terça-feira, 3 de dezembro de 2013

MEU MUNDO SUBIU

Tenho alguns amigos que convivem muito bem com o HIV, alguns há mais de 10 anos. Quase todos são hiper discretos em relação à soropositividade, e eu também acho que ninguém é obrigado a sair se trombeteando por aí. Mas quando alguém sai, é ótimo: é o caso do Renato Fernandes, que estreou domingo passado - 1o. de dzembro, Dia Mundial do Combate à AIDS - uma coluna chamada Hivendo no site Pau Pra Qualquer Obra. O texto dele é maravilhoso, mas não tem clima de alto astral nem de auto-ajuda. Renato escreve com todas as letras a dor e o choque de se descobrir positivo, há mais de um ano e meio. "Meu mundo subiu", diz ele fazendo trocadilho com a música da Maysa ao descrever a sensação de deslocamento entre alma e corpo ao receber a notícia. Nem por isto seu viés é pessimista, muito pelo contrário. E é mais do que bem-vindo, claro. Desde a década de 80 que um dos slogans dos co,batentes nessa guerra é "Silêncio = Morte". Mesmo com todos os avanços dos últimos anos, ainda não dá para fingir que o problema nem existe, ou que já foi superado.

12 comentários:

  1. Nenhum comentário? Pois é, parece que os gays evitam o assunto a todo custo. Parabéns ao Renato pela coragem. Mas algumas perguntas ainda ficam no ar: como alguém se contagia depois de tanto tempo de vida conseguindo evitar a maldita? E o famoso sexo oral que não assusta ninguém, é perigoso ou não? Será que 100% dos gays contaminados o foram pelo não uso da camisinha, ou há outras formas de contágio? Enfim, não que o próprio Renato deva responder, mas que a discussão poderia render muito mais, não há dúvida. Tive um amigo que morreu há 2 anos atrás.... realmente, não dá para fingir que o problema não existe.

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  2. É o armário dentro do armário mesmo. A gavetinha.
    Hoje eu li que agora o Ministério da Saúde vai prosseguir os estudos com o Truvada com pessoas não infectadas no Rio, SP e POA. O mesmo que o Bill Gates já patrocinava no Brasil e em outros países. Nos EUA, ele já foi liberado como profilaxia pré-exposição. Mas esse remédio ainda não teve a patente quebrada. A Gilead vai cobrar beeeeem caro se os governos do mundo comprarem os estudos de que ele é praticamente uma vacina contra o HIV (e vai ser outra batalha na OMC pra quebrar essa patente, o que só desestimula a indústria farmacêutica a prosseguir na pesquisa). E realmente os resultados dele foram altíssimos como droga de prevenção. Já imaginou o governo dando anti-retroviral para TODA a população, infectada ou não? O preconceito iria despencar. Só que custaria uma fortuna. O laboratório com certeza está faturando agora, com essas pesquisas todas, ao invés de esperar o remédio chegar no mercado de países como Brasil onde há monopólio da dispensação do medicamento.

    Sexo oral transmite? Até hoje nem os médicos se entendem sobre isso. Se você perguntar pra um infectologista, ele vai mandar você fazer exame a cada boquete. Pergunte a um médico de outra área e ele vai dizer que as chances são mínimas e depende da carga viral do parceiro possivelmente portador do vírus, eventuais lesões na mucosa, etc.
    Também não é pra se agarrar nesse mastro (ui), mas é verdade, sim, que o passivo tem muito mais chances de se contaminar.
    E também ouvi de um médico que na Suíça, casais sorodiscordantes não são encorajados a usar preservativo nas relações se a carga viral do infectado for indetectável. Acho que nem se a OMS declarasse isso em rede intergalática, eu dispensaria a camisinha.

    Enfim, até hoje acho que nem a comunidade médica chegou a um acordo. informação é tudo, mas ainda é uma zona cinzenta.

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  3. Eu tinha comentado antes sobre outras doenças, como diabetes e Hepatite C, que podem ser tão letais quanto o HIV mas são menos estigmatizadas. Os próprios gays levam adiante o preconceito com HIV+.

