sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CUIDADO COM O CACHORRO

Junte-se o ranço autoritário brasileiro com a arbitrariedade das regras do Facebook e eis aí o resultado: toda semana algum juizinho provinciano ameaça tirar a rede inteira do ar. Uma briga de vizinhos, como esta entre Luize Altenhofen e o sujeito que agrediu seu cão com uma barra de ferro, ganha dimensão nacional e me deixa com a ligeira sensação de estar morando no Irã, onde uma tuitada mais malandra pode render 200 chibatadas. Por outro lado... véi, na boa, desde quando o Feice é artigo de primeira necessidade? Mas no fundo o que está em jogo é a incapacidade de controlar a escrotidão da espécie humana. A internet permite que as pessoas revelem seu lado mais podre sem que elas precisem deixar o anonimato e o conforto de seus lares - e contra isso, só uma censura das brabas surte algum efeito. Melhor a gente se acostumar e dormir com um barulho desses.

6 comentários:

  1. Concordo. Eu parei com o Face depois q uma amiga começou a publicar textos tristes por causa do fim do seu namoro e resolveu divulgar sua depressão pra todo mundo. Graças a Deus eles voltaram mas pra mim foi a gota d'água.

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  2. Mesmo com as listas e infinitas configurações possíveis, acho o Face uma merda pra vida de muita gente. Já, já as pessoas vão se dar conta disso. Agora que é capital aberto então...
    Fora que muitas crianças e adolescentes nem usam, tem perfil só pra fazer média com a família, que monitora a vida deles. Saída? Instagram, Tumblr, etc.

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  3. O que achei mais curioso nesse caso não foi nem tanto o juiz determinar a desativação provisória do facebook -- como vc mesmo disse, isso ocorre toda semana --, e sim a intensa cobertura midiática e o furor que deu toda a notícia, sendo que horas ou minutos depois todos já estávamos novamente sendo informados do óbvio: o site cumprira a decisão judicial. Nem vou me ater ao que deveria ser (pelo menos pra mim) útil em informação, e sim à necessidade patológica de alguns veículos, em especial à Folha, em espalhar notinhas superficiais, no intuito de receber mais visualizações e novos leitores, esquecendo-se do jornalismo apurado e de credibilidade. Assustador, eu acho.

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  4. O Brasil não tem um marco regulatório para a internet e, por conta disso, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor, pois existe uma relação de consumo com remuneração indireta (você está no Facebook, logo o site ganha dinheiro com anúncios).

    O problema não é o "juiz provinciano", mas sim a arbitrariedade do Facebook, que quer implementar no mundo uma visão americana do direito. Na Europa, o conflito é com o direito à privacidade. Para os americanos, se você clica "OK" nos termos de adesão, o FB tem direito a relativizar seu direito à imagem, seu direito à privacidade, etc, coisas que no direito dos países europeus, no geral, não são sujeitas a relativizações, nem a cessões contratuais. É aquela coisa: nos EUA é aceitável alguém publicar fotos suas em tabloides; na Europa não-anglo-saxã, isso não é aceitável. Não é aceitável publicar fotos de crianças sem autorização dos pais sem que haja uma tarja nos rostos delas; nos EUA, isso é plenamente possível.

    Aqui no Brasil funciona da seguinte forma: se você pede, com a devida fundamentação, que o site retire o conteúdo ofensivo e ele simplesmente ignora sua solicitação, cabe ação perante o Juizado para pedir a remoção do conteúdo, além de danos morais. É a lei. Se o Facebook quer atuar em outros países, deve observar a legislação local. Estamos falando de uma empresa que tem escritório no Brasil e ganha dinheiro por aqui; logo tem que seguir as regras.

    Mas não é só o Facebook que derrapa. Eu mesmo processei empresas que antes eram envolvidas com o site Katylene justamente por esse motivo.

    No fim, falta uma coisa: assessoria jurídica.

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  5. Alguém sequer lê "os termos e condições do site" quando cria uma conta ou sai clicando que sim e depois processar?
    Se advogado do FB eu fosse, ameaçaava tirar o escritório do site do Brasil, e deixava o processo correr solto contra o FB nos EUA, com carta rogatória e o dick by four.
    Num instante, esses vizinhos iriam entrar em acordo.

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  6. Saudade do Orkut !!!

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