sábado, 14 de setembro de 2013

GARGANTA RASINHA

"Lovelace" conta duas vezes a história da filmagem do maior clássico do pornô de todos os tempos, "Garganta Profunda". Na primeira parte,  Linda Boreman é retratada como uma típica bad girl, que dá suas escapulidas mais para irritar papai e mamãe do que propriamente se divertir. Ingênua feito um caipira recém-chegado à cidade grande (apesar de ter tido um bebê no ano anterior, dado para adoção), ela cai fácil na lábia de um sujeito asqueroso. Os dois logo se casam, mas isto não o impede de faturar em cima do enorme talento da moça para o sexo oral. Convence-a a estrelar um dos primeiros filmes adultos com roteiro e algum valor de produção, que chegou a ser exibido em cinemas "sérios" nos Estados Unidos. "Garganta Profunda" foi uma das maiores bilheterias de 1972, e sua protagonista ficou famosa e badalada do dia para a noite. Mas aí "Lovelace" volta várias casas e conta tudo de novo, dessa vez sem poupar a plateia dos horrores a que o marido cafetão submetia a pobre Linda. É um recurso que tenta imitar a percepção que o público teve da própria atriz: primeiro mulher liberada, depois vítima da violência doméstica e, finalmente,  heroína feminista. Ela passou os últimos vinte anos de vida (morreu num acidente de carro em 2002) pregando contra a indústria pornô. O fato é que sua história real é muito mais rica e controversa do que a que vemos na tela. A verdadeira Linda chegou a fazer filmes de bestialidade (com cachorros, eeewww)  antes de cair de boca no sucesso, e sua cruzada moralista lembra a das nossas cortesãs que se tornaram evangélicas. "Lovelace" tem uma fantástica reconstituição de época e Amanda Seyfried fazendo um puta esforço para que esqueçamos seus papéis de boazinha - mas quem acaba brilhando mais é Sharon Stone, fazendo a mãe megera. Minha melhor experiência com "Deep Throat" continua sendo a vez em que aluguei o vídeo no começo dos anos 80, recém-liberado no Brasil depois de quase dez anos da estreia. Era uma cópia dublada em espanhol, onde a personagem era chamada de "Linda Lazoamor".

15 comentários:

  1. Pornografia serve para lavar dinheiro. Acho a cruzada super válida...

    Essa glamourização da pornografia já deu. Só acha que eles realmente lucram com vídeos quem é muito bobinho mesmo. O dinheiro vem do tráfico de armas, tráfico de drogas, tráfico de pessoas...e aí usam a pornografia pra lavar tudinho.

    Bjinhos, Brasil

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    1. Fontes?

      Pornô vende horrores.

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    2. Lucas, não vende, não. Eles dizem que vende, justamente para ocultar de onde o dinheiro vem. É fácil, assim como no mercado das artes. Você diz que pagou X aos atores e que vendeu Y pela internet, mas na verdade, é apenas uma forma de maquiar a venda de drogas, por exemplo.

      Tem vários artigos sobre isso e tenho um conhecido que, inclusive, participou de um congresso na Alemanha sobre isso. Exemplo: http://www.computer.org/csdl/proceedings/eisic/2012/4782/00/4782a091-abs.html

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  2. Eu li 'um dos primeiros filmes adultos com roteiro e algum valor de produção'? Estás a me gozaire, ó gajo? Será que por 'roteiro' você está tomando o lance da mulher ter o clitóris na garganta? E 'valor de produção' inclui um cast com as pessoas mais feias e mal alimentadas da história do cinema americano, buscadas certamente na calçada imediata do bairro decrépito onde a filmagem ocorreu?
    Esse filme é uma merda completa e só teve a seu favor a idéia original do clitóris deslocado e ter sido feito no momento em que a sociedade americana, esmagada por tanto puritanismo, estava desvairada para soltar uma franga com 'f' maiúsculo.
    La Lovelace era bastante feia e sem qualquer sex appeal - ainda que brilhasse no blow job, no Brasil, só conseguiria limpar latrinas -, e, como se não bastasse, teve cancer no seio, devido a te-los turbinado com injeções de silicone.
    Vade retro.

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    1. Não estou a gozaire não, ó pá. Antes de "Garganta Profunda" os filmes pornôs não passavam de cenas de foda filmadas meio de qualquer jeito, num esquema semi-caseiro, e eram vendidos clandestinamente. Foi no começo dos anos 70 que surgiram diálogos, figurinos, essas coisinhas básicas. Claro que ao vermos o "Garganta" hoje nos espantamos com a tosquice daquilo tudo, mas para a época era uma superprodução hollywoodiana.

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  3. Eu não sabia detalhes da história dela, estou impressionado. Mas o filme funciona muito bem: ao contar duas histórias, nos faz pensar, claro, que isso vale para qualquer celebridade, e deve valer mesmo, sempre que há muito dinheiro envolvido. A história que nós conhecemos e a história por trás, cheia de coisas escabrosas... Será que isso também vale para os políticos e os juízes brasileiros? Hum...

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    1. Não deve valer. Que eu saiba, os políticos brasileiros não estrelam filmes pornô - assistem-nos -, não são explorados por ninguém, muito antes pelo contrário, nem injetam silicone nos seios - lambem-nos -. E muito menos se arrependem de algum desvairio ou mau passo em que tenham se espalhado. Já os juízes, ninguém os conhece direito.

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  4. Hahahaja. Eu vi num cinema pornô mesmo. Numa edição erótica da DDK no Cine Íris lá em 2004 ou 2005.

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    1. E eu vi no Palácio 1, aquele extinto cinema da Cinelândia, acho que durante uma edição do Festival do Rio. Muito engraçado ver um monte de senhores e senhouras vendo Linda engolir o mastro do Harry Reems... todinho...

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    2. Foi no mesmo ano que teve uma exibição de Pink Flamingos e Rocky Horror Picture Show?

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    3. Sempre tive curiosidade de assistir "Pink flamingos", mas pelo que li não sei se conseguiria - acho que ia ficar meio agoniado...

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  5. A verdadeira Linda não era linda.

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  6. na minha época de adolescente este filme era muito famoso, mas não tive vontade de ver, fico imaginando se hoje ainda seria considerado polemico!

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  7. Que horror, fazer filmes de sexo com seres de outras espécies. O que esses maníacos não fazem por dinheiro.

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