domingo, 22 de dezembro de 2013

IL RE DEL PALCHETTO

Cumpriu-se a profecia: "A Grande Beleza" é mesmo um dos melhores filmes de 2013. É colossal, inebriante, frívolo, profundo e esplendorosamente bonito, fazendo jus ao título que tem. Talvez não comova quem tem menos de 40 anos de idade: só com uma certa quilometragem e muitas decepções no currículo que a gente consegue se identificar com o protagonista Jep Giambardella, que é feliz e infeliz ao mesmo tempo. O sujeito escreveu um único livro na juventude que fez muito sucesso, e graças a isto se tornou uma espécie de Rei do Camarote de Roma. A vida dele é uma sucessão de festas, performances, entevistas com pseudo-artistas e visitas noturnas a palácios deslumbrantes. Jep conhece todo mundo, já fez de tudo, já viu tudo e quer mais. Mas o quê? Mais de tudo, com dois ovos estrelados em cima, ou talvez menos, já que o mundo é um saco. Ou quem sabe um grande amor? Uma companhia, que seja, para os anos de "melhor idade"? Ou o irrecuperável amor da adolescência? Não há resposta fácil, e nem uma trama clara a ser seguida. Muito se tem dito do estilo adotado aqui pelo diretor Paolo Sorrentino, que remete muito ao de Fellini. De fato, há sequências surrealistas que poderiam estar em "Amarcord", como uma girafa nas Termas de Caracalla ou uma revoada de flamingos sobre o Coliseu (sem falar nas dúbias relações entre a cúpula da Igreja e a aristocracia italiana, tema recorrente do cinema local, aqui explorado de maneira magnífica no episódio da Irmã Maria, uma santa viva calcada em Madre Teresa de Calcutá). Mas para mim a semelhança maior entre Fellini e Sorrentino é o fato de nenhum dos dois contar propriamente uma história, mas sugeri-la, intuí-la, assoprá-la na retina do espectador. "A Grande Beleza" não é só uma festa para os olhos e os ouvidos (já encomendei a trilha na Amazon): também é para o cérebro, tantas são as imagens e as situações a serem decifradas. Quero ver de novo.

6 comentários:

  1. Vi o filme 2 meses atrás e penso nele todos os dias desde então. É uma montanha russa de imagens e emoções, algo avassalador e sublime.

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  2. Tem Fellini, Visconti, Antonioni e Dino Risi. Segue a tradição das crônicas masculinas do cinema italiano, como I Vitelloni, La Dolce Vita, Violência e Paixão, Aquele Que Sabe Viver etc. Sem falar no encontro noturno com Fanny Ardant, como Fellini encontra Anna Magnani na rua em Roma. Des-lum-bran-te.

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  3. A verdade é que a felicidade não é deste mundo!!!! Ricos e pobres todos sofrem, vivemos é um mundo de provas e expiações nada mais que isto. Reflitam!!!!

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  4. Finalmente vi. Entra pra minha lista de filmes que é um retrato. Não exatamente uma história. Mas justamente por isso que gostei muito.

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