, mas, como eu só comprei em janeiro, para mim vale por este ano. E é simplesmente o melhor nacional de 2013: uma sonoridade original, uma voz límpida, um nome banal que se destaca na multidão. A acústica "A Visita" tocou até em comercial de perfume, mas minha favorita continua sendo o technopo suave de "Mais Cedo". Silva chegou para ficar.

ÖPTUM, Sezen Aksu
- Eu trouxe uns 30 CDs da Turquia e poderia ter feito meu Top 10 deste ano só com eles. Desses todos meu destaque vai para "Öptum" ("beijada"), o milésimo disco da longa carreira de Sezen Aksu, a cotovia de Istambul. Esta cantora de voz possante e compositora de mão cheia (ela escreveu a "melô do beijinho", lembra?) é uma das forças por trás do turkçe pop. Tem na iTunes Store.

WOMAN, Rhye
- A dupla formada pelo cantor canadense Milosh e pelo músico dinamarquês Robin Hannibal foi uma das pegadinhas sonoras do ano: eu jurava que era uma mulher nos vocais. Não enjoo de ouvir esse disco suave e sofisticado, um perfeito antídoto contra o desgaste da vida moderna. Conheci-os graças a uma compilação da rádio Nova, a melhor da França, ótima para quem quer novidades.

ODEON, Tosca
- Estou me dando conta de que gosto mais de duplas do que de bandas com muita gente. Esta aqui vem da Áustria, e eu acompanho o trabalho dos caras desde 2000. Depois de alguns anos na moita, eles ressurgiram com "Odeon" fazendo rigorosamente o mesmo "ambient" de sempre. A única ousadia é "Stuttgart", uma releitura de "Cira, Regina e Nana" do baiano Lucas Santtana. Danke schön.

BEYONCÉ, Beyoncé
- Por trás de todo o hype do lançamento surpresa e da magnitude do projeto, "Beyoncé" é um disco bastante atrevido para a única pretendente séria ao trono de Madonna. Não há um único hit óbvio, nenhum refrão grudento, nada que vá tocar no rádio. Mas há muita experimentação (bem mais na música do que nos vídeos) e, sim, muito auto-endeusamento. Mas deusas como B. podem.

SWINGS BOTH WAYS, Robbie Williams
- Fazia um tempo que eu não dava a mínima pelo rapaz. Mas foi só ele voltar a gravar um disco no estilo de Frank Sinatra e, claro, insinuar pela trigésima vez que corta dos dois lados que, pronto, reconquistou minha atenção. Robbie é um cantor excelente de gosto impecável: do repertório (com algumas inéditas e muitos clássicos) aos convidados, tudo aqui funciona.

TALES OF US, Goldfrapp
- Taí outra dupla da qual eu sempre gostei, mas que não frequentava minhas listas de final de ano desde a estreia, em 2000, com o épico "Felt Mountain". O Goldfrapp alterna discos mais dançantes com outros mais introspectivos, e eu costumo preferir os primeiros. Mas dessa vez eles acertaram o ponto e produziram um dos CDs mais lindos do ano, tristonho sem ser deprê. Para meditar.

ARTPOP, Lady Gaga
- Para com isso, gente. A Germanotta ainda dá um caldo, apesar de se achar muito mais bacana do que realmente é. Nem precisava: "Artpop" é divertido, com algumas ideias recicladas e outras realmente inovadoras. Não vai arrebentar nas vendas nem marcar época, mas ainda é melhor que os lugares comuns de Katy Perry ou o cantochão periguete de Miley Cyrus. Discutam.