    E Daniel está certo, é o que todos médicos (sinceros) que conheço dizem: BEM difícil contrair HIV por sexo horal. Essa parada da carga viral indetectetavel também procede. Não divulgam porque aí sim que o bareback vai hypar de vez. E a profilaxia pra não contrair HIV já era feita em algumas capitais no Brasil, com outros medicamentos que não o Truvada (comp. Travesti + Travada? ¯\_(ツ)_/¯). A diferença é que ele é ainda mais efetivo.

    A verdade é que muita, muita gente trepa sem camisinha, namorando ou não namorando, hétero ou gay, então é melhor que achem uma vacina ou cura pra essa porra.

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  4. "bareback vai hypar"? Já hypou há muito tempo. Viramos heteros em se tratando de camisinha.

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  5. Muito bom o post ... eu tenho uma relação sorodiscordante tem 5 anos... no começo quando eu descobri que meu parceiro tinha fiquei meio perdido... mas depois de um tempo refleti e optei por encarar, fato é que quando sabemos que o parceiro é positivo tomamos muito mais cuidado... acho que amor fala mais alto, temos que ter cuidado, algumas situações de risco ocorreram neste período e me submeti a profilaxia por 30 dias.. faço exame a cada 6 meses e nao contrai... realmente sexo oral nao transmite, nem saliva... Algumas pessoas ainda pensam isto... enfim vale a reflexão sobre amor x risco x uso da camisinha... obviamente que nós usamos, mas ja ouvi médicos especialistas confirmarem que se a carga for indetectavel se pode transar sem preservativo , mas optamos pelo bom senso e usamos... resumo: nao discriminem, nao julguem pois ser positivo é muito mais comum do que se imagina...

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  6. Foi mal, gente, mas não vejo essa onda de "bareback" não. Acho que depende do circuito frequentado.

    Sorry, apenas sendo sincero.

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  7. Fico pensando se o banalizado boquete é assim tão inofensivo como dizem. A boca é uma mucosa e, portanto, é uma esponja que absorve tudo. Quando escovamos os dentes ou passamos fio dental, provocamos microlesões. Mesmo o líquido que sai antes do gozo tem alta carga viral (isso se o cara tiver o vírus, claro). Sei lá, por via das dúvidas, não abro mão da camisinha nesse ato de jeito nenhum. Claro que perde toda a graça, mas só dispenso o preservativo numa relação e depois de feitos os exames (sim, sou neurótico e hipocondríaco). Mas vem aí uma inovação capaz de provocar uma minirrevolução sexual (gay): o teste rápido de HIV de farmácia. Já tem nos EUA e ontem o governo confirmou que até abril estará aqui tmb. Agora os casais poderão saber na hora se têm ou não o vírus. Mesmo dando negativo para ambos, eu nao dispensaria a camisinha na hora da penetração, pq nada na vida é 100% de garantia. Mas vai ter muita gente fazendo bareback por aí...

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    1. A Fiocruz tem esse estudo rolando sobre testes caseiros também. Tem o fator "climão" (e se um der positivo e nem souber que tinha? qual suporte a pessoa vai ter pra lidar com a notícia na hora?" e tem o fator "é praticamente uma contaminação a menos que vai acontecer".
      Mas se chegar no mercado, não vai ser nada barato.

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  8. O mio babbino caro
    Realmente, vivemos muito sombrios!
    A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
    denota insensibilidade. Aquele que ri
    ainda não recebeu a terrível notícia
    que está para chegar.
    ...
    Vós, que surgireis da maré
    em que perecemos,
    lembrai-vos também,
    quando falardes das nossas fraquezas,
    lembrai-vos dos tempos sombrios
    de que pudestes escapar.
    (BB)

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  9. Também não acho que quem tenha a doença ou o vírus precise dizer por aí devido ao enorme preconceito. Mas acho que é importante avisar o parceiro antes da relação (casual ou de compromisso) para não enganá-lo, ainda que seja difícil e que muitas vezes faça o pretendente cair fora. Hoje em dia é raro detectar os infectados sem eles mesmos contarem e como tudo pode acontecer, a conversa se faz necessária. Tive um amigo que relacionou com um sem saber e o cara ainda teve a péssima ideia de não usar capa, por alguma sorte o garoto saiu ileso. Mas quem garante os demais?

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