terça-feira, 19 de novembro de 2013

VELHINHOS SACUDIDOS

Fazia tempo que Paul McCartney era carta fora do meu baralho. Comprei muitos de seus discos depois que os Beatles acabaram, mas desisti ali pela metade dos anos 80. Achava tudo mais do mesmo, sem consistência nem relevância. Zuzo bem: o cara é simplesmente o músico mais bem-sucedido de todos os tempos, e o que ele fez nos primeiros 20 anos de carreira é melhor e mais importante do que toda a indústria pop asiática, por exemplo. Mas o fato é que nem me abalei quando ele visitou o Brasil umas 300 vezes nos últimos anos. Tenho pouco de nostálgico, geralmente prefiro o som que está se fazendo agora. Pois não é que o velho Macca se modernizou? "New" é seu melhor trabalho desde sei lá quando, gravado com a ajuda de jovens produtores como Mark Ronson (que meio que inventou Amy Winehouse). Vai agradar tanto a beatlmeaníacos idosos quanto a quem gosta de novidade. Toda a primeira metade de "New" soa como um disco clássico dos Fab Four, com melodias assobiáveis e climão de anos 60. Mas depois surgem faixas como "Appreciate", que não chega a ser vanguarda mas é bem prafrentex. Aos 71 anos de idade, Sir Paul conseguiu não só sair de sua zona de conforto como nos presentear com aquilo que sempre fez de melhor. "New" é um puta disco.

Ney Matogrosso é outro artista de quem eu fui muito fã e depois me afastei, só para voltar a me apaixonar outra vez. Fiquei muito impressionado com seu show "Beijo Bandido", em 2009, e ainda mais com o novo "Atento aos Sinais", que vi em março deste ano. Agora as músicas que faziam o grosso do repertório daquele espetáculo saíram num CD do mesmo nome, e lá vou eu me maravilhar com outro septuagenário do babado. As músicas estão mais agressivas e ásperas do que na fase anterior, mesmo as baladas, e são tão boas que ainda não tenho uma clara favorita. Por enquanto meu destaque vai para "Rua da Passagem", a faixa de abertura - que puta ideia do Lenine, uma canção sobre a cortesia que falta no trânsito! Paul e Ney são a prova viva de que idade e juventude são dois conceitos independentes. Você só começa a envelhecer quado se desinteressa do mundo à sua volta.

5 comentários:

  1. Meu desejo de consumo é ir a um show do Ney! Já falei isso várias vezes, em Julho não fui porque coincidiu com o show do Morrissey. Fiz a opção errada, me ferrei. Segunda vez que a diva inglesa fura comigo.

    Quando ao McCartney, sabe que Hope of Deliverance está entre meus prazeres secretos? Canto pensando na esperança de nos libertarmos desta escuridão (homofobia) que nos cerca.

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  2. ah, esqueci de mencionar que adoro "Another day", que o Paul canta a rotina massacrante de uma balzaquiana sem sorte no amor...

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  3. Ney é obrigatório - Sangue Latino, Poema, Promessas Demais, O Mundo é Um Moinho, Rosa de Hiroshima...

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  4. O show anterior do Ney era Beijo Bandido, não Beijo Roubado. Amo Ney!

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