sábado, 30 de novembro de 2013

DESCARRILAMENTO

Bille August ganhou duas Palmas de Ouro no Festival de Cannes e um Oscar de melhor filme estrangeiro, e mesmo assim não entrou para o panteão dos grandes diretores contemporâneos. Seu novo filme, "Trem Noturno para Lisboa", mostra bem por quê: o estilo de August é burocrático, antiquado, pesado até. Seus roteiros em inglês sempre soam falsos (ele é dinamarquês), e mais uma vez ele coloca atores de aparência nórdica para inerpretar personagens latinos. Foi o que afundou sua versão para "A Casa dos Espíritos" e é um dos grandes problemas deste novo trabalho, quase todo ambientado em Portugal. Mas o maior é mesmo a matéria-prima, o best-seller de Pascal Mercier. A trama é cheia de coincidências absurdas, além de não fazer muito sentido - quem é que larga o emprego no meio do dia e embarca sem bagagem para um outro país, só porque salvou uma suicida alguns minutos antes? Pois é. Nenhum dos atores está bem, muito por culpa dos diálogos canhestros, e as frases do escritor fictício que deslancham a história não são dignas do mais raso livro de auto-ajuda. "Trem Noturno..." sai bonito da estação, mas escorrega dos trilhos já na primeira curva.

2 comentários:

  1. ##
    Já vi o filme a alguns meses aqui em Portugal e adorei.

    @@

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  2. jeremy irons. volte a ser papa. volte a ser o borgia. traga junto o françois arnaud. sem mais.

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