sexta-feira, 8 de novembro de 2013

DANDO NO COURO


Joaquin Phoenix se fez de louco durante mais de um ano, babando em talk shows e dizendo que ia abandonar a carreira. Era pegadinha - quer dizer, oficialmente era um projeto de documentário, que mediria a reação do público a essa performance inspirada. Tenho cá comigo que James Franco está fazendo algo parecido: há pelo menos três anos que o ator de "127 Horas" faz fotos montados, grava vídeos beijando outros homens e jamais aparece em público com uma namorada a tiracolo. Ele quer deixar o mundo inteiro na dúvida - talvez como provocação artística, talvez como zoação pura e simples. Esta possível "practical joke" tem seu lance mais elaborado no filme "Interior. Leather Bar." A ideia era bem provocante: recriar os 40 minutos de material perdido do clássico "Parfceiros da Noite", que o diretor William Firedkin precisou cortar em 1980 para apaziguar a censura americana. O filme, para quem não viu, é uma das primeiras incursões de Hollywood no universo gay. Al Pacino faz um policial que precisa se infiltrar entre os frequentadores dos antros de pegação de Nova York para pegar um "serial killer" e acaba descobrindo algumas coisinhas sobre si mesmo. Foi um escândalo na época. Pois bem: Franco e o diretor Matthew Travis resolveram reunir um bando de atores - anônimos, famosos, gays, héteros e até um astro pornô - para uma longa cena semi-explícita, que reimagina o que seriam os tais 40 minutos deletados (que ainda devem existir em algum rolo arquivado). O resultado é bem menos excitante do que parece, até porque a dramaturgia é misturada com making of, makinf of do making of, depoimentos autênticos e diálogos que parecem reais mas são totalmente encenados. Há bons momentos, mas a verdade é que a única hora que dura o filme custa um pouco a passar. De qualquer forma, não deixa de ser interessante: o filme está em cartaz no Festival MixBrasil, que estreou ontem em São Paulo, semana que vem no Rio e depois percorre muitas cidades brasileiras.

Um comentário:

  1. Na verdade mesmo cortando as tais cenas explícitas, ainda assim o filme mostra muito da pegação rs. Não estou falando por mim, mas pelo público puritano em geral. Se acharam que o filme Behind the Candelabra é muito gay, imagina esse e ainda há mais de 30 anos...Se chegar aqui talvez eu veja, espero que seja bacana.

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