E para chegar aos 25, lá vai o resto da lista em ordem alfabética:
THE 20/20 EXPERIENCE, Justin Timberlake
ADIMI KALBINI YAZ, Tarkan
ATENTO AOS SINAIS, Ney Matogrosso
BANKRUPT, Phoenix
CAMPO, Campo
ELECTRIC, Pet Shop Boys
MUJER DIVINA, Natalia Lafourcade
NEW, Paul McCartney
THE NEXT DAY, David Bowie
NOSSA ONDA É ESSA, Bossacucanova
PRISM, Katy Perry
RAPOR, Active Child
REPEAT AFTER ME, Los Amigos Invisibles
SHULAMITH, Poliça


Só para encerrar, alguns hits avulsos que estacionaram na minha nuvem:
BLURRED LINES, Robin Thicke
A LITTLE PARTY NEVER KILLED NOBODY, Fergie
SOÑANDO CONTIGO, Kiko Navarro feat. Concha Buika
THEY JUST KEEP MOVING THE LINE, Megan Hilty
(de "Smash")
THE WIRE, Haim
SAME LOVE, Macklemore & Lewis


...dois turcos excelentes que você pode conferir aqui...
AŞK LAZIM, Gökhan Türkmen
YOLUMUZ AYNI, Ege Cubukçu


...ah, e porque eu sou brasileiro e não desisto nunca:
AMOR DE CHOCOLATE, Naldo
SHOW DAS PODEROSAS, Anitta


O ouvido é meu, OK?

10 comentários:

  1. Não acredito que não encontrei nenhuma referência à nossa diva Valesca!!! https://www.youtube.com/watch?v=73sbW7gjBeo&feature=youtube_gdata_player

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  2. O do Ney Matogrosso merecia estar no top 10, Naldo e Anitta são tão relevantes quanto eram Xibom bom bom das Meninas e Mexe a Cadeira do Vinny, ou seja daqui a pouco ninguém lembra mais (graças a Deus, memória curta do brasileiro se encarrega da limpeza auditiva)... Sua vibe world music continua gritando... Acho que meu ecletismo jamais alcançará o seu, sim, sou limitado.

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  3. Não sei qual característica levaria B. a sentar no mesmo trono de Madonna. O autoendeusamento? Não lembro de mais nada em comum no momento.

    Acho que ela vai sentar no próprio trono, isso sim. E nem por isso será um trono menos opulento. Digo isso mesmo tendo deixado de admirá-la há uns bons anos.

    Se Madonna vai deixar alguma "herdeira", continuo achando que será Gaguinha, por mais óbvio que isso pareça, ou alguma divinha que ainda está para surgir.

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  4. Vou de Silva - A Visita; Daft Punk e Robbie Williams. Tentarei correr atrás dos demais, exceto os já tradicionais do circuito. Foi um prazer conhecer "Móveis Colonias de Acaju" - O Amor é Tradução.

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  5. Não creio que não tem Arctic Monkeys na lista. E as únicas músicas do ArtPoop que eu consigo ouvir são DWUW e Artpop. Tem umas que chegam a ser engraçadas de tão ruins, tipo Donatella e Fashion!. Aguardando as receipts da parte inovadora do Artpoop.
    http://media.tumblr.com/tumblr_mcspb0ZJ3C1qfqdfr.gif
    Tá, parei.

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    1. Toh contigo! Parece algo para a gente rir mesmo, efeitos sonoros cafonas... enfim...

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  6. Depois de Anitta, eu nem falo nada sobre la Gaga...

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  7. olha aí a idade afetando a memoria tony, voce esqueceu pure heroine da Lorde. entra no meu top 5 facil.

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  8. Como assim Tony o disco da Gaga é muito ruim, não merecia nem mesmo o ultimo lugar, sei que ela tem qualidade vocal, mas o problema é que as musicas de Artpop não dizem nada do que ela já significou em termos de inovação, não tem ali nenhuma canção que seja um décimo do que foram Paparazzi, Bad Romance, Lovegame, Telephone, Born This Way, You and I, Nothing Else I Can Say.... a César o de César: Artpop foi um equívoco tão grande quanto Britney Jean e outros flops de 2013, a música nacional teve ainda o novo de Marcelo Jeneci e também a grata surpresa que foi o álbum novo da Simone depois de quase sete anos, assim como Ney Matogrosso as canções dela estão engajadíssimas, ultrasignificantes e focadas na nação do arco-íris.

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