domingo, 17 de novembro de 2013

ASTERIX ENTRE OS PINTADOS

Hergé deixou ordens expressas para ninguém meter a mão no Tintin depois que ele morresse. Deixou até mesmo um álbum quase completo, "Tintin et l'Alph-Art", que no entanto nunca foi terminado oficialmente (mas existem várias versões apócrifas). Por um lado, dá para entender: Tintin era mais que um filho, era o próprio Hergé, e ele não queria que estranhos lhe pusessem palavras na boca depois que se fosse. Por outro, é uma pena. Os estúdios Hergé tinham dezenas de ilustradores e roteiristas mais do que capazes de continuar o personagem, sem que o público se desse conta da menor diferença. Os criadores do Astérix escolheram este segundo caminho. Ou melhor, O criador, o desenhista Albert Uderzo, já que o escritor René Goscinny morreu em 1977. Desde então, Uderzo assumiu textos e imagens do pequeno herói gaulês, e, por Tutatis, a qualidade despencou. Astérix chegou a ter até memso um contato imediato e 3o. grau com um extraterrestre, numa descaracterização completa do espírito original da série. Agora Uderzo está velhinho e, provavelmente insuflado por seus editores, concordou em passar o bastão adiante. "Asterix entre os Pictos" é o primeiro álbum escrito por Jean-Yves Ferri e desenhado por Didier Conrad, e não é que se parece com as aventuras clássicas dos anos 60? Os pictos eram os antigos habitantes da Caledônia, hoje conhecida por Escócia, chamados assim pelos romanos (picti) porque pintavam rostos e corpos. Tudo o que amamos está lá: os menirs do Obelix, a poção mágica, os romanos, esses neuróticos, o ataque do navio pirata, o banquete final regado a javali. Não, não está no mesmo nível de obras-primas como "...entre os Bretões" ou "...e Cleópatra", mas é muito melhor que qualquer história dos útimos 20 anos. Longa vida para Asterix.

Um comentário:

  1. Tony, leia isso
    http://www.universohq.com/noticias/casterman-moulisart-anunciam-album-inedito-tintim-sera-publicado-2052/

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