sexta-feira, 15 de novembro de 2013

PIRATAS DA CARÊNCIA

Só há um jeito de acabar com a pirataria, garantiam os experts do século 19: acabar com os próprios piratas. Capturem-nos e enforquem-nos em alto mar, sem direito a julgamento nem a nenhuma dessas frescuras modernas. Parece brutal, mas deu certo. Os ataques de corsários e bucaneiros a navios mercantes praticamente desapareceram durante o século 20. Mas ressurgiram nas últimas décadas, primeiro no Sudeste Asiático e depois, com força total, nas águas que rodeiam o Chifre da África. A guerra civil na Somália, seguida pela falência quase total do estado, tornou desesperadora uma situação que nunca foi fácil para os habitantes das regiões costeiras do país. Petroleiros e cargueiros vindos do Golfo Pérsico começaram a ser vítimas de sequestros-relâmpago, dando origem a organizações criminosas que lembram as dos narcotraficantes. Todo esse contexto aparece em “Capitão Phillips”, e isto é uma das melhores coisas do filme. O roteiro foge da patriotada óbvia, americanos bonzinhos x escurinhos malvados. O imenso navio comandado pelo personagem-título é inacreditavelmente abordado por quatro figuras esquálidas, que parecem zumbis depois de um prolongado banho de sol. A câmera nervosa do diretor Paul Greengrass não é mais novidade, mas esse “approach” dialético é: há seres humanos dos dois lados do conflito. Lembro que na época do acontecido (sim, o caso é real) eu vibrei com o desenlace, mas agora já não sei mais. “Capitão Phillips” não propõe respostas óbvias para um dilema complexo, e a atuação de Tom Hanks mais do que merece a indicação ao Oscar que fatalmente virá. Quem gosta de ficar na dúvida quando o assunto é sério não pode perder.

5 comentários:

  1. O Oscar de melhor ator vai ser muito disputado. Este final de semana vi Dallas Buyers Club (http://www.imdb.com/title/tt0790636/), com um Matthew McConaughey irreconhecível pela magreza, e Jared Leto como coadjuvante, também irreconhecível. Super atuação dos dois e o filme é excelente.

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  2. Esse filme é um porre de chato. Longo demais e previsível como todo filme em que o Tom Hanks atua. Já, Blue Jasmine é sensacional. O velho Woody Allen de volta a sua melhor forma em um filme que tem lá seus momentos engraçados, mas é amargo e triste. E a Cate Blanchett detona numa interpretação que vai lhe dar o Oscar.

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  3. Então Tom Hanks deixou de apenas bater ponto para finalmente voltar a trabalhar. Só por isso já vale o ingresso!

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  4. Bom, os piratas dos séculos XIV-XIX não eram muito diferentes de mercenários dos seus países. O mundo pós-Guerra e a ONU botaram os pingos nos is do papel de cada país no mundo. Mas com uma Somália que é praticamente um país esqueleto, fica esse vazio na ordem mundial que dá espaço aos piratas voltarem.

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  5. O filme é muito bom. É de tirar o fôlego....e o interessante foi saber q os caras q fazem os piratas nunca haviam atuado antes e deram um show de interpretação. Quem gosta de conto de fadas, é bom ver outro filme.

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