segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SÃO AS TRAPAÇAS DA SORTE

A primeira vez que eu chorei diante da televisão foi durante o último capítulo de "Irmãos Coragem", em 1971. A morte de Jerônimo e Potira me pegou desprevenido: até então, me era inconcebível que protagonistas não tivessem finais felizes. Eu tinha 10 anos de idade. Jerônimo, o irmão mais novo da família Coragem, foi um dos papéis mais importantes da carreira de Cláudio Cavalcanti. Uma década depois ele encarnou o Edir, da novela "Água Viva", que o canal Viva começa a reprisar hoje à noite. Mesmo com tantos personagens marcantes, Cláudio passou os últimos 15 anos meio longe dos holofotes, fazendo participações aqui e ali e mais envolvido com política do que com TV ou teatro. Sua reentrée está marcada para a semana que vem, quando estreia a segunda temporada de "Sessão de Terapia". É incompreensivelmente cruel que ele não esteja mais por aqui para se regalar com os elogios - que, aliás, já começaram. A vida puxa o tapete nas horas mais impróprias. Assim fica difícil agregar sentido.

10 comentários:

  1. Belo artigo! Era um homem do bem, de talento e inteligência extraordinárias. São sim as trapaças da sorte. Estava feliz por saber que voltava a nos brindar com seu talento em grande estilo. Mas tenho certeza que encontrou um novo caminho, o da LUZ, aonde sempre viveu. Bjss Vera Vianna

    ResponderExcluir
  2. Foi realmente uma surpresa porque ele não estava debilitado. Morreu de complicações numa cirurgia na cervical. Ok, com 73 anos, qualquer cirurgia é mais arriscada, mas ele ainda era secretário de defesa dos animais do Rio. Podia ter 73 anos, mas tinha alma de jovem. E certamente diria "tenho alma de jovem", já que ele sempre foi defensor da fé espírita. Para ele, ele não morreu. Ele evoluiu.

    ResponderExcluir
  3. Para mim ele será p/ sempre o médico espírita do remake 1994 d'A Viagem, e olha que nem sei se ele era espírita ou não, mas quando personagem é bem feito marca quem fez e quem assistiu, meio que cola no ator ou atriz que fez, Beatriz Segall vai morrer sendo p/ muitos a Odete Roitmann esculpida em carrara.

    ResponderExcluir
  4. Rapaz, é sempre agradável ler seus textos. Mesmo que a notícia não seja boa...

    ResponderExcluir
  5. sei que pode parecer indelicado, mas como ele sempre foi um ator talentoso, eu achei que ele ja tinha morrido ( por causa do tempo afastado)...ai vi no gnt que ele ia participar do secao de terapia ( eu me questionei, ele nao tinha morrido?) que coisa chata!!!!

    ResponderExcluir
  6. Lamentável perda, lamentável mesmo, o teatro e a Tv cada vez mais pobre!!!! E vazia de talentos, só uns poucos.

    ResponderExcluir
  7. E a cena da melancia... uma das mais marcantes do cinema nacional

    ResponderExcluir
  8. É sempre um prazer ler seus textos. Pena que o tema desta vez seja tão triste. Mas muito legal essa (rápida) reflexão.

    ResponderExcluir
  9. Há muitos anos atrás (melhor não dizer o ano, muito menos a novela), em uma visita com um amigo a Globo, após apresentações a funcionários, diretores, artistas, fui "sequestrado" pela diretora de elenco da época e inserido feito um ET num dos capítulos da novela por conta da falta de um figurante.

    Meu cabelo foi cortado, besuntado com gel (na verdade vaselina, veja como faz tempo), me enfiaram dentro de uma roupa que já havia pertencido ao Marcelo Picchi em outra novela e me largaram perdido, dentro de um estúdio com dezenas de atores...

    Óbvio que sem saber o que acontecia a coisa não ficou muito boa.
    ENTÃO, Cláudio Cavalcante foi o único entre todas aquelas pessoas que se prontificou a me dizer o que deveria ser feito e como. Educação, atenção e respeito.
    Nunca mais esqueci disso.
    Fica na Paz.

    ResponderExcluir
  10. O eterno padre Albano. Fiquei super triste com a notícia. :(

    ResponderExcluir